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É política da empresa que todos nós amamos nunca revelar os dados de consumo e visualização de suas séries e filmes, no mundo todo. Portanto, é bem capaz que nunca saibamos quantas pessoas ao certo realmente veem Narcos ou House of Cards ou BoJack Horseman (se você acha que ninguém vê, teje enganado: eu vejo) ou qualquer outra coisa que esteja no imenso catálogo da Netflix. Contudo, porém, entretanto, todavia, em certas ocasiões, o pessoal de lá libera alguns dados interessantes e hoje (dia 23 de setembro) eles lançaram algumas estatísticas interessantes: um compilado de dados explicando como as séries fisgam a gente.

Os dados dão conta de que, quando um determinado indivíduo chega a determinado episódio de determinada série, suas chances de terminar aquela temporada e prosseguir vendo as temporadas seguintes são bem maiores de quando as pessoas não chegam nesses episódios justamente pelo fato de que esses determinados capítulos possuem algum “gancho” narrativo ou reviravolta poderosos o suficiente para fisgar a gente e não soltar mais. É óbvio que, em uma primeira análise, isso pode parecer um tanto quanto desinteressante até porque você precisa não parar de assistir a temporada para terminar de assistir a temporada (nossa, até me enrolei). Mas, se vocês não se preocuparam com esse ponto, vamos ao que interessa.

É o seguinte: segundo os estudos dos empresários da empresa que todos nós amamos, quase nenhuma série fisga fãs através do piloto. Como fã confesso de Breaking melhor série de todos os tempos Bad, sempre fico bolado quando me dizem que DORMIRAM vendo o primeiro episódio: minha primeira reação é querer arrancar fora a cabeça das pessoas, mas eu não faço isso – se eu fizesse, estaria preso e não escrevendo aqui, claramente. Agora, com o estudo da Netflix em mãos, entendo que o episódio que fisga as pessoas não é o primeiro; é o segundo. E, como já mencionado anteriormente, isso acontece com várias grandes séries (How I Met Your Mother, Dexter, Mad Men, House of Cards entre muitas outras séries premiadas, consagradas e amadas pelo público, por exemplo). Mas, no fundo no fundo, o que isso quer dizer além de ser uma curiosidade interessante?

A Netflix não chegou onde chegou dando bobeira. A máxima é antiga, mas válida: camarão que dorme, a onda leva. A empresa que todos nós amamos está mais para a onda do que para o camarão pois liberar esses dados tem um motivo bastante específico: provar para as pessoas que a melhor maneira de ver séries é através do chamado binge-watching lá fora, a nossa já famosa e querida maratona, que também é o estilo de ser da Netflix.

Ao pesquisar vinte séries em 16 países e territórios distintos, eles nos lançam essas estatísticas para nos dizer que ei esqueçam essa maneira da idade da pedra de ver tevê e assinem a Netflix porque somos muito melhores e coisa e tal porque isso permite uma maior possibilidade que todos os episódios sejam vistos (ao serem liberados de uma vez só, ao invés de semanalmente), além de beneficiar o modelo de negócios da própria empresa com seus shows originais e também as séries produzidas pelas emissoras tradicionais, diminuindo as chances de cancelar séries só por causa de seus pilotos (considerando que esses não sejam realmente os episódios mais cruciais das séries, o que me parece ser um argumento realmente razoável e bem fundamentado).

Ainda, existe o argumento de que os criadores e os artistas tem mais liberdade na hora de produzir suas tramas, mas isso é assunto para outro dia, até porque essa briga entre as maratonas da Netflix e o modelo tradicional das grandes emissoras (o que dizer dos pilotos da HBO, por exemplo? É preciso prestar atenção nisso também) ainda vai durar muito tempo – além do fato de que a Netflix já já invade o mundo das telonas também, mais precisamente dia 16 de outubro com Beasts of No Nation. Por enquanto, vamos fazer o seguinte, uma promessa conjunta: quem aí não passou ainda do primeiro episódio de Breaking Bad, passa que eu aqui vou passar do primeiro episódio de Mad Men (que não rolou ainda para mim) e assim vamos seguindo, combinado?

Renato Furtado

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