southpaw

NOTA: 7 / Renato Furtado

Eu me considero fã de boxe – ou algo próximo disso já que eu não acompanho muito o esporte. Sou fascinado tanto pela luta quanto pela técnica exigida pelo esporte (apesar dos pesares da violência e das sequelas sofridas pelos boxeadores), dois elementos muito belos do boxe. Gosto de ver os dois oponentes pacientemente gingando, movendo os pés como em uma dança perigosa, torcendo pelo espetáculo e pela superação e é essa a sensação que Antoine Fuqua nos dá com seu Nocaute: estar dentro do ringue e buscar a vitória junto com Billy Hope, vivido por Jake Gylenhaal, que após uma grande tragédia perde tudo de mais valioso que possui na vida e precisa encontrar algum modo de dar a volta por cima.

Não há nada de novo no filme. Filmes de boxe, normalmente, possuem narrativas que envolvem o ato da superação – na verdade, filmes esportivos, no geral, utilizam-se desse mesmo tema. A trama (escrita por Kurt Sutter, criador da ótima série Sons of Anarchy), portanto, não surpreende, não tem nenhuma grande reviravolta e isso é parte do fato de Nocaute não conseguir chegar ao mesmo nível de seus pares recentes (O Lutador; O Vencedor; e Guerreiro). No entanto, em nenhum momento desaponta. Muito pelo contrário.

A competente direção de fotografia do italiano Mauro Fiore (ganhador do Oscar pela fotografia de Avatar) é como uma montanha-russa de emoções nos colocando na posição privilegiada dos boxeadores e buscando sempre as expressões, sempre os detalhes, o sangue espirrado, o nervosismo nas mãos e, principalmente, a fúria e a determinação do olhar de Jake Gylenhaal que salva o filme em todos os momentos que a trama ameaça falhar e eleva a narrativa em todos os pontos onde ela mostra potencial de brilhar.

Gylenhaal (em seu modo louco demonstrado em Abutre e, ainda bem, não abandonado) nos faz torcer, vibrar e nos emociona em cada passo, em cada lágrima, em cada soco e em cada volta por cima que o personagem precisa dar e sua performance nos ringues me fez lembrar em alguns momentos de Robert DeNiro em Touro Indomável. Em um ano menos concorrido, Gylenhaal poderia muito bem ser indicado ao Oscar por seu papel e tenho certeza que logo sua chance chegará, caso ele mantenha esse mesmo nível de atuação.

O elenco de apoio, descontando a sempre pouco (isso existe? sempre pouco?) inspirada participação de 50 Cent, é ótimo – Rachel McAdams, Forest Whitaker, Naomie Harris e a pequena Oona Laurence estão incríveis em seus papeis. Fuqua se mostra um bom diretor e estrutura bem os momentos pesados sem apelar para lágrimas fáceis e parece ter voltado à forma demonstrada há catorze anos em seu ótimo Dia de Treinamento. Com tudo isso em conta e com um feroz Gylenhaal na liderança, Nocaute emociona, faz valer o ingresso e, assim como seu personagem principal, Billy Hope, nos dá esperança.

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