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Papo reto sobre a Sétima Arte

mês

fevereiro 2016

Os ganhadores do Oscar 2016!

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Renato Furtado

Agora foi! 2015 está oficialmente terminado, cinematograficamente falando pelo menos. O motivo? Bom, se você vive em outro planeta ou debaixo de uma pedra, eu tenho que responder a pergunta: os ganhadores do Oscar foram anunciados ontem! E, com o anúncio, chegou também ao fim, nossa cobertura sobre o prêmio mais esperado da temporada cinematográfica. Foram mais de seis meses de acompanhamento intenso do blog – a cobertura do Oscar tem a mesma idade do Cinema2Manos, para vocês terem uma ideia. Portanto, sem mais delongas, vamos ao que interessa!

Antes, um spoiler: o gênio Ennio Morricone, um dos maiores de todos os tempos, revolucionário, venceu seu merecido Oscar, Trilha Sonora Original em Os Oito Odiados!!!

Melhor Ator/Atriz/Ator Coadjuvante/Atriz Coadjuvante

Em uma das corridas mais disputadas, Alicia Vikander levou a melhor sobre suas concorrentes, recebendo o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por A Garota Dinamarquesa, um prêmio que com certeza foi a grande coroação de um ano brilhante – 0 2015 de Vikander começou com o excelente Ex_Machina, vejam assim que possível.

A maior surpresa da noite foi, certamente, a vitória de Mark Rylance por seu trabalho em Ponte de Espiões. Derrotou Sylvester Stallone, que era o grande favorito e também Tom Hardy, o melhor da categoria. Foi uma boa vitória, mas surpreendente. No fim das contas, fica a dúvida: e se Idris Elba estivesse no páreo? A resposta: não teria para ninguém. Um dos maiores prejudicados pelo Oscar So White foi, sem dúvidas, Elba.

Como não poderia ser diferente, o prêmio de Melhor Atriz ficou com Brie Larson pelo brilhante, delicado e sensível trabalho em O Quarto de Jack. É uma das grandes atrizes de sua geração e agora ganha um reconhecimento merecido e, provavelmente, um grande impulso na carreira que a levará a papeis ainda maiores.

Por último, aquela que foi a categoria mais esperada da noite, que inspirou eventos nas redes sociais e muitas outras piadas, tweets e uma penca de coisas mais: Melhor Ator Principal. Como resultado de uma brilhante atuação – e do apoio de um planeta inteiro -, não poderia ter sido diferente: deu Leonardo DiCaprio! Grande ator, finalmente reconhecido, colecionando papeis memoráveis que ajudaram, ajuda e ajudarão a moldar a história do cinema, venceu seu tão merecido prêmio – e ainda deu um grande discurso sobre o meio-ambiente. Vai demorar para a internet se recuperar dessa emoção toda

Melhor Animação/Melhor Filme Estrangeiro/Melhor Documentário

Melhor Animação, vamos apenas deixar aqui assim Divertida Mente como quem não quer nada. Não sei mais o que falar sobre essa obra-prima. Na categoria de Melhor Documentário, levou Amy, filme de Asif Kapadia, uma vitória mais do que merecida em uma disputa com grandes concorrentes. Fez sentido, mas O Peso do Silêncio é mais filme. Joshua Oppenheimer ainda ganhará seu merecido Oscar. Para o Melhor Filme Estrangeiro, tudo também correu como o esperado: o claustrofóbico e belo O Filho de Saul é o vencedor, levando a estatueta para Budapeste.

Melhor Fotografia/Melhor Montagem

Fotografia não tinha para ninguém, o destino do Oscar foi decidido na primeira apresentação de O Regresso. Emmanuel Lubezki é um gênio, grandioso e o trabalho que ele vem fazendo ficará marcado na história do cinema. Arrisco dizer que Roger Deakins está para Gordon Willis (fotógrafo de O Poderoso Chefão) assim como Lubezki está para Raoul Cotard (fotógrafo de Godard). Daqui muitos anos, o trabalho do mexicano será visto como um divisor de águas. Escrevam o que digo.

Em relação a montagem, Margaret Sixel levou o merecido prêmio pelo insano esforço de edição de Mad Max, coroando a vitória do filme nas categorias técnicas (venceu Figurino, Maquiagem, Edição de Som, Mixagem de Som e Direção de Arte, perdendo apenas Fotografia e Efeitos Especiais). Nestas categorias, nenhuma surpresa, tudo correu como o previsto e os melhores levaram seus prêmios. É bom quando a Academia é justa e quando ela premia um mexicano e uma sul-africana.

