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NOTA: 6,5 / Renato Furtado

Catorze anos após seu último filme nas telonas, Peter Bogdanovich, diretor indicado duas vezes ao Oscar, retorna aos cinemas com seu novo filme Um Amor a Cada Esquina (estrelado por Imogen Poots, Owen Wilson, Rhys Ifans, Jennifer Aniston, Will Forte e Kathryn Hahn, além de uma incrível e divertida participação especial de Quentin Tarantino como Quentin Tarantino), uma comédia de encontros e desencontros amorosos passada em Manhattan, que envolve um dramaturgo, atores e outros tipos de artistas e nova-iorquinos divertidos e peculiares.

Sim, a princípio, Um Amor a Cada Esquina parece uma trama criada por Woody Allen e, realmente, assemelha-se em muitos pontos às narrativas do mestre de Nova Iorque. Além dos elementos anteriormente citados, encontramos nesta película um tom, um estilo dos filme antigos, da década de 60 e 70. O ritmo, a trilha sonora, as longas caminhadas e as hilárias discussões entre os personagens, tudo remete à uma época específica do cinema e de Nova Iorque (apesar do filme se passar nos tempos atuais), quase como uma homenagem ao passado da arte e da cidade ainda vivo em nossos tempos.

Outro trunfo do filme está na atuação. Como veterano do cinema, Bogdanovich sabe retirar de seus atores as melhores e mais cômicas performances possíveis, principalmente de Poots, Hahn e Aniston (que interpreta uma terapeuta neurótica), as duas incríveis em suas interpretações, uma em cada polo do espectro dinâmico da divertida loucura do filme que contagia e envolve todas as situações e todos os personagens – a narrativa gira em torno de uma peça dirigida pelo personagem de Wilson e escrita pelo personagem de Forte que acaba reunindo todos os seis personagens principais, de uma forma ou de outra, apagando as linhas entre a peça e a realidade do filme, que vão se misturando aos poucos no decorrer da trama.

Agora, no entanto, é a hora em que vocês me perguntam: mas o que será que degringolou o filme todo? Eu explico. Todos os desencontros estruturados no roteiro parecem vazar na montagem e na arquitetura como um todo do filme e o resultado final é mais um filme um tanto quanto bagunçado do que um filme realmente bem pensado, um filme que acaba perdendo uma grande oportunidade e um grande potencial de encantar ainda mais os seus espectadores ao deixar de se aprofundar na memória e no passado da sétima arte (a intertextualidade com o filme Cluny Brown do gênio da era de ouro, Ernst Lubitsch, poderia ser melhor explorada), de fato, enrolando-se nos personagens que começam a entrar em cena, um atrás do outro, em uma velocidade mais rápida que o próprio filme consegue gerenciar e aguentar.

De qualquer forma, fora o fato de que o filme não é tão bom quanto poderia/deveria ser e apesar de nos confundir além da conta em certos momentos quando as piadas não caem tão bem em cena e quando acredita possuir uma narrativa muito mais inteligente do que realmente tem, Um Amor a Cada Esquina ainda assim consegue divertir e nos entreter.

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