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dezembro 2015

#VISÃODOSMANOS: Top 10 Filmes 2015

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Chegou ao fim este ano de 2015. Por isso, como é de costume a cada fim de ano, nós também resolvemos fazer nossas listas dos 10 melhores filmes lançados nesses últimos doze (quase sempre) maravilhosos (há controvérsias) meses. Se liga aí!

#FALACAIO

1) Divertida Mente (Pete Docter)
2) Mad Max – A Estrada da Fúria (George Miller)
3) Que Horas Ela Volta? (Anna Muylaert)
4) Star Wars: O Despertar da Força (J.J. Abrams)
5) Eu, Você e a Garotam que vai Morrer (Alfonso Gomez-Rejon)
6) Kingsman: Serviço Secreto (Matthew Vaughn)
7) Perdido em Marte (Ridley Scott)
8) 45 Anos (Andrew Haigh)
9) Missão Impossível: Nação Secreta (Christopher McQuarrie)
10) Jurassic World (Colin Trevorrow)
Sempre é uma tarefa difícil elencar os melhores filmes do ano. Isso porque, como cinéfilo deficiente que sou, constantemente chego ao fim do ano em débito com alguns dos maiores lançamentos do período. Sendo assim, minhas listas sempre são uma mescla do meu interesse e paixão pelos filmes que assisti, misturados ao hype e às expectativas superadas em cima de algumas produções.
Dito isso, você irá encontrar o novo Jurassic World, em décimo lugar. Um afago à um dos maiores filmes de todos os tempos, que estreou como quem não queria nada e simplesmente esmagou todos os recordes de bilheteria mundo afora. Em primeiro lugar, talvez o filme mais lindo e tocante da Pixar: Divertida Mente. Em boa forma, o estúdio eleva a criatividade ao nível master e entrega um filme perfeito.
Perfeito, aliás, também é o adjetivo que pode ser aplicado ao filme Mad Max – Estrada da Fúria. Eu acabei assistindo ao filme por acidente nos cinemas: UM DOS MELHORES ACIDENTES DO ANO. Tive a oportunidade de testemunhar o renascimento do diretor que fez questão de tacar na cara de Hollywood que ainda é possível surpreender nos cinemas.
Completam a lista filmes do meu coração! E que venha 2016!

#FALARENATO

1) Mad Max – A Estrada da Fúria (George Miller)
2) Divertida Mente (Pete Docter)
3) Whiplash (Damien Chazelle)
4) Últimas Conversas (Eduardo Coutinho)
5) Birdman (Alejandro González Iñarritú)
6) O Sal da Terra (Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado)
7) Olmo e a Gaivota (Petra Costa e Lea Glob)
8) Beasts of No Nation (Cary J. Fukunaga)
9) A Pele de Vênus (Roman Polanski)
10) Vício Inerente (Paul Thomas Anderson)
Confesso que, ainda que fosse apenas o meio do ano, eu sabia que eu já tinha visto o melhor filme do ano. Não tem pra ninguém: o quarto filme da saga Mad Max é o filme definitivo de 2015. Inteligente, brutal, divertido, emocionante, repleto de adrenalina, Estrada da Fúria é um dos melhores filmes de ação de todos os tempos e um dos melhores filmes dos últimos anos. Além disso, 2015 nos deu vários filmes que serão lembrados por muitos anos – e alguns deles se tornarão clássicos. Estou falando de filmes como Divertida Mente, Whiplash e Birdman.
Olhando ainda por outro ângulo, fico feliz pela quantidade de documentários brilhantes que estrearam neste ano – destacando que todos os três documentários da minha lista ou são brasileiros por inteiro ou pela metade e isso é lindo, provando que nossa cinematografia é sim uma das mais ricas do mundo, principalmente em termos documentais.
Sobrou ainda espaço para produções mais independentes/alternativas: Beasts of No Nation, A Pele de Vênus e Vício Inerente são três filmaços que ainda serão revistos durante a história do cinema como filmes incríveis – estes são aqueles filmes do tipo que ganham cada vez mais contornos, profundidade e tonalidades a cada vez que os assistimos.
É isso, deixamos 2015 como um grande ano para o Cinema. Foi difícil, foi intenso, foi bonito, foi ruim, foi bom, foi repleto de emoções esse 2015 que não nos deixará. Sejam pelas memórias ruins e (felizmente) pelas muitas memórias boas, 2015 entra para a história como um ano MUITO louco. Nada mais correto que o melhor filme de um ano louco seja o filme, de fato, mais louco.
É isso, por esse ano é só! Feliz 2016! Vamo que vamo!
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Oscar 2016: Melhor Diretor – APOSTAS C2M

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Renato Furtado

Chegamos ao fim do ano de 2015, ao último final de semana de um ano peculiar, conturbado, longo e complicado. Os últimos momentos vem trazendo o ano que já vem logo ali depois da curva. Cinematograficamente falando, isso quer dizer que estamos cada vez mais próximos da data de anúncio dos indicados para o Oscar 2016! Por isso, neste último fim de semana de 2015, vamos falar sobre uma das categorias mais importantes da premiação. Para esquentarmos ainda mais os motores, trazemos hoje a nossa previsão para os cinco indicados que vão disputar o prêmio de Melhor Diretor!

Historicamente, o melhor filme tem o melhor diretor. Apenas em algumas ocasiões o melhor diretor não era o diretor do melhor filme. Recentemente, tivemos dois anos seguidos (2013 e 2014) com esta peculiaridade e, ainda que possamos alegar os mais diversos motivos para a escolha da Academia, o certo é que nestes dois anos, os diretores vencedores eram os diretores dos filmes mais técnicos – Ang Lee por A Vida de Pi em 2013 e Alfonso Cuarón por Gravidade em 2014. Se levarmos em conta que o melhor diretor de 2015 – Alejandro G. Iñarritú – também foi o diretor do filme mais técnico (além de ser o diretor do melhor filme), será que é possível encontrarmos um padrão? Isto é o que veremos a seguir!

5) O Odiado – Quentin Tarantino (Os Oito Odiados)

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Quando todos acreditam que ele não pode se superar, ele se supera. Quando todos acreditam que ele não tem mais caminhos para criar com sua megalomania contagiante, ele frustra todos os haters. Quando todos acreditam que ele não tem mais nada para mostrar, ele prova o contrário. Este é Quentin Tarantino, um dos diretores mais ousados e criativos de todos os tempos. De volta com um faroeste – um de seus gêneros favoritos -, Tarantino continua em grande estilo. Os Oito Odiados foi filmado em 70mm – exatamente como eram filmados os épicos das décadas de 50 e 60, como Ben-Hur e Lawrence da Arábia – e o diretor fez questão de fazer de seus mais novo filme um verdadeiro espetáculo de proporções titânicas. Com mais de três horas de duração, com sangue voando para todos os lados, diálogos afiados como sempre e trilha sonora de Ennio Morricone, o novo filme de Tarantino é o épico cinematográfico moderno.