Melhor Roteiro Original/Melhor Roteiro Adaptado/Melhor Direção

No quesito escrita, poucas surpresas. Spotlight venceu Melhor Roteiro Original, uma estatueta para Tom McCarthy e outra para Josh Singer pela brilhante escrita que criou a boa estrutura do filme. Já o Melhor Roteiro Adaptado ficou mesmo com A Grande Aposta e como poderia ser diferente? Adam McKay e Charles Randoplh trouxeram um complexo livro de não-ficção do sempre genial Michael Lewis para uma comédia irônica/drama contundente, construindo um filme dinâmico e brilhante. Duas vitórias mais do que merecidas.

Na categoria de Melhor Direção, a disputa ficou entre Iñarritu e George Miller. Venceu o mexicano, gênio em ascensão no Cinema mundial, cada vez mais estabilizado na categoria dos grandes e dos maiores da sétima arte. Não só uma grande vitória, Alejandro González Iñarritú realizou uma grande façanha: tornou-se o terceiro diretor a ganhar em dois anos seguidos, juntando-se a John Ford e Joseph L. Mankiewicz. É um timaço, sem dúvidas. Além disso, é o primeiro não americano a vencer a estatueta em dois anos seguidos. Gênio, sem mais.

Melhor Filme

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A noite do Oscar não poderia, no entanto, terminar sem uma atrapalhada maluca da Academia. Em algum momento, os votantes tem que cometer algum erro absurdo, como premiar. Spotlight é um bom filme? É. Mas não merecia estar por aí se fossem apenas cinco os indicados. Na verdade, nem no corte dos oito poderia ter certeza que o filme passaria. A Academia segue sendo a Academia.

 

Agora, vamos à pontuação C2M!

Chutamos/previmos o destino de doze categorias e acertamos sete! Ou seja, o Resultado C2M é: 58% de aproveitamento! Já estivemos melhor, já estivemos pior, o problema mesmo foi a zoada que a Academia deu na gente.

Mas tudo bem. O que importa é que chegamos vivos e inteiros até o final desta cobertura e agora já podemos começar a contar os dias até setembro/outubro, quando começamos a análise especial do Oscar 2017!

Até lá, seguimos aqui, no mesmo batcanal. Até a próxima!

Equipe C2M

 

 

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Deuses do Egito (Alex Proyas, 2016)

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NOTA: 4 / Renato Furtado

Segundo o dicionário, a palavra “brega” pode ser utilizada de variadas maneiras: 1) como um adjetivo pejorativo que descreve pessoas que não tem gosto, que não tem cortesia, particularidade de algo que é comum ou grosseiro, tosco, rude; 2) uma pessoa ou algo que possui as características mencionadas acima (ex: “ela é brega”; “o quadro de Romero Britto é brega”); 3) em português de Portugal, é o ofício do toureiro durante a tourada.

Fora este último significado, os outros dois pontos já fornecem um panorama suficiente para entender o que “brega” significa. No entanto, contudo, porém e todavia, se alguém ainda continuar em dúvida do que está acontecendo quando alguém usa “brega” em uma frase, não tema, o C2M resolve o seu problema! A equipe gostaria de recomendar e encorajar todos os dicionários a inserirem um anexo ao lado da descrição de brega, contendo apenas a seguinte frase: o filme “Deuses do Egito”, dirigido por Alex Proyas.

Eu poderia encerrar a resenha aqui mesmo, na verdade. Claro que isso seria um erro. Faltaria dizer, por exemplo, que o filme dura duas horas e sete minutos intermináveis; que o roteiro é um grande apanhado de todos os filmes “épicos” de aventura e ação dos últimos anos, incluindo os mesmos personagens, as mesmas lutas, os mesmos voos, os mesmos romances inúteis, as mesmas falhas e, também, os mesmos acertos – antes de prosseguir, vale ressaltar que este é um filme que, no fim das contas, funciona, tem um início, meio e fim, deixa poucas pontas soltas e até pode entreter.

