NOTA: 7,5 / Renato Furtado

Uma das melhores mostras desse ano no Festival do Rio, com toda a certeza, é a ótima, ainda que breve, retrospectiva da produtora Studio Ghibli, os estúdios responsáveis por todas as maiores animações japonesas dos últimos tempos e que trouxeram ao mundo filmes inesquecíveis e diretores consagrados. E, como toda boa mostra, a seleção de filmes apresentada no Festival do Rio vai até os primórdios e à época da criação do estúdio para nos trazer o segundo filme do brilhante, genial e um dos maiores diretores japoneses de todos os tempos, Hayao Miyazaki: Meu Amigo Totoro.

A animação conta a história de duas meninas que se mudam com o pai para o interior do Japão, enquanto esperam o retorno da mãe, internada em um hospital próximo à casa nova da família. Contudo, na vizinhança, correm boatos de que a casa e a floresta que fica logo atrás desta podem ser mal-assombradas e as meninas descobrirão segredos de seu novo lar que mudarão suas vidas para sempre. A sinopse já nos faz antever o quão delicada e singela é essa trama, mas Miyazaki, sempre com sensibilidade, vai além.

Através de seu traço bonito, sofisticado sem deixar de ser popular, o diretor cria imagens que, mais de 25 anos depois, continuam no imaginário dos cinéfilos do mundo inteiro, tão vivas como se tivessem sido vistas pela primeira vez atualmente (com o passar dos anos, Meu Amigo Totoro tornou-se, praticamente, um filme cult, dando espaço para o surgimento de uma enorme quantidade de produtos licenciados e outros nem tão licenciados assim que vão desde canecas à camas desenhadas em formato do espírito da floresta, Totoro).

Grande parte desse mérito e dessas conquistas vem, justamente, da doçura que é o filme, como um todo. É um deleite acompanhar as aventuras e desventuras das irmãs Satsuki e Mei Kusakabe nos faz querer acreditar em contos de fadas, em histórias incríveis, em um universo inteiro de magia e fantasia onde tudo pode dar certo, onde a força que o querer e o acreditar possuem são maiores que o tempo e que a realidade, nem sempre tão boa assim.

E, na verdade, é extremamente difícil não acreditar em Miyazaki e em suas poderosas imagens. Lanço aqui um desafio para vocês: vejam Meu Amigo Totoro e tentem não se encantar, tentem não ter o coração aquecido, tentem não acreditar. Eu duvido que vocês consigam e, na verdade, torço para que vocês percam o desafio e que voltem a ser crianças, mesmo que por um tempo curto, que voltem a crer na magia e que tudo vai dar certo. Vale a pena acreditar e ver esse filme.

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