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Os dois manos assistiram juntos ao novo filme de Ridley Scott e dão as suas impressões!

#FALARENATO

Após anos de quedas e fracas narrativas, o gênero da ficção científica parece ter sido colocado de volta nos trilhos (ou no hiperespaço, vai saber). Nos últimos anos vimos filmes como Gravidade, Interstelar, Guardiões da Galáxia, (o ainda inédito por aqui) Ex-Machina, Sob a Pele (filme cult de Scarlett Johansson), o independente Sem Segurança Nenhuma e, logo logo, veremos os próximos capítulos de Star Wars, cada um deles trazendo novo fôlego – de formas diferentes – ao gênero. Esse também é o caso de Perdido em Marte, novo filme do veterano e lendário diretor Ridley Scott, baseado em um best-seller de Andy Weir, onde a trama é: um homem é dado como morto e fica preso em Marte, só que ele está vivo e a NASA precisa descobrir um jeito de trazê-lo de volta.

Apesar da premissa dramática, Perdido em Marte está bem longe de ser um drama, assemelhando-se muito mais ao tom (guardas as devidas proporções, evidentemente) de Guardiões da Galáxia do que ao tom sóbrio, científico, emocionante e grandioso de Interstelar por um simples motivo: Perdido em Marte é um filme com bastante senso de humor e isso quer dizer que sua mentalidade não é a de um filme feito para o Oscar e para as cabeças dos eleitores da Academia; é, na verdade, um blockbuster inteligente, divertido e empolgante.

Matt Damon no papel principal é simplesmente ótimo, com sua atitude de “ei eu estou preso em Marte mas vai dar tudo certo toma essa Neil Armstrong sou melhor astronauta que você”, confiando sempre que dará certo. Ou seja, no fim das contas, ele é um cara zuero que só quer realmente voltar para casa e vamos conhecendo seu personagem, Mark, pouco a pouco conforme ele nos conta sua história através de um diário filmado que ele mantem. Enquanto isso, na Terra e perdidos no espaço, os personagens de Jeff Daniels, Kristen Wiig, Chiwetel Ejiofor, Jessica Chastain, Michael Peña, Kate Mara, Donald Glover e até mesmo Sean Bean (será que ele morre? será que não? assistam), todos eles bastante competentes em suas interpretações, ainda que um pouco mal utilizados, tentam descobrir uma maneira de trazer Damon de volta para casa.

Contudo, entretanto, porém, todavia, acho que um dos pontos mais altos do filme é ver Ridley Scott – após uma década difícil de altos e baixos no cinema – mostrar que ainda tem uns bons truques na manga e que, como o personagem de Damon, não vai desistir assim tão fácil e, se possível, levando tudo numa boa. Sua direção é inteligente e sabe dosar bem os momentos cômicos, os momentos científicos, os momentos de adrenalina e suspense (acoplar sondas e compartimentos em uma nave espacial em pleno voo é sempre terrível, vide o próprio Matt Damon em Interstelar), trazendo um frescor e uma agilidade com a utilização de GoPros durante o filme, alternando planos rápidos e dinâmicos com planos estudados (a sequência em que uma foto de satélite se dissolve em movimento é incrível, demonstrando solidão e vastidão ao mesmo tempo).

Perdido em Marte não é o seu filme de Oscar, como eu disse acima, mas é um ótimo filme que realmente vale a pena ser visto, um blockbuster de outono ou coisa parecida que chega com força para conquistar um bom público sendo uma despretensiosa e realmente boa ficção científica, uma verdadeira nave especial cujo combustível são as músicas disco dos anos 80 e uma tendência a brincar com o gênero sempre com bom humor.

NOTA: 7,5

#FALACAIO

Adoro a experiência de entrar no cinema sem ter visto absolutamente nada relacionado ao longa que vou assistir. Talvez por causa da correria e do grande número de produções que assistimos na telona, seja difícil acompanhar as equipes de produção, ou até mesmo conferir um trailer dos filmes que aguardamos. E isso aconteceu comigo neste Perdido em Marte, novo filme de Ridley Scott. Não assisti a nenhum vídeo sequer. Minha única expectativa é que ele fosse parecido com Gravidade, de Alfonso Cuarón, para ser tão bom quanto. A má notícia é que o filme é completamente diferente do anteriormente citado. A boa, ele é tão eficiente em suas ambições quanto o filme estrelado por Sandra Bullock.

De cara, o ritmo aqui é outro. Os dez primeiros minutos são matadores. Não há tempo para contemplações, passeios de câmera no espaço – aqui é só adrenalina. Direto de Marte, uma tripulação da Nasa sofre com uma tempestade de areia, que os faz correr contra o tempo de volta à nave. O personagem de Matt Damon, Mark, porém, fica para trás após um incidente. Dado como morto, ele vai ter de escolher entre a conformidade de morrer naquele lugar, ou se empenhar sobre-humanamente para sobreviver.

Matt Damon está muito bem no papel do astronauta, em um daqueles papéis confiados a atores comprovadamente carismáticos e com boa performance dramática, como Will Smith em Eu sou a Lenda – visto que não é fácil segurar um filme sozinho na maior parte das cenas. Na Terra, um elenco de peso se reveza em papéis que, em algumas oportunidades, não se desenvolvem da melhor maneira possível, como o diretor da Cia interpretado por Jeff  Daniels – que às vezes se mostra apenas um homem MUITO irracional, às vezes como um homem ruim. Chiwetel Ejiofor, Jessica Chastain e Kirsten Wiig são os que mais se destacam entre os atores.

De volta à boa forma, Ridley Scott imprime um tom curioso para o filme. Em diversos momentos o riso é gerado de maneira genuína, ainda que o assunto tratado na tela seja extremamente angustiante. Para aumentar a empatia com o personagem de Damon, o roteiro se utiliza de gravações em um diário de vídeo do astronauta para conversar diretamente com o espectador. O recurso dá agilidade à montagem do longa, que, com mais de duas horas de duração, passa voando.

Com uma trilha sonora eficiente, formada a partir de sucessos dos anos 80, o filme faz uma alusão ao sucesso da Marvel Guardiões da Galáxia. A música acompanha os sentimentos do personagem, mas nunca serve de muleta sensacionalista para arrancar lágrimas dos espectadores.

O filme é um bem vindo retorno ao seu diretor. Angustiante, emocionante, cheio de suspense, engraçado e, principalmente, extremamente divertido. Não é o melhor filme do ano, mas, sem dúvidas, é um dos melhores e merece ser visto nos cinema, para que você aproveite o fator imersão na tela grande do cinema.

NOTA: 8.5

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