Se eu parasse por aqui, faltaria também falar mais sobre o resto do filme. Faltaria falar sobre a quase-inexistência de locações reais e o fato de que o filme foi feito todo dentro de um estúdio, algo que não é um problema, exceto quando os efeitos visuais e especiais parecem ter sido feitos pelos mesmos técnicos que trabalharam nos efeitos presentes em Os Dez Mandamentos da Rede Record – a computação gráfica beira a categoria da mediocridade em certos momentos e, em outros, chega quase a ser razoável, pelo menos em comparação com os piores instantes do filme -, ou seja, isso está longe de ser um elogio.

Lembram quando eu disse que seria um erro se eu não terminasse de falar e deixasse que a resenha se explicasse apenas pelos parágrafos inicias sobre o “brega”? Então, a ideia de que seria um equívoco permanece. Se a resenha parasse lá em cima, faltaria dizer o quanto os atores estão ruins neste longa: os melhores dentre os intérpretes beiram o nível do mediano em seus melhores momentos. Brenton Thwaites (Bek), Elodie Young (Hator) e Courtney Lee (Zaya) são os que se salvam, apesar de alguns pesares. Nikolaj Coster-Waldau e Rufus Sewell estão só ruins. Agora, se Chadwick Boseman, Gerard Butler e Geoffrey Rush dependessem de suas atuações em “Deuses do Egito” para continuar atuando, morreriam de fome – principalmente os dois primeiros, que estão pavorosos no filme. É tão ruim e péssimo que não tem como defender nada do que eles fazem.

Claro que também faltaria falar sobre Alex Proyas, um diretor que continua trabalhando, apesar de ser terrível. Em “O Corvo”, o seu filme mais razoável, ele já estava mal. Em um filme ruim, ele é pior ainda. Toda a concepção artística e visual chefiada por ele é um fracasso neste filme e sua direção de atores (ver parágrafo acima) prova que o dinheiro poderia ter sido gasto com outra pessoa. Para dizer o mínimo, seu trabalho é tosco e dourado demais. Proyas trata motivos visuais e personagens estereotipados – completamente sugados de outros filmes – como se tudo isto nunca tivesse sido visto ou feito (um milhão de vezes, sem risco de exagero) antes.

Por fim, restaria abordar o absurdo e extremamente ridículo fato de que o filme usa atores brancos para representar personagens egípcios – mais um golpe do chamado whitewashing, quando personagens de outras etnias são representados por atores caucasianos – e toda a polêmica gerada em torno do filme (o problema da diversidade no cinema em geral continuará sendo assunto no C2M, mas não neste instante). Mas, acredito que no fim das contas, esta resenha é idêntica ao filme:

Faz sentido, tem início, meio e fim, tem uma mensagem na parte final, pode divertir algumas pessoas, ofender outras e deixar terceiras completamente indiferentes, mas é completamente dispensável depois da constatação que esta é mais uma história brega – provavelmente tão brega quanto a resenha em si.

A VISÃO D(A)S MAN(A)S: ORGULHO E PRECONCEITO E ZUMBIS (Burr Steers, 2016)

O Cinema2Manos orgulhosamente abre espaço para nossas duas colaboradoras Adriele Pereira e Esperanza Mariano.

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NOTA: 4 / Adriele Pereira

O filme é uma caricata adaptação do best seller homônimo de Seth Grahame-Smith que parodia o brilhante clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Trocadilhos à parte, ao assistir esse filme é preciso deixar o preconceito na porta da sala do cinema, porque embora seja um filme com zumbis, não é, necessariamente, um filme de zumbis. A essência da história original se manteve uma vez que não foi construída a partir da busca pela cura dos mortos-vivos ou da sobrevivência dos humanos. No entanto, gira em torno da relação de amor e desprezo entre Elisabeth Bennet, interpretada por Lily James (Cinderela e Downton Abbey) e um dos mais charmosos personagens da literatura britânica, Mr. Darcy (Sam Riley).

Um aspecto curioso sobre o filme que pode te deixar com um pé atrás antes de assisti-lo é o fato de Anne Hathaway, Blake Lively, Emma Stone, Mia Wasikowska, Rooney Mara e Scarlett Johansson terem recusado convites para interpretar Lizzie. Porém, a atuação de Lily fez jus à irreverência e inteligência da protagonista.

