Renato Furtado

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Falta pouco mais de um mês para a noite de premiações do Oscar. Em meio a inúmeras controvérsias e todo a discussão gerada pelas indicações, todo sábado traremos nossas previsões para vocês, além de materiais especiais comentando os principais tópicos relacionados à premiação. Hoje, as categorias melhor atriz coadjuvante e melhor ator coadjuvante.

Melhor Atriz Coadjuvante

Esta é uma das melhores categorias deste ano: todas as cinco indicadas possuem chances de ganhar e quase todas as indicadas são atrizes excepcionais, colocando-se facilmente entre as melhores de suas gerações. O grande estranhamento da categoria talvez fique por conta de Rachel McAdams, que é uma atriz que está crescendo na carreira agora que começou a realizar papeis mais dramáticos (o fracasso da segunda temporada de True Detective só não foi maior por causa de sua participação), que possui grande potencial e que está muito bem em Spotlight – Segredos Revelados, mas não bem o suficiente para ser indicada ao Oscar.

De resto, indicações muito boas e plausíveis. Jennifer Jason Leigh caiu como uma luva no papel escrito para ela em Os Oito Odiados. Interpretar uma criação de Tarantino não é tarefa fácil, principalmente por conta dos diálogos, mas Leigh traz profundidade e talento à personagem, suficiente para roubar a cena em diversos momentos.

A mais nova do grupo, Alicia Vikander, mostrou em 2015 que tem grandes chances de ser considerada uma das melhores atrizes em atividade dentro de pouco tempo. Sua atuação fenomenal no genial Ex-Machina, sua performance cômica e divertida em O Agente da U.N.C.L.E. e sua interpretação cuidadosa, detalhada e bem construída em A Garota Dinamarquesa fizeram com que Vikander chamasse bastante atenção para os seus talentos dramáticos.

Apesar disso tudo, a briga pela estatueta deve ficar mesmo entre Kate Winslet e Rooney Mara. A primeira, genial atriz de talento reconhecido mundialmente, uma das melhores dos últimos anos, constrói uma personagem incrível em Steve Jobs e é o contraponto perfeito ao personagem de Fassbender no filme. Ela venceu esta categoria no Globo de Ouro, mas a baixa relevância dessa premiação e o fato de que a Academia não tornou-se muito fã do filme Steve Jobs (o brilhante trabalho de Aaron Sorkin sequer foi reconhecido) pode pesar para que ela perca a estatueta. O outro empecilho para mais uma vitória de Winslet é justamente Rooney Mara, que é simplesmente brilhante e inacreditável como Therese Belivet em Carol. São tantas as nuances e profundidades que ela carrega para o filme e demonstra em sua personagem que fica difícil não se apaixonar por seu trabalho. Portanto, nossa aposta é…

Rooney Mara!

rooney

 

Melhor Ator Coadjuvante

Sem sombra de dúvidas, a maior controvérsia no mundo cinematográfico no momento é o total descaso da Academia em relação aos artistas negros – há, inclusive, um boicote à premiação sendo promovido por pessoas como Spike Lee, Will Smith e Jada Pinkett-Smith e a presidente da Academia, que é negra, reconheceu a problemática e divulgou uma carta afirmando que esse assunto seria tratado com a máxima urgência para as premiações futuras, especialmente através da reestruturação dos membros votantes, almejando incluir nos membros da Academia, membros que representem todas as etnias, por exemplo.

Enquanto isso é algo que ainda gerará muitos debates – que esperamos que façam com que a Academia acabe com essa “brancura” dos Oscars e comece a reconhecer os artistas negros, de fato -, precisamos trabalhar com a situação que temos. Talvez a categoria de melhor ator coadjuvante seja uma das mais problemáticas: a falta de Idris Elba em meio aos indicados é absurda. Seu trabalho é um dos melhores esforços de atuação do ano e ele poderia facilmente estar no lugar de qualquer um dos outros atores indicados, já que seria o ator mais qualificado do ano a vencer o prêmio. Aprofundaremos mais este tópico em outra ocasião.

Vamos aos cinco: Mark Rylance, Mark Ruffalo, Christian Bale, Tom Hardy e Sylvester Stallone são um elenco de altíssimo nível. Dos dois Marks, é difícil selecionar o melhor. Em performances extremamente distintas, Rylance (mais calmo e frio como o espião soviético em Ponte de Espiões) e Ruffalo (o jornalista implacável e esforçado de Spotlight), ambos nos deram interpretações incríveis e podem facilmente ganhar o prêmio. Para o lado de Ruffalo, pesa que Spotlight é um dos filmes mais queridos pela Academia neste ano.

Há também, evidentemente, a presença de Stallone. Em Creed, o bom e velho Sly entrega a melhor performance de Rocky em toda sua carreira, tão boa quanto a primeira “versão” do personagem lá nos idos de 1976. Ele é ótimo no filme e a firme direção de Ryan Coogler – que poderia ter sido indicado como Melhor Diretor no lugar de Tom McCarthy, por exemplo – faz com que Sylvester Stallone seja um bom concorrente neste ano. Além disso, ele é bem querido pela comunidade cinematográfica e ganhou o Globo de Ouro – ainda que isto não signifique muitas coisas.

A disputa deve ficar mesmo entre Bale e Hardy. O primeiro rouba todas as cenas que aparece em A Grande Aposta e serve como um dos motores e pilares do filme. O personagem é excêntrico, tem um olho de vidro, toca heavy metal na bateria e Bale faz com que gostemos dele a cada cena – apesar e por causa de todas as suas características. Facilmente, um dos melhores atores em atividade no momento. Assim como Kate Winslet, o único empecilho para Bale vencer seu segundo Oscar é a performance de Tom Hardy. O Regresso é um dos filmes favoritos da Academia neste ano e a interpretação de Hardy, de tão alto nível quanto a de DiCaprio – que enfim deve ganhar seu merecido Oscar – pesa bastante para o lado de Hardy, que vem entregando papeis melhores e mais importantes a cada ano. Além disso, ele é o novo Mad Max. Depois de Estrada da Fúria, fica difícil não deixar nossa aposta em…

Tom Hardy!

tom hardy

Por hoje é só, sábado que vem tem mais!

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