FAR FROM THE MADDING CROWD - 2015 FILM STILL - Pictured: Matthias Schoenaerts as

NOTA: 7 / Renato Furtado

Após o filmaço, o brilhante, o sensacional A Caça – contando com o trabalho genial de Mads Mikkelsen – em 2013, a pergunta era: qual será o próximo projeto do dinamarquês (para mim o melhor diretor do país, não quero nem saber de Lars Von Trier) Vinterberg? A resposta não demorou muito e o projeto escolhido foi realizar uma nova adaptação – a primeira versão é de 1967 – do romance Longe Deste Insensato Mundo, escrito por Thomas Hardy. A primeira versão do filme, que conta a narrativa de Bathsheba Everdene, uma mulher que acaba herdando uma grande quinta de seu tio e precisa, em meio ao mundo comandado por homens, prosperar e comandar uma fazenda, enquanto lida com os amores de três homens diferentes: o fazendeiro Gabriel Oak, o milionário William Boldwood e o rebelde sargento, Frank Troy.

Não vi a primeira versão, tampouco li o livro, mas posso dizer com segurança: a versão de Vinterberg é muito boa pelo simples fato de que é um bom filme. Simples, bem construído, pensado cuidadosamente através de uma boa direção de arte e estruturado sobre um estilo de fotografia naturalista muito inteligente que usa os tons de dourado e de azul  e de preto dos céus, conforme a hora do dia, a versão mais recente de Longe Deste Insensato Mundo é realmente um bom filme.

Ajuda bastante, é claro, ter um diretor como Vinterberg no comando, um cineasta que sabe organizar seus atores e suas sequências, escolhendo belos planos, contudo, porém, entretanto, todavia, é ainda melhor quando você tem o quarteto de protagonistas deste filme. Como Bathsheba temos a incrível Carey Mulligan (cotada para um Oscar de melhor atuação por Sufraggette) que aqui sabe dosar com talento tanto a fragilidade quanto a firmeza e a coragem de sua personagem, desbravando um mundo hostil para as mulheres (apesar de estar falando de 1870, poderia muito bem ser 2015) com força e determinação. Gabriel Oak, seu primeiro e mais fiel pretendente é interpretado pelo também ótimo Matthias Schoenaerts (ovacionado longamente e de pé em Cannes junto à Marion Cotilllard por suas atuações no belíssimo Ferrugem e Osso), quieto, humilde e apaixonado, contraparte direta do personagem Frank Troy, interpretado por Tom Sturridge, inquieto, violento, explosivo, perigoso. Ainda, para completar o trio de pretendentes vem Michael Sheen, ferido, sensível, elegante e charmoso como o fazendeiro Boldwood, dono da maior quinta da região.

Portanto, se encontrar um tempo em meio a agenda incrivelmente boa e lotada do Festival do Rio, vá conferir Longe Deste Insensato Mundo, um romance protagonizado por uma personagem feminina forte, frágil, independente e real que nos faz querer ver mais personagens assim, que nos faz torcer pelo melhor, que aquece o coração e que nos faz acreditar que vai ficar tudo bem, coisa que, no fim das contas, é o que importa.

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