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NOTA: 6,5 / Esperanza Mariano

Acho que 2015 no cinema pode ser resumido como um ano de altas expectativas e muitas decepções no universo cinematográfico. Foram prometidos filmes e adptações magníficos, com trailers e jogadas de marketing que deixaram o público ansioso e cultivando grandes esperanças. Mas, infelizmente, não foram muitos os filmes que cumpriram essas promessas.

Dirigido por  Paul McGuigan, Victor Frankenstein é mais uma adaptação do clássivo livro inglês. Seu diferencial? Contar a  história de Victor (James Mcavoy), e não o monstro que ele criou, a partir do ponto de vista de seu assistente Igor (Daniel Radcliffe). A proposta parece ser interessante e nos primeiros minutos de filme realmente acreditei que fosse funcionar. O relacionamento entre Igor e Victor é bastante convincente: Mcavoy e Radcliffe trabalham muito bem juntos, em uma sincronia satisfatória, que agrada o espectador. Suas atuações também merecem destaque. Para Daniel, nos primeiros 30 minutos de filme. Seu personagem, corcunda, exigia certo esforço físico e ele cumpriu seu papel de maneira quase impecável. E James interpreta o médico louco e obssessivo com facilidade. Sua atuação é um dos pontos altos do filme, mas não demora para a história começar a ficar bagunçada e cheia de inconsistências.

O roteiro de Max Landis começa promissor, mas não demora muito para se tornar confuso e repleto de ideias que não tiveram tempo e atenção suficiente para se desenvolver. Foram jogadas várias informações, mas não senti que alguma delas realmente foi explicada devidamente. O papel de Lorelei (Jessica Brown Findlay), interesse amoroso de Igor, é um tanto quanto desnecessário. E o policial Turpin (Andrew Scott), que tem uma apresentação intrigante, é esquecido em meio a tantas invenções. O desenvolvimento do personagem e sua história não acontece em momento algum.

O destaque do longa vai mesmo para a parte visual, feita com maestria. As imagens chegam a ser hipnotizantes, uma mistura de beleza e horror que deixam o espectador com os olhos vidrados na tela do cinema. Outra estratégia que aparece com frequência, é a mistura de elementos gráficos e ilustrações, técnica também utilizada por McGuigan na adpatação da BCC de Sherlock Holmes. Inclusive, para os que acompanham a série, é impossível não identificar grande semelhança nos dois trabalhos do diretor.

Victor Frankenstein poderia ter sido um filme bacana, mas pecou com inconsistências em seu roteiro e se perdeu na própria grandiosidade e ambição.

 

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