A produção tem uma série de altos e baixos.  A fotografia, por exemplo, é assustadora. Não no sentido de causar medo ou pavor. É assustadora de malfeita mesmo, bem pitoresca. Em contrapartida, a maquiagem compensa, em parte, a deficiência deixada pela fotografia.

Já o roteiro de autoria de David O. Russell e do diretor Burr Steers é coerente com a proposta do filme uma vez que acentua as principais características dos personagens como a petulância do Mr. Collins e a perspicácia e o sarcasmo do Sr. Bennet, por exemplo. Os memoráveis diálogos de Austen foram inseridos na íntegra nas cenas de ação e esta escolha foi, definitivamente, um dos aspectos que garantiram que o filme não desandasse por completo.

Outro ponto inusitado do filme é que com a epidemia de zumbis, tornou-se muito comum que as famílias mandassem seus filhos para treinarem luta no Japão ou na China. Os que iam para o Japão pertenciam às famílias ricas, já os que eram enviados para a China valorizavam além da técnica, a sabedoria da cultura milenar. As irmãs Bennet treinaram na China e, por conta disso, dominam as artes marciais e manuseiam muito bem as espadas.  A estética oriental é, portanto, inserida na narrativa através de mapas e desenhos em papel para esclarecer a guerra.

Orgulho e Preconceito e Zumbis é, dessa forma, uma grotesca, porém coerente produção que exagera na caracterização e representação dos personagens e valoriza a atuação das atrizes femininas, porque não é comum que as mulheres tenham mais cenas de ação do que os homens.

NOTA: 5 / Esperanza Mariano

Está aí um filme que só pelo nome você já sabe que pode esperar algo no mínimo debochado. Seguindo a mesma linha de “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” (2012), “Orgulho, preconceito e zumbis” é um filme baseado na obra clássica de Jane Austen e na versão moderna de Seth Grahame-Smith.  Dirigido e adaptado por Burr Steers, a história mistura as cenas mais icônicas e personagens do primeiro livro com um universo novo, em que o século 19 está passando por um apocalipse zumbi.

Lily James, que se tornou conhecida no último ano ao interpretar a Cinderella, é responsável por dar vida à nova Elizabeth Bennet e se saí bem, enquanto Sam Riley tem o difícil trabalho de se tornar o novo Mr. Darcy (podemos voltar com a versão de Colin Firth, por favor?). O elenco conta ainda com Lena Headey (sim, de Game Of Thrones) e Matt Smith (Doctor Who), a grande estrela do filme. Como cômico Parson Collins, Smith traz ao filme a diversão que estava faltando. Suas cenas são as mais divertidas e ansiadas durante todo o longa.

Em geral, a proposta de “Orgulho, preconceito e zumbis” não parece atraente em momento algum, mas a curiosidade fala mais alto e é isso que deve levar os espectadores ao cinema. E se você não está familiarizado com a obra clássica de Austen, já aviso que talvez esse não seja um filme para você. Para entender as piadas e referências e aproveitar um pouco mais a sessão, é essencial o conhecimento da história original, já que as falas se repetem em 90% do filme.  E, mesmo assim, é possível que você saia do cinema sentindo falta do algo mais que o título promete.

Presságios de um Crime (Afonso Poyart, 2016)

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NOTA: 5,5 / Renato Furtado

Existe uma técnica cinematográfica em relação à edição chamada de hip-hop montage ou simplesmente fast cutting. Esta ferramenta consiste em montar diversos planos curtos em alta velocidade, gerando fins narrativos diversos. Uma das primeiras utilizações pode ser conferida na clássica cena do chuveiro em Psicose, onde Hitchcock monta a cena guiando nosso olhar da faca para Marion para a faca e etc. O fast cutting foi aprimorado para o hip-hop montage por diretores contemporâneos como Darren Aronofksy (em Réquiem Para um Sonho) e Edgar Wright (na famosa trilogia do Cornetto), dois cineastas extremamente distintos entre si e que utilizaram esta estética para moldar suas linguagens. Mais um representante desta peculiar, versátil e ótima ferramenta é o brasileiro Afonso Poyart.

