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NOTA: 8,5 / Renato Furtado

LUZ!!! LIGUEM OS EFEITOS SONOROS!!! AÇÃO!!!

36 anos após o lançamento de um dos maiores álbuns de todos os tempos em toda a história do rock (e da música também), chega aos cinemas o complemento perfeito para essa obra-prima da banda Pink Floyd: o documentário/filme-concerto Roger Waters The Wall e o que eu posso dizer é que é visualmente incrível e emocionalmente de tirar o fôlego. O filme é estruturado intercalando cenas da turnê The Wall Live de Roger Waters – que durou três anos, de setembro de 2010 a setembro de 2013, passando inclusive aqui no Brasil, em Porto Alegre, Rio e São Paulo, além de ter passado por outras muitas e muitas cidades até se tornar a turnê de um artista solo com maior arrecadação e público da história, em números de 2013 – com cenas gravadas durante a viagem de Roger até o túmulo do pai que nunca chegou a conhecer propriamente, um soldado morto na Segunda Guerra Mundial (tema importante na trama do álbum).

O álbum The Wall é uma ópera rock. Isso quer dizer que todas as músicas, melodias, temas e letras possuem um mesmo objetivo comum: narrar uma história. No caso, é a história de Pink (um alter-ego de Roger Waters) que, após passar por problemas de abusos psicológicos na infância e na adolescência e após ser abandonado pelo pai, resolve construir um “muro” para se isolar do resto do mundo e da sociedade. E, como o filme é basicamente a documentação da turnê, é certo dizer que essa também é a trama do filme. No mais, não entrarei muito mais profundamente nessa narrativa porque demoraria muito tempo e daria muito pano para manga e isso pode ficar pra outra hora, quem sabe.

As cenas que vão complementando as cenas do show (que é o melhor show que eu já na vida, sem sombra de dúvidas) são incríveis pois nos colocam dentro da cabeça do gênio Waters atualmente. Enquanto as imagens e as músicas do show vão rolando, nos trazendo o Roger Waters daquela época (autobiográfico, The Wall é de 1979), as novas e belíssimas imagens capturadas pelos dois diretores e pelo fotógrafo Brett Turnbull (especialista em fotografar filmes-concertos) nos levam para um belíssimo passeio em meio à solidão, ao desespero, à opressão, ao abandono, ao isolamento, às memórias, ao amor, à superação e à esperança, a vontade de vencer, no fim das contas, a vontade de derrubar os muros interiores.

Contando com uma ótima introdução de Liam Neeson e com uma cena pós-créditos divertida que reúne Waters e Nick Mason (baterista do Pink Floyd) para uma sessão de perguntas e respostas, Roger Waters: The Wall é um filmaço, trazendo um antigo álbum (mais atual do que nunca em tempos de apartheids em terras brasileiras e guerras e a situação crítica dos milhões de refugiados em todo o mundo) com um frescor novo e provando que The Wall é um álbum imortal, uma narrativa imortal e uma grande e verdadeira obra de arte do século vinte, uma que todos deveriam ver e ouvir, com certeza.

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