PS: A maioria dos apostadores e críticos prevê Ridley Scott na disputa pelo Oscar no lugar de Tarantino. Discordamos respeitosamente. Somos mais Tarantino.

4) O Maestro: Todd Haynes (Carol)

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Em Carol, a palavra de ordem é elegância. Para dirigir e conduzir uma história complexa, sutil e sensível sobre o complicado amor de duas mulheres em meio ao conservadorismo exacerbado da sociedade norte-americana da década de 50 (não que hoje seja muito diferente, diga-se de passagem) com tanta precisão e inteligência, só mesmo Todd Haynes, um verdadeiro maestro que torna a narrativa de Carol quase uma partitura de música clássica, forte, elegante, bela e singela, extraindo o melhor possível de duas atrizes brilhantes: Cate Blanchett e Rooney Mara.

3) O Furioso: George Miller (Mad Max: A Estrada da Fúria)

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Não é erro algum dizer que Mad Max: A Estrada da Fúria é, ao mesmo tempo, a maior surpresa e o melhor filme do ano de 2015. Quando mais ninguém dava nada para a franquia outrora bem-sucedida e, até o início desse ano, quase tão falida quanto a popularidade seu antigo astro, Mel Gibson, eis que surge o quarto filme da saga. George Miller, no auge dos seus setenta anos, renova e inova e cria aquela que é sua obra-prima, um dos melhores filmes da década e um dos melhores filmes de ação de todos os tempos – 90% das cenas de ação foram feitas fisicamente, sem uso de efeitos digitais! Feminista (um dos motivos para o filme ser tão bom quanto o é) até o osso, Estrada da Fúria é uma verdadeira aula de como dirigir um filme, de como construir uma narrativa épica sobre uma trama simples; é mais do que um filme: é também um ensaio político sobre a nossa sociedade, sobre o fascismo, sobre liberdade e sobre a força das mulheres  – que dominaram 2015 e que vão dominar 2016, 2017, 2018 e por aí vai, graças aos deuses do cinema!

2) O Campeão: Alejandro González Iñarritú (O Regresso)

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Eis aqui o homem a ser batido. Depois da proeza técnica de Birdman (sua obra-prima até o momento), Iñarritú mudou-se para as planícies geladas do Canadá e trouxe à tona a história de Hugo Glass, um aventureiro que foi deixado para morrer e que praticamente ressurgiu das cinzas em busca de vingança. Escreve ótimos roteiros, constrói estéticas cinematográficas belíssimas, estrutura planos como ninguém (em sua carreira trabalhou com o incrível fotógrafo Rodrigo Prieto e agora com o surrealmente genial Emmanuel Lubezki) e extrai performances brilhantes. Se com Michael Keaton o diretor fez o que fez, imaginem o que ele pôde fazer tendo nas mãos Leonardo DiCaprio e Tom Hardy. Se a Academia mantiver a ideia de premiar o diretor mais técnico ou se por algum motivo contrair certo tipo de preconceito em relação ao favorito ao prêmio, a estatueta provavelmente será do mexicano. Novamente – se ele vencer neste ano, se tornará o terceiro diretor, depois de John Ford e Joseph L. Mankiewicz, a receber o Oscar duas vezes consecutivas.

1) O Favorito: Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

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Quem diria que o homem que dirigiu um filme do Adam Sandler também dirigiria o filme que tem mais chances de ganhar o Oscar de Melhor filme no mesmo ano? É, ninguém em boa consciência afirmaria algo tão absurdo quanto isso. Mas, o fato é que isso acabou acontecendo: Tom McCarthy – um ótimo e ainda pouco conhecido diretor de filmes como O Agente da Estação e O Visitante – dirigiu Spotlight, narrando uma história complexa que envolve os abusos cometidos por padres católicos em Boston e, após os incríveis resultados de seu mais novo filme, credenciou-se como o favorito da disputa neste ano. Dispondo de um elenco brilhante nas mãos e de um roteiro poderoso, McCarthy entra na disputa à frente de seus concorrentes e tem boas chances de fazer história – como o único diretor a comandar Adam Sandler em um filme horroroso e ganhar um Oscar na mesma vida. No entanto, a Academia é cheia de preconceitos – formada majoritariamente por industriais do cinema, não poderia ser diferente – e isso pode dificultar o caminho de McCarthy. Se ele for visto como um diretor menor, “capaz” de realizar apenas filmes independentes ou comédias ridículas com Sandler, ele corre o risco de sequer ser nomeado – como aconteceu com Ben Affleck, que sofreu um grande revés da Academia ao não ser indicado à categoria de Melhor Diretor, quando claramente merecia ter sido indicado. Contudo, vamos torcer para que tudo corra bem e que a Academia seja inteligente – para variar – o suficiente para nomear McCarthy. Com ele no páreo, a disputa se torna uma das mais interessantes dos últimos anos.

Natal também é coisa de mano!

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Por Caio César

No dia de hoje, um 24/12 de calor no Rio de Janeiro e em boa parte do Brasil, eu diria que um bom presente é um par de ingressos para o novo Star Wars no cinema! Como a maioria já viu o filme, decidimos relembrar um pouco o natal nas produções cinematográficas. Obviamente, para nós brasileiros, o natal ianque pode parecer idealizado demais. Fica difícil visualizar um período gelado, com neve, árvores de verdade, chaminé acesa na nossa cultura nacional. Entretanto, vários filmes natalinos desembarcaram no Brasil e ajudaram a fazer com que a chama do xmas(para os íntimos) continuasse bombando. Vamos relembrar cinco para dar uma olhadinha em 2015?

05) Um Natal Muito Muito Louco (2004)

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Eu detesto julgamentos. Mas podem me julgar. Eu amo esse filme! Ele é ridiculamente delicioso, ainda que não seja nenhum primor cinematográfico. A saga de Luther, patriarca da família Krank, de reorganizar o natal após a desistir da celebração é demais! Tim Allen está em grande forma nesse clássico contemporâneo da sessão da tarde que merece ser revisitado em 2015!

