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NOTA: 9 / Renato Furtado

Para iniciar os trabalhos aqui nessa parte do site que é brilhantemente chamada “Espaço do Renato”, vou escrever algo inédito. Mentira, vou escrever mais uma resenha. A diferença é que agora, é sobre uma série que vou falar e ela é: Narcos. Mais precisamente, a primeira temporada, que estreou no Netflix (vulgo a empresa favorita de todo mundo) no dia 28 de agosto – e que eu só consegui terminar de ver agora.

Essa temporada conta a história da ascensão de Pablo Escobar, de como ele passou de um pequeno traficante para o senhor das drogas e, praticamente, dono da Colômbia. Acredito que isso como sinopse basta (ainda mais porque provavelmente vocês já ouviram falar bastante dessa série nas redes sociais que eu não vou citar o nome porque elas ainda não nos patrocinam, estamos esperando CaraLivro e site do pássaro azul que eu até agora ainda não entendo a REAL utilidade, sim, sou velho, me julguem).

A série, criada por Carlo Bernard, Doug Miro e Chris Brancato, é bem roteirizada. É possível ver que os criadores realizaram muitas horas de pesquisa e que todas as inserções de imagens reais que utilizam (bem no estilo documental e realista pretendido, mais sobre isso abaixo) são bem pensadas e montadas cuidadosamente. Ainda, a trama surpreende com suas reviravoltas e seus momentos de ação e, talvez, o único problema do roteiro resida justamente na narração (do personagem Steve Murphy, o agente da DEA que caça Escobar, personagem crucial na série) que, vez ou outra, pode tornar-se chata. Contudo, entretanto, porém, todavia, com certeza o grande mérito da série (que atrai cada vez mais e mais pessoas, pelo menos segundo as internets) mora na identidade visual da narrativa e, principalmente, nas interpretações.

Quanto ao primeiro elemento, era impossível de ser diferente. José Padilha e seu fotógrafo preferido, Lula Carvalho (filho do genial Walter Carvalho) unem forças novamente (após os esforços conjuntos de Tropa de Elite 1 e 2 e RoboCop) para nos colocar dentro de uma Colômbia nua e crua com sua fotografia inteligente (planos longos e curtos são belos igualmente) realista e seus jogos de contraluz, dependendo muito do contraste criado entre as luzes estouradas dos dias nublados e as sombras dos interiores dos palácios e dos barracos das favelas e da umidade da selva quente e perigosa, nos apresentando esse país que flerta com a magia o tempo todo – a série lembra, oportunamente, que não é por acaso que o realismo mágico nasceu na Colômbia, da mente de Gabriel García Márquez, um de meus escritores favoritos -, uma vez que seu personagem principal é, no mínimo, uma lenda, um mito.

Pablo Escobar é, sem dúvidas, um ser histórico e, portanto, difícil de trazer à vida. Mas isso não é problema para Wagner Moura e eu devo dizer uma coisa: que alegria é ver nossos compatriotas brilhando. Sem patriotismo (distanciando-me ainda mais do primo pobre, o nacionalismo), mas o fato é que dá muito orgulho ver os brasileiros fazendo um trabalho tão bom quanto o que fizeram em Narcos (e bota bom nisso, os Emmys que se cuidem com a gente, chega de ver só a Globo ganhar premiação). A performance de Moura é visceral, cuidadosa, minimalista, explosiva, monstruosa e cruel, tornando o baiano, sem dúvidas, em um furacão, o ponto alto da série. Aliás, sabe todos aqueles comentários que fizeram sobre como o sotaque dele está ruim – não é perfeito, mas em momento algum compromete – e blábláblá? Pura imbecilidade e complexo de vira-lata! Aqui é Brasil, representando e nos orgulhando, levando esses talentos para o mundo todo e para a empresa favorita de todo mundo.

Quanto ao resto do elenco: encontram-se ótimas interpretações. O agente do DEA, Javier Peña, é um ótimo personagem, assim como o primo de Escobar, Gustavo. Não se pode esquecer também do policial Carrillo, aparentemente, o único homem incorruptível em toda a extensão do território colombiano.

Portanto, corre lá para ver Narcos. Especialmente, se você gosta de história mundial, de política, de crime, de violência, de sangue (existe uma quantidade razoável, mas nada assustadora, na trama, até porque né?) e, acima de tudo, de uma grande narrativa, Narcos, comandada por Padilha, Carvalho e Moura, é uma boa pedida para sua próxima maratona de séries. O único problema, como todas as séries viciantes da Netflix, é que você pode acabar vendo tudo em um único dia para esperar mais um ano até o retorno. Riscos que corremos.

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