Após estrear nos cinemas com Dois Coelhos (que dependia bastante da edição e dos cortes rápidos), Poyart aceitou o convite para dirigir um thriller policial chamado Presságios de Um Crime, estrelado por Anthony Hopkins e Colin Farrell. A trama segue o personagem de Hopkins, um médium que trabalha com o FBI para encontrar um misterioso serial killer, um assassino perigoso que apenas o vidente pode encontrar através de seus presságios e seus poderes mágicos – ele pode, por exemplo, descobrir a história de pessoas e objetos através do toque. A ideia é boa e parece ser o veículo perfeito para imprimir o estilo insano e veloz de Poyart, certo? Certo. É o que acontece? Não mesmo.

O grande problema de Presságios de Um Crime é o fato de que o filme é muito inferior ao que poderia/deveria ser e isso é culpa de quase todos os envolvidos na produção. Enquanto a premissa promete boas coisas, nem direção, nem roteiro, nem os atores e nem a montagem conseguem corresponder às expectativas e promessas. É verdade que o filme não é péssimo nem tenebroso, tem alguns bons momentos de suspense e ação e a primeira sequência rápida de cenas é ótima para situar o espectador na trama. É um filme para ser visto sem grandes pretensões, no fim das contas.

Como mencionado anteriormente, poderia ter sido melhor. A primeira falha fica à cargo dos roteiristas mesmo: a história, que começa bem, degringola e se torna uma colcha de retalhos de ideias que pareciam boas mas que os escritores, por algum motivo, resolveram picotar até ficarem tão ínfimas quanto ideias ruins. Em seguida, temos o problema com Poyart. É sempre bom ver um brasileiro trabalhando no cinema internacional, mas o fato é que nem sempre dá certo, é preciso admitir isso em algumas ocasiões.

O diretor é melhor em cenas de ação e em cenas fantásticas do que nas cenas de suspense e, em um filme pertencente ao último gênero, ele encontra problemas, evidentemente. Repetindo à exaustão alguns motivos visuais, zooms extremos completamente desprovidos de propósito e algumas técnicas de edição, acabamos cansados na terceira montagem de flashes, desejando simplesmente que o filme volte a ser um suspense ao invés de ser um semi-terror sobrenatural de ação. Mas, todos estes erros são perdoáveis e tudo faz sentido no final. O calcanhar de aquiles do brasileiro é mesmo o seu trabalho com atores.

Dos quatro intérpretes principais, o único que salva é Jeffrey Dean Morgan – e salva por muito pouco. De resto, é terrível. Abbie Cornish é uma boa atriz, mas acaba em um papel e em um direcionamento que são meros estereótipos – o roteiro parece ter consciência disso, já que o personagem de Hopkins expõe todos estes pormenores em dado momento; no entanto, a personagem se mantem em seu caminho, ao invés de se modificar de maneira mais plausível durante a trama. Por falar no mestre, é triste ver Hopkins neste filme. Parece ter caído na mesma armadilha em que DeNiro se encontra no momento, lutando para retornar a algum papel decente.

Aqui, Hopkins não passa de um esboço ruim e malfeito de seu antológico Hannibal Lecter de “O Silêncio dos Inocentes”. Completamente no piloto automático, o ator entrega uma performance que beira a incompetência burocrática. No entanto, ninguém é páreo para Colin Farrell. Alguém precisa se mobilizar e realizar um grande apelo para que o irlandês retorne às comédias como Na Mira do Chefe e Sete Psicopatas – alguns de seus melhores trabalhos – ou que tente novamente os caminhos da televisão – apesar do fracasso de True Detective, Farrell construiu um bom personagem. Como bem disse um crítico do jornal inglês The Guardian, Farrell poderia ser um serial killer que mata as pessoas através de tédio e vergonha alheia.

Em um filme de falhas, erros e excessos, pouca coisa pode ser perdoada. Aliás, o perdão só é merecido porque havia potencial em algum lugar do filme – havia um filme em algum lugar desta história. É uma pena que Poyart e Hopkins e Farrell não tenham conseguido encontrar o caminho certo. Quem sabe da próxima vez.

Boneco do Mal (William Brent Bell, 2016)

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NOTA: 3  / Caio César

O destino, zueiro como só ele, reserve para nós momentos muito interessantes. Quando eu era criança, uma das figuras mais amedrontadoras para mim era o boneco Chucky, da série de filmes de terror Boneco Assassino. Assistia a todos os seus filmes em um prazer mórbido de entender de quais maneiras eu lidaria com o pavor daquele ser malvado. Quem diria que, alguns anos mais tarde, eu seria um dos editores de um blog de cinema e estivesse na função de falar sobre um filme “de bonecos”? E o pior, assistindo na seção reservada para os jornalistas, sozinho, em um cinema vazio. A única coisa boa é que não dá tempo de sentir medo deste Boneco do Mal, um filme aborrecido e irregular que desperdiça seu potencial com sua pretensão de ser mais inteligente do que é.