04) Um Duende em Nova York (2003)

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Esse aí eu lembro de ter assistido no cinema! Elf é dirigido apenas por Jon Favreau, que iria crescer apenas para dirigir Homem de Ferro, o filme que inaugurou o reinado da Marvel nos cinemas. Aqui Will Ferrel (hilário) interpreta um elfo em missão na terra. Emocionante e extremamente divertido, o filme é ainda um deleite para os olhos porque tem como cenário uma das cidades mais lindas do mundo: a apaixonante Nova York. 

03) Esqueceram de Mim (1990)

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Um dos maiores clássicos da Sessão da Tarde, o filme conta a história de Kevin, um menino esquecido em casa pela família – que saiu de Chicago em bando para passar as festas em Paris, na França. Macaulay Culkin ainda era um menino fofo e a violência em filmes infantis ainda era permitida. Ou seja, isso era antes da ditadura do politicamente correto.

02) O Estranho Mundo de Jack (1993)

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Parte da força deste belo filme pode ser medida por sua resistência na cultura POP mesmo após tantos anos de sua estreia. Da mente louca e brilhante de Tim Burton, chega um dos mais curiosos filmes sobre natal. Jack é um morador de Halloween Town que tem um plano de sequestrar o bom velhinho em pessoa, para que a cidade comemore o natal também! Sinopse louca? Filme mais ainda. Aventura e diversão na certa!

01) O Grinch (2000)

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CARA COMO EU ADORO ESSE FILME! Pra mim, o filme definitivo de Natal. Nem tudo são flores no longa. Em Whoville, uma criatura ancestral chamada de Grinch tem fama de odiar o natal por ter um coração menor que o das outras pessoas. Nada que um bom espírito natalino não consiga resolver. Com uma atuação inspirada de Jim Carrey, boas doses de comédia e subversão do diretor Ron Howard, ganhador do Oscar, O Grinch é uma fita que nunca envelhecerá e continua espalhando calor nos corações gelados até hoje.

E você? Qual seu filme favorito de Natal. Esperamos que você tenha um ótimo dia, com sua família, amigos, toda a comilança da data!

Os manos desejam um Feliz Natal!

Macbeth: Ambição e Guerra (Justin Kurzel, 2015)

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NOTA: 7,5 / Renato Furtado

A vida nada mais é do que uma história repleta de som e de fúria, contada por um tolo, uma história que não significa absolutamente nada. São essas as palavras proferidas por Macbeth em determinado momento da peça homônima escrita por William Shakespeare – provavelmente um dos melhores e mais significativos trabalhos do autor inglês -, citação esta que soa aos ouvidos com familiaridade dada a importância e o impacto desse monólogo – é possível vê-lo em Birdman, por exemplo. Tudo isto para dizer: a nova adaptação de Macbeth para o cinema, nas mãos do diretor Justin Kurzel, é barulhenta, furiosa e repleta de significados.

Nas mãos deste cineasta australiano, a obra de Shakespeare ganha novos contornos: se no texto original a grande temática da obra é o poder, esta adaptação traz as nuances da ambição e da guerra (evidenciadas, sem necessidade, mas com  inteligência, pelo título brasileiro do filme). Aqui vemos guerra e sangue – além da loucura e a busca pelo poder – e é justamente isto que faz a versão de Kurzel se inscrever na história cinematográfica: ao sair do caminho das adaptações anteriores (as mais notórias sendo a brilhante adaptação de Orson Welles e a versão de Roman Polanski, nos anos setenta), Kurzel confere peso e qualidade suficiente para sua trama possuir um estilo próprio – algo de suma importância quando estamos tratando da adaptação de uma das obras mais famosas de todos os tempos.

Esta conquista pode ser verificada nas escolhas acertadas realizadas pelo diretor. No campo da trilha sonora o filme se destaca com faixas musicais arrepiantes e sombrias, compostas por Jed Kurzel, irmão do diretor e a montagem do filme evidencia a estética escolhida para esta versão, baseada fortemente na escuridão e em tonalidades escuras na maior parte da produção e, em momentos chave, a utilização de tons fortíssimos como o vermelho-sangue ou um laranja potente que tomavam conta do filme, ambientando-o quase com uma graphic novel. A estética visual é mérito, evidentemente, do trabalho realizado pelo fotógrafo Adam Arkapaw, construindo um Macbeth das planícies escocesas, lembrando, em muitas ocasiões, os vastos prados da Terra Média criada por Peter Jackson no cinema. No quesito técnico, este Macbeth é, sem dúvidas, o melhor, dos planos cuidadosamente preparados à utilização da luz, todas escolhas perfeitas para um design de produção muito interessante.

Além disso, mais dois pontos positivos chamam a atenção. O primeiro é em relação ao roteiro: os roteiristas desta versão decidiram se ater ao texto de Shakespeare – esse elemento pode incomodar alguns espectadores, por aparentar, erroneamente, diga-se de passagem, ser pouco cinematográfico. Isso quer dizer que é mais do que frequente ver Michael Fassbender ou Marion Cotillard declamarem longos monólogos montados para prescindir de qualquer ação que não a fala, um aspecto crucial nos trabalhos teatrais e na obra de Shakespeare, especificamente, uma vez que o texto do inglês é maravilhoso. Claro que por mais que os diálogos sejam incríveis, eles não funcionam se não existirem atores preparados para assumir essas linhas; ainda bem que em Macbeth: Ambição e Guerra não faltam bons atores.

David Thewlis, Paddy Considine e Sean Harris são ótimos atores e demonstram capacidades performáticas que poderiam muito bem ser mais utilizadas em outros filmes – principalmente Thewlis, conhecido por ter feito o personagem Lupin na saga Harry Potter e por ter sido a voz de Michael em Anomalisa. Suas atuações seguem o caminho liderado pelo ator principal, cheias de som e fúria, guerreiros corajosos e destemidos bradando pelo combate. Falando em Macbeth, Fassbender é, sem dúvidas, um dos melhores a interpretar o Rei. Sua atuação é visceral e sua loucura é genial – como ele mesmo diz, sua mente está cheia de escorpiões, lançando um sorriso perverso para Lady Macbeth -, muito baseada na força física, na virilidade, demonstrando poder, crueldade e perigo em movimentos e olhares, mesmo quando a fotografia o enquadra como um ser minúsculo perante o tamanho das paisagens que o cercam ou afundando em seu trono no enorme castelo.

