Com a lista de nomeações dos filmes de cada país para o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro chegando cada vez mais perto de estar completa e já causando barulho no meio cinematográfico, isso também quer dizer que os filmes “não-estrangeiros” (aqueles falados em inglês, na maior parte de sua duração segundo as regras da Academia) começam a ganhar velocidade e força na disputa pelo maior prêmio do cinema mundial (segundo os próprios organizadores, é claro, sou mais o Festival do Rio). No caso de certos títulos, começa a ser ganhada uma certa distância em relação aos seus concorrentes.

Em Berlim, o mundo viu o mais recente filme do excêntrico e talentoso Terrence Malick, Cavaleiro de Copas – que parece contar com grandes atuações de Christian Bale, Cate Blanchett e Natalie Portman – e também o muito elogiado drama inglês, 45 Years (do pouco conhecido Andrew Haigh e que recebeu críticas muito positivas do The Guardian e do indieWIRE).

Já das terras francesas, mais precisamente do Sul da França, da glamourosa Cannes, vem títulos com muito potencial: o drama Carol de Todd Haynes com Cate Blanchett e Rooney Mara (cujas atuações foram imensamente elogiadas, principalmente a de Mara) interpretando um casal de mulheres que vivem um amor impossível nos anos 50; e, também, a nova adaptação – as duas versões anteriores são dos mestres Orson Welles e Roman Polanski – da melhor peça de Shakespeare (na minha opinião), Macbeth, dessa vez, assinada por Justin Kurzel e contando com dois dos atores mais talentosos de sua geração: Michael Fassbender como Macbeth e Marion Cotillard como Lady Macbeth (ambos estão bastante cotados para indicações ao Oscar).

Ainda de Cannes, vem o drama de ação Sicário: Terra de Ninguém sobre os carteis e o narcotráfico no México, estrelado por Emily casa comigo você também sua linda meu amor por ti não finda toma esse verso Blunt, Benicio Del Toro e Josh Brolin e realizado por Dennis Villeneuve, um dos meus diretores favoritos dos últimos tempos e o responsável por três filmes incríveis dos quais gosto imensamente: o maravilhoso Incêndios, o incrível Os Suspeitos (Prisoners com Jake Gylenhaal e Hugh Jackman) e a interessante adaptação de um romance do brilhante José Saramago, O Homem Duplicado. Completando o timaço “francês” vem Youth de Paolo Sorrentino (diretor de A Grande Beleza, vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2013), estrelado por Michael Caine e Harvey Keitel.

Agora, vamos para a Itália embarcar em uma gôndola e passear pelos canais de Veneza para conhecer um pouco mais dos possíveis concorrentes ao Oscar de Melhor Filme. Comecemos com Beasts of No Nation, novo filme de Cary J. Fukunaga, que dirigiu a surrealmente brilhante e premiada e incrível e sinistra e grandiosa primeira temporada de True Detective (com certeza uma de minhas temporadas favoritas de séries de todos os tempos, como vocês já devem ter percebido) e o bom drama Sin Nombre. Vale lembrar que Beasts carrega desde já uma certa polêmica.

O filme foi comprado para ser distribuído pela Netflix: isso que quer dizer que o filme será lançado apenas em algumas salas selecionados nos cinemas dos Estados Unidos (apenas para tornar-se elegível ao Oscar) simultaneamente ao lançamento mundial na plataforma da Netflix. Esse novo passo da empresa-favorita-de-todo-mundo piora a batalha entre os novos e os antigos modelos de produção e distribuição da indústria cinematográfica. E, uma pergunta: será que veremos o primeiro Oscar da Netflix? O filme parece ser bom, o diretor já se provou competente (tem um Emmy em sua estante, por True Detective), tem Idris Elba – um de meus atores favoritos, assistam a série Luther com ele – no papel de um “senhor da guerra” africano que treina crianças como o jovem Agu (papel do muito elogiado estreante Abraham Attah) para a guerrilha na selva. Beasts e a Netflix prometem causar barulho.

Ainda nos românticos canais de Veneza podemos encontrar Aliança do Crime de Scott Cooper, que conta a história de um dos maiores criminosos de todos os tempos dos Estados Unidos, Whitey J. Bulger, interpretado por Johnny Depp (que parece ter dado a volta por cima com esse papel, sendo imediatamente cotado para o Oscar), apoiado por um elenco de peso que possui nomes como Joel Edgerton e Benedict Cumberbatch. Para completar a escalação italiana vem Evereste de Baltasar Kormakur, drama de alpinismo com Josh Brolin e Jake Gylenhaal e que foi o responsável por abrir a 72ª edição do Festival. Ano passado, o filme de abertura foi Birdman e no anterior foi Gravidade. Será que esse ano a sorte também estará do lado do filme de abertura de Veneza? Só o tempo (e os concorrentes) poderão dizer o destino de Evereste.

Na parte 2 (porque isso aqui já tá ficando muito grande e daqui a pouco ninguém vai terminar de ler isso e eu mesmo já não tenho nem mais vontade de continuar nesse post por isso vem comigo pra parte 2 que vai estar menor, eu espero, com a ajuda dos deuses), os festivais de Telluride, Toronto e Nova Iorque.

Renato Furtado

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