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Aproxima-se o fim de 2015 e para começar a falar sobre cinema nada melhor do que começar falando sobre a premiação “mais importante” do cinema mundial (segundo os próprios organizadores): o Oscar.

Organizado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos, o Oscar provavelmente só não possui mais categorias que o Grammy (premiação a qual se procurar e estudar com cuidado provavelmente possui uma categoria onde você, sim, você leitor, pode se encaixar e ganhar uma estátua de gramofone e levar para deixar como peso de papel em casa). Muitas delas (principalmente, e injustamente, as categorias técnicas) são ofuscadas por completo pelas categorias mais prestigiadas, como os páreos de melhor filme e melhor atuação. Porém, contudo, entretanto, todavia, há uma categoria que ano após ano começa a retomar um certo prestígio dentre os cinéfilos e curiosos de plantão: melhor filme estrangeiro.

Sobre o Oscar vindouro, portanto, parece certo afirmar que os filmes indicados por cada país para concorrer a uma das cinco vagas finais na cerimônia de premiação vão seguir os passos dos concorrentes e ganhadores dos dois anos anteriores (o polonês Ida, em 2014 e o italiano A Grande Beleza, em 2013). A categoria funciona da seguinte maneira: cada país escolhe, a sua maneira, um filme para ser o representante nacional do ano e uma vez que o filme se torna o selecionado de seu país (cumprindo também as outras exigências e demandas da Academia), ele se torna apto a disputar um lugar ao Sol, mais especificamente, no fundo do Kodak Theatre, onde o Oscar ocorre, lá bem longe da galera do primeiro escalão de Hollywood. Bom, mas pelo menos eles conseguem.

Sem mais delongas, apresento a lista dos filmes que vão disputar a presença no top cinco, grupo de filmes que está previsto para ser anunciado no dia 14 de janeiro de 2016:

Afeganistão – Utopia (آرمان شهر) de Hassan Nazer
África do Sul – The Two of Us (Thina Sobabili) de Ernest Nkosi
Albânia – Bota de Iris Elezi, Thomas Logoreci
Alemanha – Labyrinth of Lies (Im Labyrinth des Schweigens) de Giulio Ricciarelli
Argentina – O Clã de Pablo Trapero
Áustria – Goodnight Mommy (Ich seh, ich seh) de Severin Fiala e Veronika Franz
Bangladesh – Jalal’s Story (জালালের গল্প) de Abu Shahed Emon
Bélgica – The Brand New Testament (Le Tout Nouveau Testament) de Jaco Van Dormael
Bósnia e Herzegovina – Our Everyday Life (Naša svakodnevna priča) de Ines Tanović
Brasil – Que Horas Ela Volta? de Anna Muylaert (leia a nossa resenha aqui)
Bulgária – The Judgement (Съдилището) de Stephan Komandarev
Camboja – The Last Reel (ដុំហ្វីលចុងក្រោយ) de Kulikar Sotho
Canadá – Felix and Meira (Félix et Meira) de Maxime Giroux
Cazaquistão – Stranger (Жат) de Ermek Tursunov
Chile – O Clube de Pablo Larraín (leia a nossa resenha aqui)
China – Wolf Totem (狼图腾) de Jean-Jacques Annaud
Colômbia – Embrace of the Serpent (El abrazo de la serpiente) de Ciro Guerra
Coréia do Sul – The Throne (사도) de Lee Joon-ik
Cosovo – Babai de Visar Morina
Costa Rica – Presos de Esteban Ramírez
Croácia- The High Sun de Dalibor Matanić
Dinamarca – A War (Krigen) de Tobias Lindholm
Eslováquia – Goat (Koza) de Ivan Ostrochovský
Eslovênia – The Tree (Drevo) de Sonja Prosenc
Espanha – Loreak de Jon Garaño, Jose Mari Goenaga
Estônia – 1944 de Elmo Nüganen
Filipinas – Heneral Luna de Jerrold Tarog
Finlândia – The Fencer (Miekkailija) de Klaus Härö
França – Mustang de Deniz Gamze Ergüven
Geórgia – Moira (მოირას) de Levan Tutberidze
Grécia – Xenia (Ξενία) de Panos H. Koutras
Guatemala – Ixcanul Volcano (Ixcanul Kaqchikel) de Jayro Bustamante
Holanda – The Paradise Suite de Joost van Ginkel
Hong Kong – To the Fore (破風) de Dante Lam
Hungria – Son of Saul (Saul fia) de László Nemes
Índia – Court de Chaitanya Tamhane
Irã – Muhammad: The Messenger of God (محمد رسول‌الله) de Majid Majidi
Iraque – Memories on Stone (Bîranînen li ser kevirî) de Amin Korki
Irlanda – Viva de Paddy Breathnach
Islândia – Rams (Hrútar) de Grímur Hákonarson
Israel – Baba Joon (באבא ג’ון) de Yuval Delshad
Itália – Non essere cattivo de Claudio Caligari
Japão – 100 Yen Love (百円の恋) de Masaharu Take
Jordânia –  Theeb(ذيب) de Naji Abu Nowar
Letônia – Modris de Juris Kursietis
Líbano – Void ( وينن) de Tarek Korkomaz, Zeina Makki, Jad Beyrouthy, Christelle Ighniades, Salim Habr, Maria Abdel Karim, Naji Bechara
Lituânia – The Summer of Sangailė (Sangailės vasara) de Alantė Kavaitė
Luxemburgo – Baby(a)lone (Baby(A)lone) de Donato Rotunno
Macedônia – Honey Night (Медена ноќ) de Ivo Trajkov
Malásia – Men Who Save the World (Lelaki Harapan Dunia) de Liew Seng Tat
Marrocos – Aida ( ايدة) de Driss Mrini
México – 600 Miles (600 Millas) de Gabriel Ripstein
Montenegro – You Carry Me (Ti mene nosiš) de Ivona Juka
Nepal – Talakjung vs Tulke (टलकजंग भर्सेस टुल्के) de Nischal Basnet
Noruega – The Wave (Bølgen) de Roar Uthaug
Palestina – The Wanted 18 de Paul Cowan e Amer Shomali
Panamá – Box 25 (Caja 25) de Mercedes Arias e Delfina Vidal
Paquistão – Moor ( ماں) de Jami
Paraguai – Cloudy Times (El tiempo nublado) de Arami Ullon
Peru – NN de Héctor Gálvez
Polônia – 11 Minutes (11 Minut) de Jerzy Skolimowski
Portugal – Arabian Nights: Volume 2 – The Desolate One (As Mil e Uma Noites: Volume 2, O Desolado) de Miguel Gomes
Quirguistão – Heavenly Nomadic (Сутак) de Mirlan Abdykalykov
República Dominicana – Sand Dollars (Dólares de arena) de Laura Amelia Guzmán e Israel Cárdenas
República Tcheca – Home Care (Domácí péče) de Slávek Horák
Romênia – Aferim! de Radu Jude
Rússia – Sunstroke (Солнечный удар) de Nikita Mikhalkov
Sérvia – Enclave (Енклава) de Goran Radovanović
Suécia – Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência (En duva satt på en gren och funderade över tillvaron) de Roy Andersson
Suíça – Iraqi Odyssey de Samir
Tailândia – How to Win at Checkers (Every Time) (Pi Chai My Hero) de Josh Kim
Taiwan – The Assassin (聂隐娘) de Hou Hsiao-Hsien
Turquia – Sivas de Kaan Mujdeci
Uruguai – A Moonless Night (Una noche sin luna) de Germán Tejeira
Venezuela – Gone with the River (Dauna. Lo que lleva el río) de Mario Crespo
Vietnã – Jackpot (Trúng số) de Dustin Nguyen

