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NOTA: 8Caio César

Chegando às telas do mundo inteiro no fim deste mês, este Hotel Transilvânia 2 poderia ser muito bem encaixado na categoria de sequências que ninguém fazia questão de assistir. Isso não significa que o filme original de 2012 seja ruim, ou que o filme não tenha sido um sucesso modesto de bilheteria, mas nada inspirava no espectador uma vontade de revisitar o mundo do conde Drácula e seus amigos monstruosos. Por sorte, às vezes Hollywood insiste em uma ideia, que acredita que poderá lhe dar lucro, e o resultado é bem sucedido. O novo filme de Genndy Tartakovsky é um desses casos.

Dando uma aliviada na maré de bombas que Adam Sandler tem estrelado (talvez o segredo seja que aqui ele não expõe a fuça na tela), o filme começa muito bem, estabelecendo uma passagem de tempo para os personagens – o que, logo, sinaliza uma guinada na história, ao invés de apenas repetir a fórmula do filme anterior. Sendo assim, somos apresentados à rotina dos agora casados Johnny e Mavis, que vivem no hotel administrado pelo lendário Drácula, pai da menina – vivido com uma doçura ímpar por Alexandre Garcia, na eficiente dublagem original. Aliás, a dublagem brasileira é um acerto. Utilizando expressões regionais brasileiras e até mesmo o termo “face” (como sua mãe fala) para se referir à rede social Facebook, a versão diverte e jamais soa acima do tom do filme.

Apostando nas gags físicas para provocar o humor, o filme também é muito bem sucedido no design de seus personagens, que sempre parecem ser resistentes à qualquer regra da física e da gravidade, já que não importam os seus tamanhos, sempre estarão aptos à praticar qualquer tipo de estripulia ou malabarismo com o corpo. Tudo isso funciona muito bem na lógica e no universo do filme, conferindo ainda mais charme aos monstrengos.

Para quem pode viver eternamente, o Drácula é até bem antenado ao mundo pop do século 21. A trilha sonora evoca à hits mundiais de Fifth Harmony, entre outros, para embalar as cenas. A parte negativa fica para o uso exagerado de eletrônicos da marca Sony, produtora do filme, pelos personagens. Embora parte da trama, as cenas com os equipamentos mais parecem esquetes publicitárias do que uma ação orgânica dos personagens.

Com uma história bobinha, mas muito humor e leveza, o filme diverte principalmente os pequenos, mas poderá ser bem digerido por quem não espera que toda animação tenha o peso emotivo de um Divertida Mente da vida. Vale o ingresso, vale a pipoca, vale o entretenimento. Nada mais.

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