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Mais um sábado chegando e mais um apanhado de previsões para o Oscar. Dessa vez, decidimos dar uma olhada na categoria de Melhor Filme Estrangeiro (estrangeiro em relação aos americanos, claramente), uma categoria que comporta filmes que são falados majoritariamente em uma língua diferente do inglês e que ajudou a apresentar e a estabelecer nas mentes dos cinéfilos de todo o globo filmes maravilhosos que contrariam tudo o que conhecemos como o cinema mais tradicional (leia-se cinema industrial de qualquer nacionalidade feito como se fosse um produto qualquer; sim, estou falando com vocês filmes de comédia, ação e terror feitos em duas semanas ou coisa parecida).

Seja por temáticas diferentes ou por maneiras narrativas inovadoras, os filmes “gringos” são um verdadeiro colírio para os olhos, alimento para a mente e uma alegria para o espírito. Vindos de uma miscelânea inacreditável de nações do mundo todo, vamos aos cinco filmes que possuem as maiores chances de entrarem no corte final da Academia.

5) O Quinto Jogador

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Todo ano, a competição nessa categoria é muito acirrada. Enquanto as primeiras colocações costumam ficar claras no decorrer do ano, as últimas posições na lista são preenchidas por um borrão. É isso que dá ter mais de oitenta filmes concorrendo por cinco vagas (podia ser pior, já que os indicados para a categoria dos documentários virão de uma lista de 124 filmes submetidos). Como temos que apostar – ao invés de colocar todos os trocentos filmes maravilhosos que estão na briga -, ficamos com O Clube (cuja resenha você pode encontrar aqui), o representante chileno que marca o retorno de Pablo Larraín na categoria (depois do ótimo No nos idos de 2012). Motivos pelos quais selecionamos O Clube: 1) é um ótimo filme; 2) Pablo Larraín é um dos grandes diretores da atualidade; 3) AMÉRICA DO SUL REPRESENTANDO!

PS: Também podem entrar aqui o infame (por causa do título) e incrível (por causa da alta qualidade da narrativa) filme do Pombo (também conhecido como Um Pombo Pousou num Galho Refletindo Sobre a Existência), representante sueco; Labyrinth of Lies, representante alemão; e o francês Cinco Graças. Pessoalmente, estou torcendo pelo representante português da lista, a parte dois da trilogia das noites árabes de Miguel Gomes, As Mil e Uma Noites: Volume 2 – O Desolado.

4) O Monstro

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Filmes de gênero muito destacados normalmente não são bem aceitos na Academia (a não ser quando são destacadamente dramas, é evidente). Portanto, filmes de ação e terror, por exemplo, não tem muita chance. Contudo, as coisas parecem que vão mudar de figura nesse ano. Só a foto já dá uma tensão. O nome é Boa noite, mamãe. Mais tensão. A narrativa é sobre dois irmãos gêmeos que não reconhecem a mãe após a mesma ter realizado cirurgias estéticas que modificaram suas feições. Daí, podem surgir tantas coisas tensas e aterrorizantes que eu prefiro realmente não pensar. Goodnight Mommy é um dos filmes austríacos mais badalados dos últimos tempos e também um dos filmes mais comentados de 2015. As chances de indicação são grandes, mas a concorrência também é.

3) A Joia Oriental

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À essa altura do campeonato chamar algo de joia oriental é, no mínimo, limitador, prepotente e preconceituoso, como se o pessoal de lá fosse só responsável por essas “joias” que o Ocidente se acostumou a pegar durante os tempos. No entanto, dessa vez, vou me permitir a licença poética de utilizar o título. The Assassin é o representante de Taiwan e, provavelmente, o projeto mais ousado de Hou Hsiao-Hsien. Visualmente arrebatador e munido de um ritmo próprio – meio artes marciais, meio contemplação visual -, o filme encantou o pessoal de Cannes, onde Hou saiu vencedor do prêmio de melhor diretor no festival (um dos prêmios mais importantes do mundo para a galera das praias de Cannes e para, praticamente, todo mundo mesmo). Narrando a história de uma assassina que é contratada para matar um líder político na China do sétimo século, The Assassin é uma verdadeira joia, visual, sonora e narrativamente. Além disso, vem do Oriente. Trailer aqui.

2) A Prata da Casa, Orgulho Nacional, Melhor Filme Brasileiro de 2015

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É com muito orgulho que eu escrevo essas próximas palavras: Que Horas Ela Volta? é um dos filmes mais cotados para entrar na lista de Melhor Filme Estrangeiro. E que maravilha, que alegria é ver um filme nacional de volta a uma conversa real, a uma competição real. Se nos últimos anos fomos bombardeados com as pragas das globochanchadas, ao mesmo tempo também recebemos grandes presentes. A lista tem grandes títulos: O Lobo Atrás da Porta, Tatuagem, Elena, Olmo e a Gaivota, O Som ao Redor e mais alguns ótimos filmes. Mas, em 2015, vimos a cereja do bolo, que completou o topo desse nosso doce cinema brasileiro e é justamente Que Horas Ela Volta? (meus pensamentos sobre o filme vocês podem encontrar aqui, primeira resenha que escrevi para o site com muito orgulho).

Parece quase certo que o Brasil estará representado na lista dos cinco filmes, mas eu digo mais: afirmar que podemos ganhar esse troféu não é exagero algum, sem a menor sombra de dúvidas. Vamos precisar de sorte, mas a boa notícia é que qualidade nós temos de sobra em Que Horas e isso já é mais do que meio caminho andado.

1)  O Favorito (A.K.A. Sucesso em Cannes, badalado com a galera toda)

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O provável sucessor de Ida vem lá dos altos da Europa igualmente – da Polônia para a Hungria é um pulo, segundo o Google Maps dá só umas cento e trinta e três horas de caminhada, aproximadamente. O Filho de Saul é um filme sobre os horrores da Segunda Guerra. Ok, vocês vão dizer: mais um filme sobre os horrores da Segunda Guerra, meu deus, pra que isso, chega, move on produtores. Vamos por partes: antes de mais nada, não sei se vocês perceberam, mas o filme é húngaro; isso significa dizer que veremos uma nova perspectiva sobre a guerra. Além disso, a narrativa gira em torno de um prisioneiro húngaro (o Saul do título) que é responsável pela brigada crematória de Auschwitz – só de escrever esse parágrafo eu já sinto uma carga dramática enorme.

Conquistando plateias, cinéfilos e, principalmente, críticos em todo o mundo, o Filho de Saul é um dos filmes mais esperados de 2016, ganhador do Prêmio do Júri em Cannes e mais uma penca de prêmios e conquistas pelo mundo todo. O trailer é emocionante, silencioso, grandioso e devastador e vocês podem conferi-lo aqui. Ainda, Geza Rohrig é um ator de primeira viagem nas telonas e fez um trabalho tão bom, mas tão bom que está até cotado para uma das vagas para a categoria de Melhor Ator Principal. Se esse não é um filme favorito, eu não sei o que é.

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