bingbong-insideout-xlarge

Este post faz parte do especial Oscar 2016: Apostas C2M para melhor animação. 

NOTA: 10 / Por Caio César

Durante algum tempo, Renato e eu discutimos sobre o sistema que iríamos usar neste site para conferir notas aos filmes dos quais fizéssemos resenhas. Decidimos então usar números de 1 a 10, e não estrelas, como a maior parte dos sites que acompanhamos. Desde então, não tive a oportunidade (quiçá jamais terei) de dar 0 para alguma produção. Mas eis que para este Inside Out (no original) me vejo obrigado a empregar a nota máxima.

Há muito uma animação não me tocava tanto. Talvez este gap tenha uma data: desde Toy Story 3, também da Pixar, um dos maiores filmes do ano em que foi lançado. Desde então, a empresa que era conhecida por jamais entregar projetos menos que ótimos, deu umas vaciladas com os insossos Carros 2, Valente e Universidade Monstros (gente, me doi falar isso porque eu sou o maior fã do filme original, mas esse é beeeem chatinho).

Eis que, quando tudo parecia perdido, surge este Divertida Mente! E tudo é sensacional. A começar pelo roteiro, escrito por Pete Docter e mais dois colaboradores, que é uma mistura de ideia mais que original com conceitos da psicologia que juntos resultam em um diálogo íntimo e mais que tocante para o espectador. A história em si é bem simples. Riley é uma menina que se vê obrigada à mudar de sua casa e cidade natal para acompanhar a trajetória profissional dos pais.

Poderia ser um filme normal de amadurecimento, mas nós somos levados para dentro da mente da garotinha, onde conhecemos as suas emoções – seres com personalidades que controlam toda a engenharia sentimental da mocinha. São eles: Alegria, Tristeza, Nojinho, Medo e Raiva. Quando algo dá errado, Alegria e Tristeza terão de consertar o que causaram antes que todos os sentimentos de Riley fiquem comprometidos.

Uma grande fábula sobre autoconhecimento e personalidade, o filme é, além de tudo, visualmente deslumbrante. Em uma das sequências, uma das mais ousadas da história do estúdio, os personagens sofrem mudanças em suas estruturas corporais – assumindo formas inspiradas por diversas vertentes do mundo da arte. O design dos cenários também é muito eficaz em sua estratégia de fazer tudo parecer um grande sonho.

E se nos aspectos técnicos tudo em Divertida Mente é sensacional, é quando o filme para investir no drama interno da personagem que todos os espectadores são fisgados. E não tem como não falar do personagem Bing Bong, amigo imaginário de Riley quando menor, que vive esquecido nos cantos de sua mente, mas que ainda mantém seu amor por sua melhor amiga. Todas as cenas do elefante são sensacionais, culminando em um clímax de fazer vergonha à muitos filmes live-action por aí.

Um dos melhores filmes do ano, Divertida Mente é, sem dúvida nenhuma, o vencedor da categoria no Oscar 2016. Difícil será para a Pixar continuar no embalo com a próxima estreia: “O Bom Dinossauro”. Até lá, vamos nos relembrando da genialidade do estúdio que fez parte da nossa infância, mas que ainda agora insiste em nos fazer lembrar que crescer é uma tarefa difícil demais para ser encarada sozinho. Sempre precisaremos descansar com um pouco de Pixar.

Anúncios