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NOTA: 7 / Esperanza Mariano

Dirigido por Billy Ray, “Olhos da Justiça”, é uma refilmagem do vencedor do Oscar de 2010, na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, “O Segredo dos Seus Olhos”. Por um grande acaso, ou despreparo, fui assistir ao longa sem informações alguma, inclusive a de que a obra era um remake do filme argentino. Felizmente, neste caso, acho que a ignorância foi minha aliada. O filme é um thriller que surpreende aos despreparados e o material inédito para mim fez com que eu me esforçasse um pouco mais para gostar dele.

Quando o filme começa, estamos em 2015 e somos apresentados ao personagem Ray (Chiwetel Ejiofor), um ex-agente do FBI que jura ter encontrado um assassino foragido há mais de uma década. Ele então retorna ao seu antigo escritório para tentar reabrir o caso, com a ajuda da supervisora, Claire (Nicole Kidman), por quem nutre uma paixão nunca declarada, e sua antiga parceira de trabalho, Jess (Julia Roberts). Para entendermos o que levou os personagens àquele momento, o longa irá se alternar entre 2015 e 2002, o ano do assassinato.

Chiwetel Ejiofor faz um ótimo trabalho, o que já era de se esperar, mas não se compara com a colega de cena Julia Roberts. A atriz nos entrega uma performance tocante e excelente. Amor e tristeza emanam de sua personagem e ela não hesita em momento algum. As mudanças físicas de Jess não são tão surpreendentes assim a primeira vista, mas ao lado da atuação densa e comprometida da atriz, se tornam um detalhe assustador. “Você parece ter mil anos”, diz Ray em uma das cenas – e é verdade. Já Nicole Kidman tem um desempenho bom, levando em conta que sua personagem não exigia muito. Contudo, a atriz consegue se destacar em uma cena particular que, ouso dizer, vale pelo filme todo.  Outro nome que deve ser citado é o de Dean Norris. Mais conhecido pelo seu trabalho em Breaking Bad, o ator dá vida a um personagem que deixa o filme descontraído e mais leve.

No fim, deixei o cinema sem saber se havia ou não gostado do filme. Sabe quando você se diverte e fica agoniado durante aquelas duas horas tão preciosas, mas quando as luzes do cinema finalmente se acendem você sente um grande nada, mesmo depois de toda a agonia durante o filme? “Olhos da Justiça” me deixou assim. Não precisei, portanto, de muito tempo para me decidir: o longa é um desperdício de boas atuações e diálogos inteligentes. Não consegui entender o motivo de fazer uma refilmagem do filme em tão pouco tempo, além da famosa preguiça dos americanos para assistir filmes estrangeiros. É preciso que alguém mastigue a história e faça a versão sem legendas para agradá-los e, claro, fazer dinheiro.

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