No entanto, o grande calcanhar de Aquiles do filme reside justamente no departamento das atuações. Mais especificamente na parte da roteirização e da construção dos personagens. Se Marion Cotillard não brilha – como de costume – é porque sua Lady Macbeth não recebe atenção suficiente nem do roteiro e nem da direção. Este é um problema grave porque Lady Macbeth é, sem dúvidas, a personagem mais interessante desta peça e uma das personagens mais interessantes já criadas na história do mundo. Com o pouco que recebe, no entanto, Cotillard faz milagres e controla nossas emoções com habilidade e maestria em seus monólogos e em sua interpretação sutil, porém poderosa. É verdadeiramente uma pena que ela não tenha sido melhor aproveitada – o pecado é tão grande que ela chega a ficar “de canto” em determinada parte da narrativa.

Apesar do grave equívoco mencionado acima, Macbeth: Ambição e Guerra funciona. É um dos filmes com mais estilo de 2015, no sentido de que todos os ramos da concepção artística do filme trabalharam em uníssono para criar uma atmosfera nova para o mundo de Macbeth e, ainda assim, bastante familiar. Macbeth é considerado um “texto maldito” dada a sua dificuldade de adaptação – tanto para os palcos quanto para as telas. Portanto, repito: Justin Kurzel triunfa não só por adaptar com sucesso esta obra para o cinema; triunfa também por fazer uma versão com sua assinatura, que pode ser comparada às outras grandes versões que a precederam e, ainda assim, se manter firme. Esta é uma grande conquista.

Oscar 2016: Melhor Fotografia – APOSTAS C2M

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Renato Furtado

Esta é de, longe, uma das minhas categorias favoritas. Através de planos bem estudados, bem construídos, de uma estruturação perfeita da iluminação e de uma incrível sincronia com a montagem, os diretores de fotografia são os grandes visionários – técnicos e artísticos – responsáveis por colocar a mão na massa e trazer para este humilde mundo algumas das imagens mais belas que nossos olhos verão em suas existências.

A introdução tem que ser poética mesmo para uma categoria que premia aqueles que vão fundo na poesia e que investem pesado na jornada em busca da beleza escondida – seja em cenas naturalmente belas ou em cenas aterrorizantes, em cenas suaves e sensíveis e em cenas obscuras e violentas – em cada canto do mundo criado especialmente para os filmes em questão.

Esta é uma categoria em que os apostadores e especialistas lá dos estrangeiros concordam – ainda que não na ordem certa – sobre os indicados. Nós, humildemente, concordamos com eles. Vamos às nossas apostas!

5) O Combatente: John Seale – Mad Max: A Estrada Fúria

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John Seale explicou, certa vez, que buscou centralizar tudo que estava na tela em Mad Max. O motivo disso é que nossos olhos são naturalmente atraídos para o que está no meio da imagem e, depois, é que, uma vez acostumados, começamos a vasculhar os outros cantos do quadro. Em meio a toda ação verdadeiramente insana de Mad Max, Seale preocupou-se em não deixar a narrativa sair do seu controle e nem do controle do diretor George Miller. Portanto, desenvolveu essa aproximação em relação ao material. Além de nos manter focados nas partes importantes no meio da loucura e do caos, as lentes de Seale acompanharam toda a movimentação megalomaníaca de carros e pessoas no filme com competência, sem deixar cair o ritmo em momento algum e criaram um dos mais belos mundos pós-apocalípticos da história do cinema com belíssimas e perturbadoras paisagens todas em tons muito fortes e saturados, criando um estilo único e especial para aquele que foi um dos melhores filmes de 2015 e também dos últimos anos.

4) O Elegante: Edward Lachmann – Carol

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Através de tonalidades pasteis e de nuances cinzentas, conferindo um tom pouco saturado e pouco contrastado, utilizando mais a luz do que as sombras, Edward Lachmann cria a atmosfera perfeita para Carol, nos colocando diretamente no forte romance de época que a narrativa é – um caso amoroso entre duas mulheres na década de 50, algo impensável para o período. Construindo planos plasticamente belos baseados no grande jogo de interpretação entre as duas maravilhosas atrizes principais do filme (Cate Blanchett e Rooney Mara), aproveitando seus silêncios, seus momentos e seus sentimentos com o máximo potencial artístico possível, a fotografia de Lachmann é a elegância personificada em trabalho cinematográfico.

3) O Pistoleiro: Robert Richardson – Os Oito Odiados

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Dando prosseguimento a incrivelmente bem sucedida parceria com Quentin Tarantino (o fotógrafo em questão trabalhou com o diretor em todos seus filmes desde Kill Bill, exceto em À Prova de Morte), Robert Richardson conseguiu mais uma vez trazer à vida o estilo cinematográfico de Tarantino. Fortemente baseado em influências da cultura pop e em filmes antigos da onde Tarantino retira muitas referências e rimas para suas narrativas, o estilo do diretor encontrou o parceiro ideal no trabalho fotográfico de Richardson (duas vezes ganhador do Oscar, por JFK e A Invenção de Hugo Cabret). Em Os Oito Odiados, o tema é um faroeste tarantinesco-fordiano onde oito seres humanos extremamente perigosos presos em uma cabana no meio do nada durante uma nevasca, com bastante sangue e bastante paisagens de tirar o fôlego. Além disso, Os Oito Odiados foi filmado como um épico no “glorioso” formato de 70mm, utilizado nos clássicos do cinema de faroeste e em narrativas como Ben-Hur e Lawrence da Arábia. Se Tarantino aposta tão alto quanto aposta é porque é tão bem apoiado por Richardson na direção de fotografia.

2) O Gênio: Roger Deakins – Sicário: Terra de Ninguém

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Grande parte dos fotógrafos pode citar Gordon Willis (o homem por trás das lentes de O Poderoso Chefão e Manhattan) como um dos maiores diretores de fotografia de todos os tempos. Outra grande parte pode citar Roger Deakins. E com toda a razão; passam os anos e Deakins continua no topo do jogo. 12 vezes indicado ao Oscar – merecidamente -, o britânico consegue em Sicário: Terra de Ninguém um feito impressionante: tornar ainda mais aterrorizante um verdadeiro filme de terror disfarçado de filme policial baseado em uma história real. A sequência da ponte, por exemplo, só tira tanto nosso fôlego porque Deakins, sempre almejando uma fotografia naturalista, cria planos e compõe sequências como ninguém. Deakins é um gênio, um maestro, um guru da fotografia, um fotógrafo que não é nem de perto humano; é, sim, sobrenatural. Ainda, a dupla formada por Deakins com o diretor Dennis Villeneuve é uma das grandes parcerias artísticas-técnicas do cinema na atualidade.

