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NOTA: 6,5 / Renato Furtado

Antes de mais nada: MEU DEUS DO CÉU É MUITA NEVE CARA, TEM MUITA NEVE NESSE FILME, QUE ISSO, É NEVE DEMAIS MEU DEUS. Pronto. Isso era tudo o que eu conseguia pensar assim que saí da sala do cinema, logo após ter visto Evereste, novo filme do islandês Baltasar Kormákur (diretor de filmes de ação como Contrabando e Dose Dupla, ambos com Mark Wahlberg e que conhece bem um friozinho desses que bate às vezes) narrando a história de um grupo de alpinistas que tenta subir (e depois descer, evidentemente) o Monte Evereste.

Sobre a trama, não há muito a acrescentar, a verdade é essa. Ainda que existam algumas linhas narrativas auxiliares e uma grande quantidade de personagens (sério, é muita gente ao mesmo tempo), o filme é basicamente sobre subir e descer a montanha mais alta do mundo. Não me entendam mal, porém: isso não quer dizer que o filme não é bom, isso só quer dizer que Evereste nada mais nada menos é que um filme de ação clássico. A história está lá, os personagens estão lá, mas o que importa na verdade é a ação, a adrenalina e a aventura e isso, Evereste tem de sobra, para dar e vender.

O problema do filme talvez seja justamente o fato de que é estrelado por um grande elenco – é sério, o time de atores é enorme, composto por Jason Clarke, John Hawkes, Emily Watson, Sam Worthington, Keira Knightley, Josh Brolin, Michael Kelly, Robin Wright e Jake Gylenhaal. O que quero dizer é que, com tantos personagens assim, entrando e saindo de cena, é complicado de desenvolvê-los, tornando, na maioria das vezes, suas tramas paralelas em completa perda de tempo. É claro que o filme pretende ser uma recontagem dos fatos e nisso tem sucesso, mas talvez a saída fosse reduzir alguns personagens para levar a narrativa de maneira mais fácil e mais dinâmica (por exemplo, certas cenas, caso retiradas, não fariam muita diferença no panorama geral).

Contudo, entretanto, porém, todavia, o filme é legal pra caramba. Muitos momentos de tirar o fôlego condensados em uma narrativa que parece tornar Evereste no Gravidade desse ano (em muitos momentos senti o mesmo desconforto que senti ao assistir ao filme de Cuarón), guardadas as devidas proporções, evidentemente. A técnica envolvida nesse drama de alpinismo são muito boas (podem render ao filme algumas indicações ao Oscar nas categorias técnicas, como mixagem e edição de som, efeitos especiais e montagem) e os efeitos especiais e a câmera, movendo-se sutilmente por cima da grande imensidão branca da montanha, nos colocam perto da ação e perto dessas corajosas pessoas que decidiram tentar ganhar o topo do mundo.

Evereste é um filme simples e é muito melhor quando se convence que não passa de um filme de ação – e, repito, não estou criticando ou desmerecendo o gênero, muito pelo contrário pois é um bom filme de ação. A fotografia é comum e as atuações são boas o suficiente para nos fazer acreditar no drama e no desespero passados pelos alpinistas.

Para encerrar, decreto: EVERESTE É UM ANTI-FROZEN. Tem neve, neve, neve, neve, neve, neve, neve e você, com certeza, não vai querer brincar nela, nem chegar perto dela e livre sou livre sou só para escolher ver o filme mesmo. Crianças, não escalem o Evereste. Mentira, escalem sim, se vocês quiserem, mas vejam Evereste primeiro, para dar uma noção do perrengue.

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