Ok, ok, vocês vão me dizer que hoje é segunda e não sábado e que eu falei que a coluna ia ser aos sábados. Mas, se liguem no seguinte: em algum lugar do mundo, com certeza, ainda é sábado (creio eu). Mesmo que sábado já seja coisa da semana passada, vamos ficar com uma lição da Bela Gil: vocês podem substituir essa desculpa pela desculpa do horário de verão ou pela desculpa do fui comer um hamburguer e não consegui voltar a tempo de fazer o ENEM e essa lista, por exemplo. Contudo, entretanto, porém, todavia, vamos ao que interessa: os cinco filmes dessa semana são cinco filmes recentes que vocês provavelmente não viram (e se já viram, é só rever porque é só filme bom!) e é claro que todos estão lá na empresa que todos nós amamos. Então vamos que vamos

Rush – No Limite da Emoção

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Vi esse filme casualmente, no meio de um ano qualquer, no meio de uma tarde qualquer, sem esperar muito. Confesso que fui mais para passar o tempo no cinema, pretendia ver um outro filme mais à noite, no mesmo dia. Conclusão: minha memória não guardou o filme que eu queria ver, mas sim esse belíssimo filme dirigido pelo ótimo Ron Howard (Frost/Nixon e Uma Mente Brilhante) que conta a história da célebre rixa, da ferrenha competição entre dois dos maiores pilotos da história da fórmula 1: James Hunt (Chris Thor Hemsworth) e Nikki Lauda (Daniel Brühl em uma atuação sensacional). O resultado é praticamente um filme de aventura de tirar o fôlego (a trilha sonora assinada pelo genial Hans Zimmer e a fotografia de Anthony Dod Mantle, fotógrafo famoso pelo trabalho em Quem Quer Ser um Milionário? e 127 Horas, contribuem para os grandes níveis de tensão e adrenalina colocados no filme), com Howard nos colocando no nível da pista, dentro dos velozes veículos da fórmula 1, praticamente correndo junto com os carros dos dois personagens em uma narrativa incrível e clássica. Um filme realmente e surpreendentemente bom, bem dirigido, produzido e interpretado e que, infelizmente, não recebeu a atenção devida na época do seu lançamento, pelo menos aqui no Brasil.

Confusões em Família

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Uma família desfuncional encontra várias confusões quando um (ou mais de) seu(s) membro(s) embarca em uma jornada pessoal de auto-descobrimento (se é auto é pessoal não é? isso foi um pleonasmo?) e rimos bastante com seus problemas e coisa e tal. Ok, essa sinopse pode ser colocada em, basicamente, um zilhão de filmes da década passada, época em que as chamadas dramédias (eu já falei que odeio esse termo?) ou as comédias dramáticas independentes começaram a se popularizar (o maravilhoso Pequena Miss Sunshine é, provavelmente, o melhor e mais famoso exemplo), atraindo a atenção de grandes estúdios, atores e até mesmo da Academia. Confusões em Família é um filme que compartilha dessa sinopse, mas que possui uma trama divertida, surpreendente e cheia de personagens enrolados o suficiente para ser um filme que vale a pena ver. Produzido e estrelado por Andy Garcia, o filme conta a história do personagem de Garcia, um agente prisional americano, que descobre ter um filho perdido que é um ex-presidiário e enquanto tenta se aproximar de sua cria recém-descoberta, precisa lidar com os seus problemas e os problemas de sua família. Uma boa comédia, recheado de um humor inteligente (uma pitada de humor negro não faz mal a ninguém) e estranhamente divertido.

Um Método Perigoso

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Os filmes de David Cronenberg, todos eles, entram em algum ponto ou nível da escala da loucura. Não sou grande fã dos trabalhos dele, mas gosto particularmente de sua fase com Viggo Mortensen, que rendeu três bons filmes: Marcas da Violência, Senhores do Crime e este Um Método Perigoso. Enquanto os dois primeiros filmes tratam muito mais da violência física propriamente dita, Um Método Perigoso embarca na violência psicológica (que muitas vezes até dá vazão à violência física, evidentemente) e centraliza sua narrativa na relação entre os dois maiores personagens da história da psicanálise: Sigmund Freud (brilhantemente interpretado por Viggo Mortensen) e Carl Jung (ótima e firme atuação de Michael Fassbender, que ajudou a firmar o ator como a estrela que ele está vindo a ser tornar atualmente). Em uma trama cheia de tensão e suspense, os dois psicanalistas precisarão tratar do caso peculiar de Sabina Spielrein (papel de Keira Knightley, em uma incrível e bem trabalhada performance), resultando em um drama bem forte e bastante inteligente.

50/50

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Eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, chegaria a hora de falar sobre um dos meus filmes favoritos e assim que comecei a escrever esse post percebi que seria muito mais difícil do que eu imaginava. Provavelmente o filme mais conhecido dessa lista, 50/50 é uma comédia dramática sobre um cara de apenas 27 anos (Joseph Gordon-Levitt) que descobre ter câncer e, consequentemente, 50% de chance de viver. Esse é um dos filmes que dão motivo para os meus amigos dizerem que eu não tenho coração; em toda minha vida, só me lembro de ter chorado – chorado mesmo, choro heavy metal, não de só encher o olho de lágrima – em apenas 3 filmes: em Toy Story 3, em Divertida Mente e em 50/50. Para quem não viu esse filme, apenas digo para largarem tudo e correrem para ver imediatamente. E para aqueles que já viram, a recomendação é a mesma. Um filme realmente divertido, emocionante, que tem Anna Kendrick, também conhecida como o amor da minha vida e que está na minha lista de filmes favoritos, bem lá no topo (qualquer dia coloco por aqui a resenha sentimental que eu fiz desse filme na época que eu vi).

A Vida dos Outros

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Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2007, A Vida dos Outros é o filme mais velho e o mais desconhecido dessa lista (muito provavelmente por ser um filme alemão mesmo). Durante os últimos anos da Guerra Fria, um agente da polícia secreta recebe a missão de espionar e vigiar um escritor e sua esposa através de escutas. O problema é que quanto mais tempo passa ouvindo os dois, mais imerso na vida de seus alvos, o agente fica. Um filme aparentemente suave, mas que possui uma tensão, um estado de nervos, um alarme constante por baixo da sua aparente tranquilidade, um drama um pouco mais lento e não tão simples, mas um grande filme que vale a pena ser visto. Destaque para a ótima fotografia e para a direção competente de Florian Henkel von Donnersmarck (também diretor de O Turista, com Johnny Depp e Angelina Jolie).

Por hoje é só e até a próxima.

Renato Furtado

PS: Não, eu não chorei vendo Marley & Eu e nem Up. Beijos e abraços.

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