O filme conta a história de Greta, uma americana que que aceita um trabalho de babá em casa de família inglesa. Lá ela se depara com uma situação atípica. O “filho” em questão que ela tomará conta é, na realidade, um boneco de porcelana. Seus pais, pessoas que parecem estar no limite da perturbação mental, elaboraram uma list de regras para o bom cuidado do seu filho, a quem eles conferem sentimentos, culpa em objetos desaparecidos entre outros.

Na primeira parte do filme, tudo certo. Inclusive uma boa construção de cena do diretor, hábil em transmitir suspense pelos corredores do clichê da “casa mal assombrada”.  Peca contra o filme, o fato do boneco, diferentemente de Chucky ou a recente Annabelle, não ter um semblante creepy, bizarro – ele parece sempre meio morto demais para causar algum tipo de má impressão.

Sem os pais na casa e com Gretta sozinha na gigantesca casa, coisas estranhas começam a acontecer. E é aí que o filme começa a se perder completamente. Seja no exagero na utilização de clichês (como a famosa tática de mostrar um susto e depois revelar ao expectador de que se tratava de um sonho), planos dos espelhos, visitas ao sótão e etc.

O elenco, irregular, consegue piorar quando, aos 45 do segundo tempo, temos a adição de um novo personagem à trama – um ex-marido da protagonista, com quem divide um sub plot que está ali apenas para gerar mais vítimas ao tal boneco.

E como se o leite já não tivesse derramado, o roteiro sabota qualquer tipo de suspense ao investir em uma virada de roteiro que vai fazer os espectadores saírem do filme pensando em como aquilo pode ter ocorrido. Assumindo sua própria incompetência, o filme nega fatos apenas para reforçá-los mais tarde, em uma tentativa de inovação que faz o filme ainda mais irrelevante.  Em suma: um exemplar dispensável. VOLTA CHUCKY!

O Quarto de Jack (Lenny Abrahamson, 2016)

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NOTA: 9 / Esperanza Mariano

Baseado no livro de 2010 e dirigido por Lenny Abrahamson, O Quarto de Jack é um daqueles filmes que você tem certeza que consegue fazer justiça a obra original. A adaptação, feita pela própria autora, a irlandesa Emma Donoghue, é esplêndida e delicada, deixando pouco a desejar.  Estrelado por Brie Larson – favorita para o Oscar de melhor atriz – e o adorável Jacob Tremblay, o longa consegue envolver e comover o espectador, sem nenhuma dificuldade.

A trama conta a história de Jack (Jacob Tremblay), um garotinho que acaba de completar 5 anos e vive com sua mãe, Joy (Brie Larson) em um quarto sem janelas de 10 metros quadrados. Joy foi sequestrada aos 17 anos e há 7 vive em cativeiro. Quando Jack nasce, ela decide não contar que existe um mundo fora do quarto, o fazendo acreditar que aquilo é tudo. Para Jack, o Quarto é o melhor que ele pode ter e conhecer. É nesse primeiro ato do filme que vemos como a química entre Brie e Jacob funciona bem. Não é à toa que ela agradeceu Tremblay em todos os discursos que fez nas premiações. Mãe e filho compartilham tanto amor, carinho e emoções que é impossível não sentir compaixão pelos dois.

E já que estamos falando de atuações… Brie Larson está espetacular. Não há uma única cena em que seu trabalho seja menos que excepcional. Mas quem surpreende mesmo, é Jacob Tremblay. O pequeno ator simplesmente carrega o filme em suas costas (o livro é narrado por Jack, assim como grande parte do filme) e conquista o espectador com sua inocência e curiosidade. É assustador pensar que uma criança de apenas 9 anos tenha criado com maestria um personagem que carrega tanta carga emocional.

Infelizmente (ou felizmente), fui avisada pelos donos do site que qualquer outra informação seria um grande spoiler, então devo terminar essa crítica por aqui. “O Quarto de Jack” é um filme que consegue reunir uma boa fotografia, ótima história e atuações de tirar o fôlego. Será impossível deixar a sala do cinema sem se sentir minimamente abalado e inspirado pela intensidade da obra.