1) O Favorito/O Mestre: Emmanuel Lubezki – O Regresso

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O problema para Deakins é que há um outro grande fotógrafo em seu caminho, um artista que está se encaminhando para escrever seu nome na história do cinema; não será surpresa alguma, inclusive, se este começar a ser colocado junto a Deakins e Willis na categoria de melhor diretor de fotografia de todos os tempos. Estamos falando, é claro, do mexicano Emanuel Lubezki. Seus trabalhos falam por si: é o fotógrafo de Alfonso Cuarón (o plano-sequência de Os Filhos da Esperança é, com certeza, um dos planos-sequência mais famosos do cinema e um dos mais engenhosos e a linda captura do espaço realizada em Gravidade, trabalho que rendeu o primeiro Oscar ao mexicano), de Terrence Malick (Lubezki fez a surrealmente bela fotografia de A Árvore da Vida e fez de Amor Pleno um veículo perfeito para demonstrar todos os seus talentos, uma vez que esta narrativa de Malick é a pior de sua carreira) e, agora, de Iñarritu (a proeza técnica da fotografia sem cortes de Birdman já entrou para a história cinematográfica e rendeu o segundo Oscar seguido do mexicano).

Em O Regresso, a dupla decidiu filmar a trama inteiramente utilizando apenas luz natural – um desafio enorme em termos cinematográficos, raramente realizado por causa dos requisitos técnicos requeridos pelo projeto; além disso, as cena batalha tiram todo e qualquer fôlego. Para completar a defesa do caso para o terceiro Oscar seguido de Lubezki, O Regresso só é a verdadeira obra de arte que é por causa do trabalho deste fotógrafo.

PS: Lubezki registrou as gravações de O Regresso em seu Instagram, verdadeiros diários fotográficos da mais extrema beleza. Confira aqui!

Os indicados ao Globo de Ouro 2016 – Parte 4!

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Renato Furtado

Chegamos ao final das nossas previsões para o Globo de Ouro. Na quarta e última parte – ainda falando sobre séries – apresentaremos OITO categorias de atuação. Tem de tudo: indicados ao Oscar, estreantes, coadjuvantes, grandes atores, grandes atrizes e mais um pouco. Vamos lá.

Melhor Atriz – Minissérie/Filme para TV: Lady Gaga (American Horror Story: Hotel); Queen Latifah (Bessie); Kirsten Dunst (Fargo); Sarah Hay (Flesh & Bone); Felicity Huffman (American Crime).

Ainda que todas as atuações das atrizes indicadas sejam incríveis em suas respectivas séries, esse ano é de Kirsten Dunst. Eternamente lembrada como Mary Jane dos primeiros filmes do Homem-Aranha e posteriormente musa de Lars von Trier em Melancolia (filme pelo qual o prêmio de atuação no festival de Cannes), Dunst reestrutura não só sua carreira como também sua imagem perante o público americano e o público internacional em geral. Em Fargo (melhor série do ano), Dunst interpreta aquele que é, certamente, o papel mais desafiador de sua vida: Peggy, uma esteticista com um desejo de se tornar a melhor mulher que puder ser, uma personagem repleta de nuances e tonalidades contrastantes, todas brilhantemente trazidas à vida pelo trabalho impecável de Dunst. É uma das melhores atuações da série e a melhor interpretação da carreira da atriz.

Nossa aposta é: Kirsten Dunst!

FARGO -- Pictured: Kirsten Dunst as Peggy.
CR: Mathias Clamer/FX

 

Melhor Ator – Minissérie/Filme para TV: Patrick Wilson (Fargo); Idris Elba (Luther); David Oyelowo (Nightingale); Oscar Isaac (Show Me a Hero); Mark Rylance (Wolf Hall).

Diferentemente da categoria feminina, aqui o embate está acirrando. Reeditando a disputa na categoria de melhor atuação coadjuvante para o cinema, Idris Elba reencontra Mark Rylance – dessa vez, Rylance tem mais chances que Elba. Além disso, Patrick Wilson é um dos principais concorrentes por conta de seu trabalho em Fargo, um verdadeiro indicativo de que este pode ser um ator que ainda vai nos entregar grandes papeis em sua carreira. Ainda, Oyelowo e Isaac, dois dos melhores atores da atualidade, sem sombra de dúvidas – os trabalhos realizados pelos dois no cinema, recentemente, provam esta afirmação – embolam ainda mais a disputa. O desempate, aqui no C2M, ficou por conta da série e como Fargo é a nossa favorita do ano…

Nossa aposta é: Patrick Wilson!

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Melhor Atriz – DRAMA: Taraji Henson (Empire); Robin Wright (House of Cards); Viola Davis (How to Get Away With Murder); Caitriona Balfe (Outlander); Eva Green (Penny Dreadful).

Não tem jeito. Quatro grandes atrizes, sem sombra de dúvidas; no entanto, nenhuma delas trouxe um personagem tão icônico neste último ano quanto Viola Davis, responsável por dar vida à advogada Annelise Keating (sua única concorrente é Henson, intérprete da igualmente icônica Cookie Lyon em Empire). Querida pelo público e pela crítica, Davis encontrou na televisão o reconhecimento – merecido por ser uma das melhores atrizes de sua geração e uma das melhores atrizes da atualidade, vide as duas incríveis temporadas de How To Get Away, Histórias Cruzadas, filme pelo qual chegou a merecer o Oscar mais do que Meryl Streep e a clássica cena de Dúvida, onde protagoniza, provavelmente, os dez minutos mais intensos da ótima narrativa – negado tanto pelos filmes quantos pelas premiações cinematográficas. Sem mais delongas…

Nossa aposta (e torcida) é: Viola Davis!

PS: O mano Caio foi proibido de comentar neste post devido ao seu amor incondicional dedicado à Viola Davis, sentimento o qual faria com que nosso querido mano colocasse Viola como vencedora de TODAS as categorias. Pelo bem da notícia, ele foi interditado deste post.

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Melhor Ator – DRAMA: Bob Odenkirk (Better Call Saul); Jon Hamm (Mad Men); Rami Malek (Mr. Robot); Wagner Moura (Narcos); Liev Schreiber (Ray Donovan).

Esta categoria também está embolada. Odenkirk é brilhante em Better Call Saul; Hamm tem a última chance de ser coroado pela última no Globo de Ouro pela sua incrível interpretação nas sete temporadas de Mad Men; Rami Malek é uma das revelações do ano, demonstrando em Mr. Robot a semente do que pode vir a torna-lo um grande ator; Wagner Moura – revelação extrema para os americanos -, nossa grande estrela e um dos maiores atores brasileiros de todos os tempos, criou um dos personagens mais icônicos de 2015, enfrentando o desafio de levar uma das maiores figuras do final do século passado para as telas com o máximo de genialidade possível, Pablo Escobar; e Liev Schreiber, um ator subestimado, continua mandando ver na também subestimada série Ray Donovan, onde interpreta com grande habilidade o personagem título. Previsões são complexas neste ponto, portanto vamos deixar apenas nossa torcida misturada com aposta. Sem patriotismo…

Nossa aposta é: Wagner Moura!

