onda

Por Caio César

NOTA: 4

Quando despontou para o sucesso no filme Kick-Ass, onde interpretava a bad ass Hitgirl, Chloe Grace Moretz chamou a atenção do mundo todo por uma interpretação vigorosa – um prenúncio do nascimento de uma grande estrela. O talento da atriz é inegável e ela voltou a mostrar isso em produções com Deixe-me Entrar, mas, vem sendo constantemente sabotada por escalações em personagens que, visivelmente, não se encaixam com seu perfil, seja de idade ou físico. Ela é, ao mesmo tempo, umas das melhores e piores coisas desse novo A 5ª Onda, ficção roteirizada pelo ganhador do Oscar Akiva Goldsman, a partir de um livro infanto-juvenil.

A premissa até que é simples. Um ataque alienígena é orquestrado por forças extraterrestres que recebem o nome de “os Outros”. Eles estão baseados na cidade de Cassie. Cada novo ataque à Terra é chamado de ondas. Não demora muito para que eles percebam quatro desses ataques em diversas esferas da vida terrestre: os animais, os níveis do oceano, as comunicações, as pragas. O quinto ataque seria a cartada final para a destruição da vida humana: parasitar o cérebro de humanos e habitar em seus corpos. Algumas crianças são escolhidas para atuar em uma espécie de exército da resistência, mas eventos vão mudar o curso todo da vida dos pequenos.

Essa sinopse revela quão boa a premissa do filme é. Tecnicamente, o futuro distópico é algo já repetitivo, mas a história é bem interessante. Some à isso um começo de filme realmente muito bom, com dez minutos bem tensos e uma ambientação digna de um filme acima da média. Pena que Hollywood adora estragar expectativas. O que se vê a partir daí é um caldo de colagens de tudo que funciona em filmes para adolescentes – incluindo um MAIS QUE improvável interesse romântico que serve apenas para fazer com que as pessoas achem tudo ainda mais inverossímil.

Aliás, qual é a real necessidade/probabilidade de se apaixonar em um ambiente de tamanha desgraça?! Não me entenda mal, eu acredito no amor. Mas sinceramente, eu acho que distante da minha família, em um ambiente apocalíptico, com desgraça acontecendo em todos os cantos A ÚLTIMA COISA A SE PENSAR É EM UMA PAIXONITE. Me julguem.

Chloe é completamente sabotada por um papel que exige a carga emocional de alguém mais velho, coisa que ela, aos seus 17 anos na época da filmagem, não tem. Aliás, incorre aqui o mesmo erro do filme Carrie, que a escalou como protagonista e a rodeou de atores bem mais velhos – fazendo com que algumas situações se tornem quase que constrangedoras, tal qual suas cenas românticas com o insosso Alex Roe, que oito anos mais velho, parece quase um tio distante do que um namorado. MUITO ESTRANHO ISSO

Nick Robinson, de Jurassic World, parece sempre estar com vontade de entregar mais do que parece ser possível, mas acaba a projeção com mais débito que crédito. Tal qual Liev Schreiber e Maria Bello, que interpretam caricaturas das caricaturas das caricaturas.

De bom mesmo, e bom de verdade mesmo, muito bom só a decisão da direção por não ter pena de seus personagens, nem mesmo as crianças, e, em um ambiente tão imediatista, matar sem dó quem tem que morrer. Embora sem uma gota de sangue, para não aumentar a classificação indicativa, as cenas de ação são bem construídas e a tensão é real na tela. Entretanto, isso não exime o diretor J. Blakeson da breguice em certos momentos da projeção – incluindo um plano beeeeem bizarro que inclui “prints” da tela no cruzamento do olhar de dois personagens. É gente…

Embora conclusivo, este “A 5ª Onda” está apenas esperando os resultados de bilheteria para dar início a produção de sequências. Eu apostaria em uma melhora de qualidade para os próximos filmes, e estaria interessado por causa da história, que é, de fato, cativante. Mas, à julgar pela recepção negativa da crítica americana, o filme deve flopar e enterrar de vez a franquia.

Culpa da Chloe. Tadinha. 

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