maxresdefault

NOTA: 7,5 / Renato Furtado

Americanos, soviéticos, alemães, espionagem, traições, reviravoltas, armas e mesclados a um incrível senso de humor. Essa é a visão que Guy Ritchie traz para o período da Guerra Fria, juntamente com seu estilo peculiar, veloz, sarcástico e pulp com seu novo filme O Agente da U.N.C.L.E, inspirado na série televisiva homônima dos anos 60. A narrativa escala Henry Cavill (o Homem de Aço) no papel de Napoelon Solo, agente da CIA que precisa unir-se ao seu arqui-inimigo soviético, Ilya Kuriakin, interpretado por Armie Hammer (A Rede Social, O Cavaleiro Solitário) para impedir que uma ogiva nuclear e uma pesquisa sobre enriquecimento de urânio caiam em mãos erradas. Para isso, eles terão a ajuda da belíssima Alicia Vikander (meu deus, como ela é linda, que isso) dando vida à personagem Gaby Teller, a filha do cientista que desenvolveu a perigosa pesquisa nuclear.

Em O Agente da U.N.C.L.E. não há espaço para tipos como James Bond, Ethan Hunt ou Jason Bourne e esse é justamente um dos pontos mais altos do filme. Guy Ritchie, diretor de filmes como Snatch e Sherlock Holmes, sabe ser da “zueira” e dispensa por completo a seriedade normalmente conferida ao ato da espionagem. Seu olhar irreverente e sarcástico atua sobre as situações absurdas e impossíveis nas quais os superagentes Solo e Kuryakin demonstram suas habilidades quase sobrenaturais – como o fato do soviético quase conseguir parar um carro em movimento com as mãos nuas, em uma hilária e dinâmica cena de perseguição logo no começo da trama ou até mesmo a habilidade quase mágica de Solo em abrir cofres.

Em seu primeiro filme como roteirista após Rock’n Rolla – A Grande Roubada, de 2008, Ritchie retoma o controle total que possuía nos primeiros filmes de sua carreira (os dois Sherlock Holmes com Robert Downey Jr e Jude Law são bons filmes, mas não são o melhor que o britânico pode fazer). Estar livre para criar diálogos brilhantes e muito engraçados e poder estruturar seu filme – ainda que seja uma adaptação – da sua própria maneira fazem com que ele possa extrair grandes performances de todo o seu elenco, exatamente no seu estilo cinematográfico. Cavill e Hammer formam uma ótima dupla e são dois ótimos atores, mas quem surpreende é Vikander. Revelada para o mundo em O Amante da Rainha (onde atua incrivelmente bem), a atriz sueca mostra que também sabe fazer comédia e ação. E, isso tudo, sem deixar de ser sexy.

Com um bom elenco de apoio, uma fotografia veloz que lembra muito os filmes de espionagem, de crime ingleses e os spaghetti western dos anos 60 com seus zooms exagerados e seus cortes rápidos, um olhar atento para a cultura pop, locações incríveis (a Roma dos anos 60, escolhida pelo glamour com que era retratada pelos lendários Federico Fellini e Michelangelo Antonioni), muita ação, perseguições, tiroteios, barulho, lutas, explosões, comédia, até mesmo romance (muito bem construído entre os personagens de Hammer e Vikander) e uma pequena, porém divertida ponta de Hugh Grant – provavelmente um de seus melhores papeis em anos -, O Agente da Uncle acerta no tom, acerta no entretenimento e deixa espaço para uma sequência que promete ser tão boa e inteligente quanto esse primeiro filme é.

Anúncios