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Melhor Atriz – COMÉDIA: Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend); Lily Tomlin (Grace & Frankie); Gina Rodriguez (Jane the Virgin); Jamie Lee Curtis (Scream Queens); Julia-Louis Dreyfus (Veep).

É difícil dizer isso – principalmente em um páreo que tem Lily Tomlin e Gina Rodriguez com sua incrível performance em Jane The Virgin -, mas aqui a disputa tem uma grande favorita, provavelmente vencedora. Julia-Louis Dreyfus é um ídolo para a comédia americana, uma comediante sagrada desde Seinfeld e uma atriz repleta de talentos, inteligência e habilidade. É possível que ela não leve o Globo de Ouro? É. É provável? Não muito.

Nossa aposta é: Julia-Louis Dreyfus!

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Melhor Ator – COMÉDIA: Aziz Ansari (Master of None); Gael García Bernal (Mozart in the Jungle); Rob Lowe (The Grinder); Jeffrey Tambor (Transparent); Patrick Stewart (Blunt Talk).

Mais uma categoria repleta de grandes concorrentes da qual emerge um grande favorito: Jeffrey Tambor. Um dos maiores comediantes americanos da última década (seu trabalho em Arrested Development é impecável), Tambor ressurgiu em Transparent interpretando um papel super complexo e que exigiu não só um grande esforço cômico, como também um grande esforço dramático da parte de Tambor, em uma performance cheia de coragem e coração. Ainda por cima, ele estará defendendo seu cinturão: sem dúvidas, o lutador a ser batido.

Nossa aposta é: Jeffrey Tambor!

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Melhor Atriz Coadjuvante – Série/Minissérie/Filme para TV: Regina King (American Crime); Joanne Frogatt (Downton Abbey); Uzo Aduba (Orange is the New Black); Maura Tierney (The Affair); Judith Light (Transparent).

Uzo Aduba não é apenas uma das melhores atrizes de Orange is The New Black; ela é uma das melhores coisas da série – elemento evidenciado pela menor qualidade apresentada pela terceira temporada da série da Netflix. Portanto, por manter sua grande interpretação, por levar uma temporada fraca nas costas, em alguns momentos e por continuar inovando e adicionando novas camadas cômicas e dramáticas à já querida Crazy Eyes, nossa aposta não poderia ser diferente.

Nossa aposta é: Uzo Aduba!

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: Ben Mendelsohn (Bloodline); Christian Slater (Mr. Robot); Tobias Menzies (Outlander); Alan Cumming (The Good Wife); Damian Lewis (Wolf Hall).

Bloodline é, provavelmente, uma das séries mais subestimadas de 2015. Em seu primeiro ano, a série da Netflix apresentou grandes conflitos e tensões dentro de um contexto que parecia ter pouco ou quase nada a acrescentar. Grande parte dos êxitos e méritos da série vem da atuação extremamente bem construída de Ben Mendelsohn, uma das grandes revelações dos últimos anos e um dos melhores atores em séries neste ano, sem sombra de dúvidas.

Nossa aposta é: Ben Mendelsohn!

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Ficamos por aqui com nossa cobertura dos indicados ao Globo de Ouro 2016, cujos vencedores serão anunciados em janeiro! Até lá!

Os indicados ao Globo de Ouro 2016 – Parte 3!

gga

Renato Furtado

O seu site favorito em toda a internet (muito provavelmente atrás apenas do buzzfeed e da Netflix) leva cinema no nome mas não vive só das telonas! Justamente por isso, a terceira parte do nosso especial sobre o Globo de Ouro 2016 é sobre a telinha! Com as séries ficando cada vez mais profundas em questões técnicas, artísticas e de conteúdo, vivemos em um período que já é conhecido lá no ~estrangeiro~ como a era de ouro da televisão. Se você tem dúvidas sobre isso, é bem possível que as produções televisivas indicadas ao Globo de Ouro neste ano provem que esta é realmente a era de ouro. Vamos lá!

Melhor Série – DRAMA: Game of Thrones; Mr. Robot; Narcos; Outlander; Empire.

É verdade que a disputa sente a falta de séries que terminaram nos últimos anos como Breaking Bad e Mad Men, mas o fato é que a categoria dramática nunca sente falta, realmente, de grandes concorrentes. Neste ano uma produção titânica compete com recém-chegadas ou completas estreantes. Dentre estas cinco, duas saem com mais força: Game of Thrones é um dos maiores fenômenos de audiência e crítica de todos os tempos – merecidamente – e, ainda que este ano não tenha sido o melhor, é sempre uma forte concorrente. Por outro lado, Mr. Robot, que estreou neste ano, ganhou diversos elogios da crítica e provou-se um dos shows mais competentes e provocativos da atualidade – tudo isto em sua primeira temporada! Além disso, mantenham um olho aberto para Narcos (você pode conferir a nossa resenha sobre a série estrelada pela nossa estrela Wagner Moura aqui), que corre por fora com sua filosofia de “plata o plomo”.

Nossa aposta é: Mr. Robot!

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Melhor Série – COMÈDIA: Casual; Mozart in the Jungle; Orange is the New Black; Transparent; Silicon Valley; Veep.

Após um rápido olhar, a categoria de comédia (como sempre no Globo de Ouro, uma categoria pra lá de duvidosa, vide a presença de Orange is the New Black no meio da situação) apresenta logo dois fortes concorrentes: a defensora do cinturão, Transparent e Veep, uma das séries de comédia mais bem-sucedidas da HBO, estrelando uma das maiores comediantes americanas da atualidade, Julia Louis-Dreyfus. É evidente que Orange is the New Black (apesar da fraca terceira temporada) pode surpreender, mas é mais provável que Narcos seja a melhor chance da Netflix de levar um prêmio na categoria de shows este ano. Entre a brilhante interpretação de Jeffrey Tambor que carrega Transparent nas costas (apoiado, claro, por um elenco secundário incrível) e a comédia inteligente de Veep, a briga será grande.

Nossa aposta é: Veep!

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Melhor Série Limitada/Minissérie/Filme para a TV: American Crime; American Horror Story: Hotel; Fargo; Flesh & Bone; Wolf Hall.