Vale a pena prestar atenção redobrada em alguns títulos específicos. Algumas das películas enviadas passaram pelos maiores festivais do mundo (a tríade Berlim, Veneza, Cannes, além de Toronto) e três delas venceram prêmios importantíssimos: o húngaro Son of Saul venceu o Grand Prix de Cannes; o romeno Aferim! rendeu o Leão de Prata de Melhor Direção a Radu Jude; e Um Pombo (candidato a maior título da história, o que por si só pode assustar os votantes da Academia) venceu o prêmio principal em Veneza, no ano passado.

Além disso: Hou Hsiao-Hsien ganhou Melhor Direção em Cannes por The Assassin; o ótimo Miguel Gomes traz, após o sucesso de “Tabu”, um grande filme, com Mil e Uma Noites; a categoria ainda testemunha a volta do veterano francês Jean Jacques Annaud de filmes como Sete Anos no Tibet com Wolf Totem, escolha chinesa e a volta de Pablo Larraín com o ótimo e sombrio O Clube (Larraín é responsável por No com Gael Garcia Bernal, filme chileno que entrou no top 5 em 2013).

Quanto às nossas chances de entrar na lista final: parecem ser as maiores desde Central do Brasil (considerando que Cidade de Deus, na época, acabou não entrando na disputa por causa de problemas de elegibilidade em relação às demandas da Academia). Que Horas Ela Volta? é um ótimo filme e já falamos bastante dele por aqui, então o veredito é: estamos bem representados na busca dessa vaga. Toda a sorte do mundo para a equipe e para Anna Muylaert.

A curiosidade da lista deste ano fica por conta do Paraguai, que pela primeira vez submete um filme à Academia (o documentário El Tiempo Nublado). Além disso, Cuba decidiu não enviar filmes e a Nigéria ainda não encontrou filmes elegíveis para selecionar neste ano – o que viria a ser a primeira nomeação da Nigéria.

Renato Furtado 

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