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NOTA: 7 / Por Caio César

Um dos maiores paradoxos que podem acontecer no mundo, se dá quando uma sucessão de bons resultados gera uma expectativa altíssima por uma ação pontual. A frustração pode mascarar o “algo” como sendo inferior ao que realmente é. Exatamente o que ocorre quando a Pixar lança um filme que não é uma obra prima. Esse cenário se repete neste novo filme, sobre um dinossauro que, após uma tragédia, precisa reorganizar sua vida.

Prejudicado pela memória recente do sensacional Divertida Mente, o filme parece não querer ir muito além. A história de Arlo e Spot, dinossauro e criança que se torna seu amigo na aventura, tem um conceito bastante intrigante: e se os dinossauros não tivesse morrido na queda do asteroide à Terra?” Entretanto, o roteiro jamais decola, de fato. O que se vê na tela é uma sucessão de encontros na natureza, de personagens que entram e saem da história – sem que exista algo para realmente fazerem. Neste ponto, os únicos que se salvam são os dois amigos protagonistas. A relação de companheirismo dos dois é construída de maneira orgânica e todas as suas cenas são muito bonitas, principalmente a que um introduz os membros de sua família ao outro, em uma cena tocante e inventiva, já que o humano não tem a habilidade de falar.

Roubando a cena desde o primeiro segundo de projeção, o visual do filme é arrebatador. A Pixar alcança o ponto mais alto de seu brilhantismo técnico entregando um filme tecnicamente impecável, com cenários hiperrealistas que parecem fotos da melhor qualidade. Um desafio, aliás, já que montar digitalmente um mundo que precisa parecer pequeno para um dinossauro deve ser um feito e tanto. Como nunca antes visto, a excelência da animação da  produtora salta aos olhos do espectador em cada frame. Destaque também para a trilha sonora, gravada pelo mesmo compositor de Life of Pi, de Ang Lee.

No Finn (star waaaaars) das contas, o filme [e uma embalagem estonteante para um presente não muito interessante. Entretanto, nos momentos em que foca nos personagens principais e seus dilemas, o longa funciona tanto que até arrancou minhas primeiras lágrimas de 2016. Nesses instantes, fica a sensação de que o filme tinha um potencial enorme, desperdiçado em meio à uma sucessão de falhas na produção e à uma execução equivocada. Uma pena, não é ruim e ponto. Poderia ser bem melhor.

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