Bem-vindos a mais uma esquisita categoria do Globo de Ouro (na verdade, uma categoria esquisita compartilhada pela maior parte das premiações para a televisão, incluindo o Emmy). Esta é a categoria onde entram todas as produções televisivas que não são consideradas séries de drama e nem séries de comédia “convencionais”. Ou seja: séries de antologia (onde cada temporada conta uma história diferente, como American Horror Story), minisséries e filmes para TV acabam caindo aqui – algo bastante problemático, visto que o tipo das produções é bem diferente. Mas, enfim, vamos seguindo. Todas as cinco produções fizeram grande barulho este ano. American Horror Story (sempre muito cotada para levar prêmios para casa) e Wolf Hall (minissérie que foi uma das surpresas do ano contando com uma performance brilhante de Mark Rylance) parecem ser grandes concorrentes; contudo, há um problema. Há um concorrente que será aquele “a ser batido”. Defendendo seu cinturão, no corner direito, Fargo. Em sua segunda temporada, a série baseada no clássico filme dos Irmãos Coen extrapolou as brilhantes ideias da primeira temporada, o que gerou a melhor temporada em séries de 2015 e colocou Fargo como uma das (senão a melhor) melhores séries da atualidade. Com um elenco maravilhoso liderado por Patrick Wilson e Kirsten Dunst (esta nunca esteve tão bom quanto aqui), direção, fotografia e roteiros excepcionais, Fargo defende o título com força e favoritismo – e ainda prova a teoria da era de ouro.

Nossa aposta (e torcida) é: Fargo!

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Amanhã, um post gigante com OITO categorias: as disputas de atuação. Continuem ligados!

 

Confira a lista completa de indicados aqui!

 

Os indicados ao Globo de Ouro 2016 – Parte 2!

gga

Renato Furtado

Se ontem falamos sobre os melhores filmes, os melhores diretores e os melhores roteiristas, hoje falaremos daqueles que são as verdadeiras faces dos filmes, aqueles que estão à frente das câmeras: os atores e as atrizes indicados às categorias de atuação principal e atuação coadjuvante! Temos estreantes no Globo de Ouro, temos grandes estrelas, veteranos, novatos e tudo mais um pouco. Se liga aí!

Primeiro, atrizes e atores principais.

Melhor Atriz – COMÉDIA: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso); Amy Schumer (Descompensada); Melissa McCarthy (A Espiã que Sabia de Menos); Maggie Smith (A Senhora da Van); Lily Tomlin (Grandma).

Assim como na categoria de melhor filme de comédia, descartamos as estrelas de Descompensada e de A Espiã que Sabia de Menos simplesmente por estarem em outro nível de competição, abaixo de suas concorrentes. Sobram três no páreo. Ainda que seja bom ficar com os dois olhos aberto para a genial Maggie Smith, ela deve correr por fora e a disputa acabará ficando entre Jennifer Lawrence e Lily Tomlin, um verdadeiro embate de gerações. Lawrence é querida por todas as academias e por todas as premiações, mas esse pode ser o ano de ressurgimento de Lily Tomlin (que também ganhou uma indicação por sua atuação na série Grace & Frankie, da Netflix).

Apostamos na vitória de: Jennifer Lawrence!

Melhor Ator – COMÉDIA: Matt Damon (Perdido em Marte); Steve Carell (A Grande Aposta); Christian Bale (A Grande Aposta); Mark Ruffalo (Sentimentos que Curam); Al Pacino (Não Olhe Para Trás).

Ainda que Al Pacino seja um deus do cinema e que Mark Ruffalo seja um dos ótimos atores da atualidade, eles provavelmente não terão muito chance, uma vez que seus filmes fizeram pouco barulho no mundo cinematográfico. A briga fica, então, entre dois colegas de filme e um “marciano”. Impulsionado por ótimas críticas e uma boa bilheteria, o superestimado Perdido em Marte dá uma boa chance a Matt Damon faturar uma estatueta. O problema é que seus competidores são atores tão bons quanto ele (Steve Carell e Christian Bale, este último superior aos dois concorrentes) em intepretações que vem fazendo barulho em A Grande Aposta. Bom páreo.

Nossa previsão é: Matt Damon!

Agora vamos ao drama!

Melhor Atriz – DRAMA: Saoirse Ronan (Brooklyn); Cate Blanchett (Carol); Rooney Mara (Carol); Brie Larson (Room); Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa).

Esta categoria dá uma boa ideia do que pode acabar acontecendo na categoria de Melhor Atriz Principal no Oscar deste ano. Todas as cinco são grandes atrizes com grandes chances de levar a estatueta para casa – atentem para o fato de que tanto quanto Blanchett quanto Mara foram indicadas à categoria principal, apesar dos esforços do estúdio promotor de Carol em separar as duas nas categorias de atuação. O fim do ano tem mostrado que Brie Larson parece levar uma leve vantagem em relação às suas competidoras; no entanto, não há nada garantido nessa disputa, que será uma das melhores desse ano. PS: senti falta de Charlize Theron na lista.

Nossa aposta é: Brie Larson!

Melhor Ator – DRAMA: Will Smith (Um Homem Entre Gigantes); Michael Fassbender (Steve Jobs); Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa); Bryan Cranston (Trumbo: Lista Negra); Leonardo DiCaprio (O Regresso).

Tanto aqui como no Oscar, tudo dependerá de como O Regresso for aceito. Tendo em vista que Fassbender e Redmayne (os maiores adversários de DiCaprio neste ano) estão em filmes que não atraíram muita atenção do público, um importante medidor neste fim de ano, as chances de DiCaprio levar tudo na temporada de premiações aumentam exponencialmente.

Nossa aposta é: Leonardo DiCaprio!

Por último mas não menos importante, os atores e atrizes coadjuvantes (que não são separados por categorias de drama e comédia)!

Melhor Atriz Coadjuvante: Kate Winslet (Steve Jobs); Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados); Helen Mirren (Trumbo: Lista Negra); Jane Fonda (Youth); Alicia Vikander (Ex-Machina).

Sério, o que falar dessa categoria? Cinco gênios da atuação, cinco atrizes de tamanho talento reunidas de uma tacada só em uma briga incrível. É tão difícil falar sobre as cinco – pelo fato de que todas tem grandes chances de levar o globo para casa – que vou deixar apenas a nossa humilde aposta logo abaixo.

Nossa (humilde) aposta: Jennifer Jason Leigh!

Melhor Ator Coadjuvante: Michael Shannon (99 Homes); Idris Elba (Beasts of No Nation); Mark Rylance (Ponte dos Espiões); Paul Dano (Love & Mercy); Sylvester Stallone (Creed – Nascido Para Lutar).

