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Este post faz parte do especial Oscar 2016: Apostas C2M para melhor animação. 

NOTA: 7 / Renato Furtado

Anna é uma jovem que não consegue se conectar bem com os outros jovens de sua idade. Ela não se sente bem consigo mesma e chega a se odiar em alguns momentos. Para piorar, seus ataques de asma estão cada vez mais fortes e frequentes. Como uma forma de tentar ajudar a menina de alguma forma, a mãe adotiva de Anna a envia para um vilarejo rural do Japão, para que a jovem passe uma temporada de verão na casa de tios, um local calmo, sossegado e bem arejado que pode lhe fazer bem. É assim que começa a viagem de Anna na bela e agridoce narrativa de As Memórias de Marnie (também conhecido no Brasil como Quando Estou com Marnie), adaptada e dirigida pelo veterano animador dos Studio Ghibli, Hiromasa Yonebayashi (que supervisionou a animação do clássico A Viagem de Chihiro).

Com os já tradicionalmente belos traços característicos da maioria das animações japonesas e principalmente do trabalho sempre excepcional entregue pelo Studio Ghibili, As Memórias de Marnie não é um filme exatamente inovador ou surpreendente. Seus acertos e méritos passam longe do campo das surpresas e de coisas frescas e novas; não, os triunfos do filme vão muito mais pelo lado seguro e sempre sombreado de histórias que já vimos por aí: não se enganem, As Memórias de Marnie é um filme onde uma pré-adolescente que não se dá muito bem consigo mesma passa um verão longe e sua vida muda. Essa fórmula é antiga e o cinema americano já a explorou à exaustão. A diferença é que aqui essa fórmula é bem aproveitada.

Através de um bom trabalho extraído de seus dubladores, o diretor Yonebayashi monta seu filme com bastante delicadeza e respeito pelas jornadas e desejos de seus personagens e sua narrativa tem sucesso justamente pelo fato de que Yonebayashi compreende seus personagens, compreende seus anseios, seus medos e deixa a trama fluir sutilmente para onde ela deve fluir. Se faltam grandes viradas de roteiro, grandes pontos de surpresa na trama, resta aos momentos agridoces o trabalho de encaminhar o filme. As Memórias de Marnie é um filme sobre abandono, amizade, amor, perdão, segundas chances e redenção dos personagens para consigo mesmos.

Ora dramático – o filme certamente pode te levar as lágrimas -, ora fofo e divertido, As Memórias de Marnie é um bom “último” filme do Studio Ghibli – que parece estar prestes a entrar em um hiato de duração indefinida – justamente por ser algo que já vimos, onde o real ponto de virada, onde a real reviravolta é ver o jeito com que a história é contada, exatamente do mesmo jeito que sempre foi desde os primeiros lendários filmes do grupo: de uma forma apaixonada, bem humorada, objetiva, triste, sonhadora, real e fantástica; tantos adjetivos que só mesmo a vida para conter em toda sua grandeza.

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