osc

Renato Furtado

Chegamos ao fim do ano de 2015, ao último final de semana de um ano peculiar, conturbado, longo e complicado. Os últimos momentos vem trazendo o ano que já vem logo ali depois da curva. Cinematograficamente falando, isso quer dizer que estamos cada vez mais próximos da data de anúncio dos indicados para o Oscar 2016! Por isso, neste último fim de semana de 2015, vamos falar sobre uma das categorias mais importantes da premiação. Para esquentarmos ainda mais os motores, trazemos hoje a nossa previsão para os cinco indicados que vão disputar o prêmio de Melhor Diretor!

Historicamente, o melhor filme tem o melhor diretor. Apenas em algumas ocasiões o melhor diretor não era o diretor do melhor filme. Recentemente, tivemos dois anos seguidos (2013 e 2014) com esta peculiaridade e, ainda que possamos alegar os mais diversos motivos para a escolha da Academia, o certo é que nestes dois anos, os diretores vencedores eram os diretores dos filmes mais técnicos – Ang Lee por A Vida de Pi em 2013 e Alfonso Cuarón por Gravidade em 2014. Se levarmos em conta que o melhor diretor de 2015 – Alejandro G. Iñarritú – também foi o diretor do filme mais técnico (além de ser o diretor do melhor filme), será que é possível encontrarmos um padrão? Isto é o que veremos a seguir!

5) O Odiado – Quentin Tarantino (Os Oito Odiados)

tarantino

Quando todos acreditam que ele não pode se superar, ele se supera. Quando todos acreditam que ele não tem mais caminhos para criar com sua megalomania contagiante, ele frustra todos os haters. Quando todos acreditam que ele não tem mais nada para mostrar, ele prova o contrário. Este é Quentin Tarantino, um dos diretores mais ousados e criativos de todos os tempos. De volta com um faroeste – um de seus gêneros favoritos -, Tarantino continua em grande estilo. Os Oito Odiados foi filmado em 70mm – exatamente como eram filmados os épicos das décadas de 50 e 60, como Ben-Hur e Lawrence da Arábia – e o diretor fez questão de fazer de seus mais novo filme um verdadeiro espetáculo de proporções titânicas. Com mais de três horas de duração, com sangue voando para todos os lados, diálogos afiados como sempre e trilha sonora de Ennio Morricone, o novo filme de Tarantino é o épico cinematográfico moderno.

PS: A maioria dos apostadores e críticos prevê Ridley Scott na disputa pelo Oscar no lugar de Tarantino. Discordamos respeitosamente. Somos mais Tarantino.

4) O Maestro: Todd Haynes (Carol)

Todd Haynes

 

Em Carol, a palavra de ordem é elegância. Para dirigir e conduzir uma história complexa, sutil e sensível sobre o complicado amor de duas mulheres em meio ao conservadorismo exacerbado da sociedade norte-americana da década de 50 (não que hoje seja muito diferente, diga-se de passagem) com tanta precisão e inteligência, só mesmo Todd Haynes, um verdadeiro maestro que torna a narrativa de Carol quase uma partitura de música clássica, forte, elegante, bela e singela, extraindo o melhor possível de duas atrizes brilhantes: Cate Blanchett e Rooney Mara.

3) O Furioso: George Miller (Mad Max: A Estrada da Fúria)

georgemiller.jpg

Não é erro algum dizer que Mad Max: A Estrada da Fúria é, ao mesmo tempo, a maior surpresa e o melhor filme do ano de 2015. Quando mais ninguém dava nada para a franquia outrora bem-sucedida e, até o início desse ano, quase tão falida quanto a popularidade seu antigo astro, Mel Gibson, eis que surge o quarto filme da saga. George Miller, no auge dos seus setenta anos, renova e inova e cria aquela que é sua obra-prima, um dos melhores filmes da década e um dos melhores filmes de ação de todos os tempos – 90% das cenas de ação foram feitas fisicamente, sem uso de efeitos digitais! Feminista (um dos motivos para o filme ser tão bom quanto o é) até o osso, Estrada da Fúria é uma verdadeira aula de como dirigir um filme, de como construir uma narrativa épica sobre uma trama simples; é mais do que um filme: é também um ensaio político sobre a nossa sociedade, sobre o fascismo, sobre liberdade e sobre a força das mulheres  – que dominaram 2015 e que vão dominar 2016, 2017, 2018 e por aí vai, graças aos deuses do cinema!

2) O Campeão: Alejandro González Iñarritú (O Regresso)

the-revenant-leonardo-dicaprio-alejandro-gonzalez-inarritu

Eis aqui o homem a ser batido. Depois da proeza técnica de Birdman (sua obra-prima até o momento), Iñarritú mudou-se para as planícies geladas do Canadá e trouxe à tona a história de Hugo Glass, um aventureiro que foi deixado para morrer e que praticamente ressurgiu das cinzas em busca de vingança. Escreve ótimos roteiros, constrói estéticas cinematográficas belíssimas, estrutura planos como ninguém (em sua carreira trabalhou com o incrível fotógrafo Rodrigo Prieto e agora com o surrealmente genial Emmanuel Lubezki) e extrai performances brilhantes. Se com Michael Keaton o diretor fez o que fez, imaginem o que ele pôde fazer tendo nas mãos Leonardo DiCaprio e Tom Hardy. Se a Academia mantiver a ideia de premiar o diretor mais técnico ou se por algum motivo contrair certo tipo de preconceito em relação ao favorito ao prêmio, a estatueta provavelmente será do mexicano. Novamente – se ele vencer neste ano, se tornará o terceiro diretor, depois de John Ford e Joseph L. Mankiewicz, a receber o Oscar duas vezes consecutivas.

1) O Favorito: Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

151026_MOMENT_GettyImages-492203314.jpg.CROP.promo-xlarge2.jpg

Quem diria que o homem que dirigiu um filme do Adam Sandler também dirigiria o filme que tem mais chances de ganhar o Oscar de Melhor filme no mesmo ano? É, ninguém em boa consciência afirmaria algo tão absurdo quanto isso. Mas, o fato é que isso acabou acontecendo: Tom McCarthy – um ótimo e ainda pouco conhecido diretor de filmes como O Agente da Estação e O Visitante – dirigiu Spotlight, narrando uma história complexa que envolve os abusos cometidos por padres católicos em Boston e, após os incríveis resultados de seu mais novo filme, credenciou-se como o favorito da disputa neste ano. Dispondo de um elenco brilhante nas mãos e de um roteiro poderoso, McCarthy entra na disputa à frente de seus concorrentes e tem boas chances de fazer história – como o único diretor a comandar Adam Sandler em um filme horroroso e ganhar um Oscar na mesma vida. No entanto, a Academia é cheia de preconceitos – formada majoritariamente por industriais do cinema, não poderia ser diferente – e isso pode dificultar o caminho de McCarthy. Se ele for visto como um diretor menor, “capaz” de realizar apenas filmes independentes ou comédias ridículas com Sandler, ele corre o risco de sequer ser nomeado – como aconteceu com Ben Affleck, que sofreu um grande revés da Academia ao não ser indicado à categoria de Melhor Diretor, quando claramente merecia ter sido indicado. Contudo, vamos torcer para que tudo corra bem e que a Academia seja inteligente – para variar – o suficiente para nomear McCarthy. Com ele no páreo, a disputa se torna uma das mais interessantes dos últimos anos.

Anúncios