É terrível ter que eliminar algum nome dessa lista, mas embate é embate. Ainda que Michael Shannon e Paul Dano sejam atores incríveis (e absurdamente subestimados) e que Sylvester Stallone tenha entregado o que parece ser uma das atuações de sua vida, o páreo deve ficar entre a performance magnética e explosiva de Idris Elba e a interpretação suave e estruturada de Mark Rylance.

Nossa aposta é: Idris Elba!

 

A lista completa dos indicados você confere aqui!

Os indicados ao Globo de Ouro 2016! – Parte 1

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Renato Furtado

Depois da lista de indicações ao SAG (Screen Actors Guild, o sindicato de atores dos Estados Unidos), foi a vez do Globo de Ouro divulgar, na quinta-feira da semana passada, a sua lista de indicações! A associação da imprensa internacional que realiza a premiação voltada para o cinema e para a televisão (a segunda nos dois âmbitos, atrás do Oscar e do Emmy em cada campo) soltou sua lista e colocou mais pressão nas rodadas de apostas de cinéfilos por todo o mundo, esquentando os motores para o dia 14 de janeiro, dia em que a lista de indicações ao Oscar será anunciada!

Portanto, vamos analisar algumas das indicações ao Globo de Ouro (principalmente as de cinema, evidentemente), uma forte prévia para o Oscar!

Antes de mais nada, vamos começar explicando a situação: o Globo de Ouro divide sua categoria de Melhor Filme em Drama e Comédia – esta última uma categoria que é praticamente para alocar filmes coringas ou para desafogar a categoria de Drama, já que as escolhas são sempre questionáveis, como veremos a seguir.

Melhor Filme – DRAMA: Mad Max: Estrada da Fúria; Carol; O Regresso; Spotlight – Segredos Revelados; O Quarto de Jack.

A grande e grata surpresa nesta categoria foi a inclusão de Mad Max, uma vez que a maioria dos votantes dessas premiações costuma torcer o nariz para filmes de ação – mesmo sabendo que Mad Max é MUITO mais que apenas um filme de ação. Esta indicação ao que considero ser o melhor filme do ano aumenta e muito as chances de uma indicação ao Oscar (especialmente se tivermos mais de cinco indicados a melhor filme em 2016). Quanto aos outros quatro, nenhuma novidade. Todos estavam previstos para serem indicados, foram e são fortes concorrentes.

Nossa torcida (e aposta) vai para: MAD MAX!

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Melhor Filme – COMÉDIA: Joy: O Nome do Sucesso; Perdido em Marte; Descompensada; A Grande Aposta; A Espiã Que Sabia de Menos.

Perceberam a anomalia dessa categoria? É a categoria mais insanamente maluca de todos os tempos. Vamos lá: pelo menos três dos filmes indicados definitivamente não são comédias. Ainda que Joy (novo filme de David O. Russel), Perdido em Marte (que é um filme muito superestimado) e A Grande Aposta apresentem ou venham a apresentar momentos mais descontraídos (não digo nem momentos cômicos) ou leves, esses três filmes – fortes candidatos a receber uma indicação ao Oscar – não tem a menor graça. Por isso, Comédia não é a categoria certa para eles. Olhando para as comédias: não vi Descompensada, mas não acredito que possa brigar de igual para igual – independente da categoria – com os três filmes citados anteriormente. A Espiã Que Sabia de Menos? Filme divertido, mas só. Prêmio de categoria bizarra do ano vai mais uma vez para Comédia do Globo de Ouro.

Nossa previsão é: Joy: O Nome do Sucesso!

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Melhor Diretor: Todd Haynes (Carol); George Miller (Mad Max: A Estrada da Fúria); Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados); Ridley Scott (Perdido em Marte); Alejandro González Iñarritu (O Regresso).

Essa categoria é briga de cachorro grande. Aqui não tem espaço para brincadeira não e todos os indicados tem grandes chances de ganhar e, como sempre, a decisão pode vir atrelada à escolha do Melhor Filme (é comum, tanto no Oscar quanto no Globo de Ouro, que o Melhor Diretor seja o realizador do Melhor Filme). Olhando para a categoria em questão específica de méritos técnicos, capacidade de desenvolvimento narrativo e criação de uma atmosfera singularmente explosiva de mentes, apostamos que a disputa ficará mesmo entre George Miller e Iñarritu, dois diretores de estilos muito distintos, mas de capacidades gigantescas. Usar 10% de efeitos especiais em um filme em pleno 2015 e fazer todas as sequências de ação ao mesmo tempo em que conta uma história com subtextos extremamente complexos é coisa para poucos e Miller provou-se um mestre nessa arte. Por outro lado, as habilidades de Iñarritu são titânicas e o que o diretor realizou em seus dois últimos filmes (principalmente em Birdman) é de uma beleza estética e de uma maturidade narrativa que também não se acha em qualquer um.

Nossa aposta é: Alejandro González Iñarritu!

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Melhor Roteiro: Emma Donoghue (O Quarto de Jack); Tom McCarthy e Josh Singer (Spotlight – Segredos Revelados); Aaron Sorkin (Steve Jobs); Charles Randolph e Adam McKay (A Grande Aposta); Quentin Tarantino (Os Oito Odiados).

Diferentemente da categoria de melhor diretor, a categoria de melhor roteiro costuma premiar diretores cujos filmes são filmes especiais e incríveis, mas passam do ponto estabelecido pelo gosto dos jurados. Ou seja, se um filme é muito diferente (seja lá o que diferente signifique) acaba tendo mais chances de ganhar roteiro do que filme. Aqui, três dos filmes indicados estão concorrendo em uma outra categoria de Melhor Filme, deixando o embate entre dois dos mais talentosos roteiristas de nossos tempos: Aaron Sorkin e Quentin Tarantino. Uma vez que nem Steve Jobs nem Os Oito Odiados foi indicado para nenhuma das grandes categorias, é bem provável que a briga seja decidida entre esses dois gênios.

Nossa aposta é: Quentin Tarantino!

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Melhor Filme de Animação: Divertida Mente; Shaun, o Carneiro; O Bom Dinossauro; Peanuts; Anomalisa.

Não vamos nos demorar muito aqui, o favorito e nossa aposta e nossa torcida convergem no mesmo filme, então, não percamos tempos. (Para mais informações vocês podem ler nossas previsões para o Oscar de melhor filme de animação aqui).

O GANHADOR DE TUDO, DE NOSSOS CORAÇÕES, O ÚNICO FILME QUE TEM O BING BONG: DIVERTIDA MENTE!!!!

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Confira aqui a lista completa de indicados!

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