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NOTA: 7 / Renato Furtado

Um dos fatores interessantes de acompanhar uma mostra que apresenta vários filmes de um mesmo diretor é que você pode ver, em um curto espaço de tempo, a evolução de anos de trabalho na carreira e na filmografia desses artistas. Com Hayao Miyazaki não foi diferente e com a ótima mostra dos Studios Ghibli ocorrendo no Festival do Rio neste ano, fica bem mais fácil para acompanharmos esse incrível processo de estabelecimento de uma das maiores lendas do cinema dos últimos anos. Seguindo a linha do tempo, após Meu Amigo Totoro (nossa resenha aqui), o Festival do Rio nos traz a encantadora e romântica aventura, Porco Rosso: O Último Herói Romântico que conta a história do personagem-título, Porco Rosso, um veterano da Primeira Guerra Mundial e lendário aviador na época da Segunda Guerra Mundial que precisa despistar os fascistas italianos (o filme se passa na Itália) e os Piratas do Céu, todos em sua cola, além do fato de lidar com uma estranha maldição que acabou transformando Porco em um… porco.

A vida de Porco Rosso é um tanto quanto complicada. Atuando como um caçador de recompensas, ele não pode mais colocar os pés na Itália por ter desertado a Força Aérea Italiana quando ainda era humano e ser, consequentemente, procurado pelas forças fascistas de Mussolini na época. Além disso, os Piratas do Céu querem sua cabeça por acabar com todos os seus roubos. Adicione a isso tudo a inquebrável maldição e uma rivalidade com um piloto americano recém-chegado ao límpido Mar Adriático e temos Porco, um recluso, vivendo isolado, solitário, distante de seu passado e das pessoas que amava (principalmente Gina, a bela dona e cantora do Hotel Adriano, situado no meio do mar).

Quanto mais Miyazaki nos leva para acompanhar as aventuras de seus heróis, mais nos encantamos com esse peculiar, encantador e “durão” personagem. As imagens criadas aqui por Miyazaki são prova de um grande amadurecimento artístico, carregadas de enormes habilidade e beleza, colocando tanto os espectadores na narrativa que é como se voássemos e lutássemos junto com o improvável herói, por quem torcemos constantemente em meio à trilha sonora, ora circense, como se vinda diretamente de um filme de Fellini, ora romântica, delicada, triste e nostálgica, sentimento este que está presente durante toda a narrativa, uma vez que o romantismo dos primórdios da aviação é um dos temas favoritos do diretor (Miyazaki explorou o tema novamente em Vidas ao Vento, seu último filme), além do próprio romantismo inerente ao caráter de Porco, um homem (ou um porco, no caso) honrado e corajoso, um verdadeiro herói.

A verdade é que Porco Rosso não possui a mesma poesia ou potência que outros filmes do japonês possuem, como o próprio Totoro ou Viagem de Chihiro, mas é, definitivamente, um bom e divertido filme, cheio de grandes, empolgantes e belos momentos que nos fazem voar em instantes e sequências leves e divertidas de aventuras, nostalgias, memórias e romantismos dos grandes heróis e heroínas do cinema.

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