Indicados ao Oscar – Parte 5/Melhor Filme!

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Renato Furtado

É chegada a hora que todos e todas esperavam: falta só uma semana para o Oscar e é o tempo certo para o seu site mais querido sobre cinema (o C2M, é claro, ou seja, nós) jogar os seus palpites finais – sobre a categoria mais esperada – ao vento para ver o que que dá no fim das contas. É claro que estamos falando da corrida para o Melhor Filme do Oscar 2016!

Para começo de conversa, vamos, como de costume, pegar o caminho da eliminação e ver quem tem chance, que não tem chance nenhuma e até quem não deveria nem ter sido indicado. Fiquem agora com a nossa análise filme a filme (em ordem alfabética):

Brooklin

Este é um filme que dividiu as pessoas. Algumas pessoas (o Caio, leia a crítica dele aqui) gostam bastante e outras nem tanto (eu, por exemplo). O que todas essas pessoas tem em comum é o fato de que elas concordam que Brooklin não deveria ter sido indicado à categoria de Melhor Filme.

Se o compararmos com “Carol”, por exemplo, o filme protagonizado por Saoirse Ronan é claramente inferior, em questões narrativas, estéticas e técnicas. Portanto, fica a dúvida: por que Brooklin está indicado à categoria de Melhor Filme? Mistérios que só a Academia pode responder – e que nunca responderá. Zero chances de vencer.

A Grande Aposta

Esta é uma das grandes surpresas deste ano, de fato. Até o fim de 2015, ninguém sabia que existia um filme chamado A Grande Aposta e que o mesmo reúne Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale e Brad Pitt em uma comédia insana que esconde um forte drama sobre a crise econômica de 2008. Aliás, o filme chegou exatamente como o tema que retrata: de repente e com uma força inegável.

Dirigido por Adam McKay (crítica aqui), A Grande Aposta já é um dos melhores filmes de 2016 aqui no Brasil e mereceu bastante todas as indicações que recebeu. Se só tivessem cinco vagas – como era antigamente -, este seria um dos escolhidos, sem sombra de dúvidas. Infelizmente, as chances de vitórias são baixas.

Mad Max: A Estrada da Fúria

Indiscutivelmente, este é ou o melhor filme ou segundo melhor filme de 2015 (atrás apenas de Divertida Mente). Mad Max: A Estrada da Fúria é o atestado da genialidade de George Miller e é uma obra-prima do cinema de ação e do cinema em geral, um filme com tanta força e com tanta coisa a dizer como já não se via há algum tempo, especialmente no formato insano como foi entregue.

Arrebatando multidões e críticos, Charlize Theron e Tom Hardy concederam performances espetaculares e inscreveram seus nomes na história do cinema, com toda a certeza. O filme é tão potente que a Academia foi obrigada a reconhecer – mesmo torcendo o nariz para os filmes de ação – os méritos do longa e indicou Mad Max em 10 categorias diferentes. É o azarão, tem algumas chances de ganhar, mas a vitória é improvável, ainda que não impossível.

Perdido em Marte

Este é outro filme (confira nossa crítica aqui) que não passaria no corte de cinco indicados – especialmente para ceder lugar a “Divertida Mente” ou “Beasts of No Nation”, por exemplo. É um bom filme, um tanto quanto superestimado, mas que traz o melhor Ridley Scott desde Falcão Negro em Perigo – o que não é tão difícil, uma vez que sua carreira desde a década passada não é lá um grande exemplo de brilho.

No entanto, a combinação do melhor Scott dos últimos tempos com a performance extremamente carismática de Matt Damon, que carrega o filme nas costas, conquistou público e crítica mundo afora e deu fôlego suficiente para que o longa conquistasse uma das vagas na disputa de Melhor Filme. Tem chances, mas é ainda mais improvável que Mad Max.

Ponte dos Espiões

Steven Spielberg de volta à melhor forma unindo seus poderes com Tom Hanks e com a performance extremamente cuidadosa e repleta de nuances de Mark Rylance e com os Irmãos Coen: esta é a receita (nossa crítica aqui) que trouxe Ponte dos Espiões tão longe. O filme é muito bom, mas também não é o tipo de filme que salta aos olhos e vem com a marca da categoria de Melhor Filme.

