Confira as críticas sem spoilers dos nossos manos.

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#FALA CAIO

Nota: 9,5

Em determinado momento, após o fim da exibição deste O Despertar da Força, me lembro de ter olhado para o meu mano Renato e ter dito para ele que: “se eu desse a nota agora, seria 13″. Esta constatação era apenas o reflexo de um jovem exposto ao frisson de ter acabado de assistir a um dos filmes mais poderosos do ano. E por poderosos, eu digo não apenas pela indiscutível qualidade da produção, mas por toda a atmosfera criada pelo verdadeiro império da saga, que foi se tornando mais relevantes durante os seus quase 40 anos. Nesta resenha, nada de spoilers. Mas vamos falar um pouco sobre o filme.

Primeiramente, todas as honras para J.J. Abrahams. Visionário, o diretor é o maior dos responsáveis pelo sucesso do novo longa. Ele entrega talvez o mais bem dirigido filme da franquia. Com ele, esquecemos a baboseira digitalizada que foram os filmes da segunda trilogia – com a leve exceção de A vingança dos Sith. O comandante tem todo o controle da loucura de outro planeta que é colocar milhares de naves em uma corrida na galáxia. Simplesmente sensacional. J.J. é um dos maiores diretores de sua geração e merece cada parte do seu sucesso.

Tecnicamente impecável, Star Wars – O Despertar da Força não evidencia em momento algum o quanto a produção foi corrida. Durante a press conference do elenco e equipe, semana passada, em Los Angeles, o ator Andy Serkis confidenciou que começou os trabalhos no filme sem saber o visual de seu personagem. De nada atrapalhou. Talvez em alguns momentos meu coração pedisse um pouco mais de tempo para digerir situações do roteiro. Mas, ok. NADA DE SPOILERS.

Uma das maiores dúvidas sobre a produção destes novos filmes, o elenco “mata a cobra e mostra o sabre de luz”. Daisy Ridley é a melhor dos novatos. Sensacional. Boa atriz de ação, dá conta do drama de sua misteriosa personagem – além de ser muito bonita aka minha futura esposa. perdão bruna marquezine. Enquanto isso, John Boyega, Oscar Isaac e Adam Driver correm atrás, bem de perto, entregando excelentes atuações – embora Oscar sofra com o desenvolvimento irregular de seu personagem. Já dos veteranos, Harrison Ford supera as expectativas e retorna ao manto de Han Solo como se o tempo não tivesse passado. Beeeeeem diferente de quando interpretou um cansado e descaracterizado Indiana Jones. Carrie Fisher e o restante do elenco clássico também esbanja identificação com seus personagens – e cada cena com eles, é um deleite para os fãs.

Eu poderia falar aqui pra sempre, se eu tivesse a liberdade de começar a dar spoilers para vocês, queridos leitores. Mas esse momento virá. Até lá, posso dar um spoiler do meu coração. Que Bing Bong não me ouça, mas acho que o BB-8 conquistou o lugar de coisa inanimada preferida do Caio.

Um filme espetacular, um espetáculo sensacionalmente orquestrado e pronto para ser apreciado por seu público. Longa vida a Star Wars 🙂

#FALA RENATO

Nota: 9

Para começo de conversa: o sétimo episódio da franquia Star Wars é tudo o que você espera e mais um pouco. Está tudo lá e quando chegamos à já célebre cena mostrada no trailer onde Han Solo diz “Chewie, estamos em casa”, é assim que o espectador se sente também. A casa está um pouco diferente, é verdade, mas, no fim das contas, ela é a mesma de antes, sua essência está lá, suas fundações são as mesmas e o seu espírito de “lar, doce lar” é mais forte do que nunca. Tudo isto faz com que O Despertar da Força seja, sem sombra de dúvidas, o melhor filme da franquia desde a década de 80.

O mote do novo episódio é simples: acompanhamos a saga de Poe Dameron (Oscar Isaac), Finn (John Boyega), Rey (Daisy CASA COMIGO POR FAVOR NOVA PAIXÃO DA MINHA VIDA Ridley) e todos os outros personagens que já amamos como Han Solo e Chewbacca versus as forças do lado sombrio de Kylo Ren (Adam Driver) e do General Hux (Domnhall Gleeson), enquanto nossos heróis precisam completar uma missão de busca que é o principal objetivo deles na trama (objetivo explicado logo nos lindos e clássicos créditos iniciais). Logo, fiquem tranquilos: tudo que está aí acima está nos trailers – já que este maravilhoso texto está livre da praga dos spoilers.

Portanto, falarei mais do que senti vendo o filme. Antes de mais nada, se você é um alienígena e está realmente considerando NÃO ver este filme, reconsidere sua vida. Além disso, se você está realmente considerando NÃO ver este filme nos cinemas, ponha a mão na consciência. A experiência de ver um episódio da saga Star Wars é indescritível, ainda mais quando todo a plateia está com o mesmo espírito – o de amar e de se emocionar com todo o coração e alma – é verdadeiramente incrível. Pessoas que não se conhecem, que nunca se viram na vida, que vieram de histórias, juntas para assistir e amar com tanta vontade um filme. Talvez por isso o cinema seja tão mágico e tão encantador.

Obviamente, ajuda quando toda sua equipe é tão talentosa quanto a equipe deste episódio. A direção de JJ Abrams é mais do que competente e toda a dinâmica construída pelo seu trabalho confere uma unidade narrativa crucial à trama – talvez este seja o melhor filme do diretor. Claramente, a trilha sonora de John Williams dispensa comentários, sendo genial como sempre. O que vale destacar, especialmente, é a fotografia de Dan Mindel – colaborador de Abrams nos dois Star Treks. Os planos criados por Mindel são muito belos, utilizando a iluminação com grande inteligência e as paisagens como se fossem retiradas de filmes de faroeste de John Ford, os personagens diminutos em relação ao tamanho esmagador dos cenários à sua volta.

Além disso, outro grande trunfo do filme é o elenco – infinitamente melhor em relação aos elencos dos outros episódios -, perfeitamente sintonizado e consciente dos limites e trunfos de seus papeis. Daisy Ridley é uma das revelações do ano; John Boyega e Oscar Isaac enchem a tela com carisma; Adam Driver e Domnhall Gleeson – ainda que este seja subutilizado – conferem maldade suficiente a seus papeis para que possamos temer de verdade pelas vidas de nossos heróis; Max von Sydow é sempre uma presença incrível em cena; e, é claro, ver Harrison Ford ao papel que o consagrou e que – juntamente a Indiana Jones – o colocou na história do cinema, é simplesmente maravilhoso.

Ainda que algumas coisas não sejam novidade para os fãs da série em termos de narrativa e de tramas, o sétimo episódio de Star Wars é novidade por todos os méritos mencionados acima, sendo muito superior em termos técnicos a todos os outros episódios. A técnica aliada à emoção e a grande capacidade de JJ Abrams como um verdadeiro e competente narrador fazem com que O Despertar da Força seja um dos melhores filmes de 2015, um dos melhores filmes da saga e motivo mais do que suficiente para continuarmos acreditando que a série Star Wars ainda tem magia suficiente para nos encantar por gerações e gerações. Um filme que já é um clássico.

À esquerda, Renato Furtado. Do ladin, Caio César.
À esquerda, Renato Furtado. Do ladin, Caio César.
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