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Por Caio César / NOTA: 5

Zumbis, os populares mortos-vivos, são uns dos personagens mais característicos da cultura POP do século 21. Seja na série The Walking Dead, nos filmes Zumbilândia , o sucesso de bilheteria de Guerra Mundial Z, ou nos exemplares menos badalados de George A. Romero, mestre do gênero, como Terra dos Mortos, as criaturas parecem estar em todos os lugares. Eles retornam à telona neste novo Como Sobreviver a um Ataque Zumbi, comédia politicamente incorreta e irreverente que chega aos cinemas de todo o Brasil nesta quinta.

O filme estreou há cerca de três semanas nos Estados Unidos, onde sofreu um boicote por parte do circuito exibidor e flopou nas bilheterias ianques. Isso tudo porque, testando um novo sistema de estreia, a Paramount Pictures, produtora e distribuidora do filme lá nos EUA e aqui no Brasil, divulgou que disponibilizaria o filme em sua plataforma On Demand apenas 17 dias após a estreia do filme nos cinemas. Revoltadas com a decisão, as grandes cadeias de salas exibidoras decidiram por boicotar o filme, que estreou em circuito muito reduzido.

Não chega a ser uma pena, já que parece que o vídeo é realmente o lugar certo para esse terrir adolescente, cheio de piadas grosseiras que, se não fazem gargalhar sempre, divertem na medida do possível. O filme conta a história de três amigos escoteiros que, em uma noite especial para o clube, são surpreendidos com a proliferação de um vírus que transforma as pessoas em zumbis comedores de cérebro. O elenco é uniformemente limitado e está à serviço dos personagens estereotipados que são abundantes nas produções juvenis americanas. Tem o heroi que se acha distante do ideal para a menina que ama, o pervertido, o loser, a gostosa descolada… Nas escolas americanas parece que só não tem negro, pobre, entre outros.

O diretor Christopher Landon, que dirigiu o recente Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal, e que roteirizou outros filmes da série, parece tentar emular o efeito de Zumbilândia, outro filme de zumbi com temática jovem – mas muito mais bem sucedido em suas críticas, piadas e no roteiro. Aqui, um fiapo de histórias obriga os personagens à se deslocarem fase por fase – sem que o espectador compreenda de fato o escopo da aventura, já que nunca vemos os zumbis tomando a cidade, os ambientes, as famílias. Parece que, destinado apenas para os jovens, esses fatores não são importantes.

Com algumas cenas tão absurdas que provocam um riso quase nervoso, o filme é inofensivo. Funciona como um grande passatempo, mas não sobrevive muito tempo depois do efeito das gracinhas. Não se sabe se esse, por exemplo, era o intuito primário do projeto. Se for, ele é um trunfo. Como cinema, entretanto, parece estar meio morto, como seus personagens principais.

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