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NOTA: 5,5 / Renato Furtado

Quando ouvi que Nima Nourizadeh, o diretor de Projeto X, iria realizar uma comédia de ação, fiquei realmente animado – sem brincadeira. O lance é o seguinte: eu acho Projeto X um dos filmes mais hilários e loucos dos últimos anos. Gosto das maluquices que acontecem, do lança-chamas, do anão de porcelana suspeito, da festa que sai fora do controle, do incêndio e de mais um monte de coisas que eu não posso falar porque aí já configura o crime previsto em lei chamado SPOILER – se você pratica ou conhece alguém que pratica, por favor, comunique às autoridades competentes. Voltemos ao que interessa.

Entre muita desconfiança e uma possibilidade de acabar não estreando em terras tupiniquins, eis que chega, já no fim de 2015, American Ultra: Armados e Alucinados. Bom, a verdade é que não é muito lá essas coisas. O longa conta a história de Mike e Phoebe, um casal que divide seu tempo entre fumar maconha sob a luz das estrelas e trabalhar em empregos ruins. Mas, quando estranhos eventos acontecem, Mike descobre que é, na verdade, um super agente. Para resumir mais a conversa, American Ultra é um Jason Bourne bastante chapado e confuso.

Os problemas começam no título: sério, onde que alguém realmente acha que em pleno 2015 inserir um subtítulo “Armados e Alucinados” em um filme que não chega nem perto de ser uma comédia – mesmo que fosse o subtítulo não seria perdoado – é uma boa ideia? O problema – do marketing e do filme como um todo, no caso – reside justamente aí: American Ultra tem seus momentos engraçados, mas nenhum deles justifica a forma como o filme é vendido. É antes um filme de ação do que qualquer outra coisa. Alguém disse em algum lugar que American Ultra é um dos filmes mais românticos do ano – o que, estranhamente, pode ser verdadeiro. Ou seja, o filme é até mais romance do que comédia.

O romance aqui vem por causa da boa química entre Jesse Eisenberg – um dos atores mais superestimados de sua geração, representando sempre versões modificadas de um mesmo personagem, atuando em um espectro realmente curto de capacidades de interpretação que vai do bom Jesse Eisenberg, de A Rede Social ou O Duplo; ao médio Jesse Eisenberg, em Zumbilândia, por exemplo; e, por fim, ao fraco Jesse Eisenberg, a versão, infelizmente, entregue pelo ator aqui – com Kristen Stewart – que, apesar do filme e dos diálogos pouco inspirados de Max Landis, luta para acreditar em sua personagem e entrega uma performance sólida e satisfatória. O relacionamento dos dois é um dos pontos altos do filme, que, se melhor explorado e mais bem desenvolvido, melhoraria sensivelmente o nível da trama.

Os problemas do filme, no entanto, não param simplesmente na comédia e nem no fato da confusão que é a caminhada realizada entre os gêneros – que, caso seja bem feita, pode gerar resultados incríveis, como a história do cinema nos prova. O personagem de Walton Goggins (um ator realmente muito bom e pouco reconhecido) é pouco aproveitado, dramaticamente falando. Por sua vez, os papeis de Topher Grace, John Leguizamo e Tony Hale (o ótimo e divertidíssimo ator de séries como Arrested Development e Veep) são esquecíveis e completamente inúteis em suas tentativas de tornarem-se, no mínimo, os alívios cômicos da trama. Sem mencionar o fato de que Bill Pullman não precisava sequer estar no filme.

Contando com uma direção que é, no mínimo, boa; bons atores, dispostos a entregar bons personagens; e trabalhos de fotografia e trilha sonora razoáveis, o grande defeito de American Ultra é o roteiro de Max Landis, confuso e perdido, literalmente atirando para todos os lados e não acertando praticamente em nada. Cheio de pontas soltas e claros problemas de desenvolvimento, American Ultra pode até divertir em suas cenas de ação, que são bem montadas, mas, no fim das contas, não passa de um filme fraco.

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