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NOTA: 8 / Renato Furtado

Diretamente da mostra Studio Ghibli (o famoso estúdio japonês de animação que revolucionou o mundo do cinema através das mentes de gênios criadores como Hayao Miyazaki), surge esse famoso filme, Túmulo dos Vagalumes de Isao Takahata (segundo filme do estúdio, produzido em conjunto com Meu Vizinho Totoro) que narra a história de dois irmãos, Seita e Setsuko, que precisam sobreviver sozinhos em meio aos bombardeios americanos em solo japonês durante o final da Segunda Guerra Mundial, antes da rendição final dos nipônicos.

Desde seu título, é possível perceber que Túmulo dos Vagalumes é um filme trágico e poético e as primeiras imagens que o genial diretor Takahata nos apresenta (ele faz uma pequena aparição no filme, quase no final, no consultório de um doutor que atende a irmã de Seita) apenas vem para comprovar essa natureza da trama. Da equipe de animadores (que até os dias de hoje não consegue se lembrar em quais dos dois filmes do período trabalharam, Túmulo e Totoro), apenas o diretor é um sobrevivente de bombardeios, portanto, sua experiência o credencia para narrar essa película da forma que faz: sensivelmente, com extremo cuidado e paciência nos momentos de desenvolver e desvelar o cotidiano de dois irmãos perdido em um país psicologicamente abalado até suas estruturas mais fundamentais – principalmente em questão à honra japonesa, elemento fundador deste povo oriental.

Com um talento para criar imagens que parecem grandes obras de arte, magníficas telas que poderiam estar nos maiores e melhores museus do mundo, uma após a outra, indo da extrema inocência da brincadeira infantil ao puro terror das cidades e dos corpos queimando em meio à guerra, Takahata e sua equipe através da animação e dos sentimentos produzidos por suas cores e também pela trilha sonora marcante e bem utilizada, adaptam e canalizam de maneira competente o conto homônimo – e todo o sentimento presente na história – no qual o filme foi baseado, lançando e colocando o Studio Ghibli (na época, recém-nascido) em um patamar especial na história do cinema.

Túmulo dos Vagalumes é considerado, hoje em dia, nas palavras do maior crítico de todos, o mestre Roger Ebert, como um dos melhores filmes de guerra já feitos e com toda a razão. Por isso, por ter ajudado a revolucionar a forma como as animações são vistas e por simplesmente ter feito um filme incrível, Isao Takahata merece todos os créditos.

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