Se o corte fosse de apenas cinco indicados, não passaria. As chances, portanto, são muito baixas e tendem a zero. Valeu o reconhecimento pelo bom e bem estruturado longa que é.

O Quarto de Jack

Brie Larson é absurdamente genial. Pronto, está dito. Assim como seu companheiro de cena, o jovem e encantador Jacob Tremblay – que muito bem poderia ter sido indicado à categoria de Melhor Ator Coadjuvante por causa de uma performance digna de gente grande. Uma história pesada e sombria narrada com o habitual coração, humanismo e carinho do bom diretor Lenny Abrahamson. Este é O Quarto de Jack, filme que vem arrebatando corações e emoções – relatos dizem que as salas de cinema de todo o mundo estão encharcadas pelas lágrimas da plateia.

Sua força é tamanha que, recentemente, começou a ser cotado para vencer a estatueta no dia 28 e ganhou mais e mais força na disputa. Não só passaria com folga no teste das cinco vagas como é, provavelmente, o terceiro filme mais provável a vencer o Oscar neste ano, na mesma colocação que Mad Max se encontra no momento.

O Regresso

O melhor filme de 2016 (nossa crítica aqui), até o momento, é o novo longa de Iñarritú. O mestre mexicano possui talentos inegáveis e um dos mais brilhantes cineastas trabalhando atualmente. Em O Regresso, ele uniu uma das melhores direções de fotografia de todos os tempos (Lubezki is god) e a performance que, finalmente, dará o Oscar a Leonardo DiCaprio. O resultado? Este pode ser o melhor filme do mexicano, superior até mesmo ao igualmente maravilhoso “Birdman”, vencedor do ano passado.

Por causa de tudo isso, Iñarritú credencia seu filme como o favorito do ano, uma vez que vem ganhando quase todos os prêmios possíveis da temporada de premiações. Além disso, o mexicano pode fazer história e se tornar o primeiro diretor não-americano a levar a estatueta de Melhor Diretor em dois anos seguidos, juntando-se ao timaço composto por John Ford e Joseph L. Mankiewicz. Nada mal, hein Iñarritú?

Spotlight – Segredos Revelados

Spotlight (nossa crítica aqui) é um bom filme? Sim, sem dúvidas. O roteiro super afiado de Tom McCarthy e Josh Singer e as incríveis atuações de um elenco composto por nomes como Michael Keaton, Mark Ruffalo e Rachel McAdams atuando como jornalistas que vão direto ao ponto ajudaram a criar um longa que lembrou e muito o maravilhoso clássico de Alan J. Pakula e Robert Redford, “Todos Os Homens do Presidente”.

Todos estes méritos fizeram com que o filme ficasse na dianteira. Onde está o problema? O problema é que Spotlight não entraria em um corte dos cinco melhores filmes se Carol, Divertida Mente e Beasts of No Nation não sofressem nas mãos da Academia. Isso para ficar nos filmes que são muito superiores a Spotlight. Os Oito Odiados, Straight Outta Compton e Steve Jobs, por exemplo, são filmes sensivelmente melhores que a história de Spotlight. Apesar de tudo, este é o único filme que pode tirar o Oscar de O Regresso.

Nossa aposta é: O Regresso!

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A Garota Dinamarquesa (Tom Hooper, 2016)

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NOTA: 9 / Esperanza Mariano

Um dos filmes mais antecipados da temporada do Oscar, A Garota Dinamarquesa, dirigido por Tom Hopper (vencedor do Oscar de melhor filme, por “O Discurso do Rei”), é uma obra delicada e sutil, que explora a beleza de seus cenários e o esforço de seus atores. Baseado no livro de David Ebershoff, o longa se passa em meados de 1920, na cidade de Copenhagen, na Dinamarca e tem como foco principal contar a história de Einar Wegener, ou melhor, Lili Elbe (Eddie Redmayne), a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero.

Einar Wegener é um pintor renomado de paisagens, casado com a extrovertida –e também pintora – Gerda (Alicia Vikander). Os dois aparentam felizes em seu casamento, dividindo cenas tão simples e significantes da intimidade do casal, que é impossível desconfiar que Einar é, na verdade, uma mulher. O pintor inicia uma jornada de descoberta após Gerda, que precisava terminar de pintar um quadro retrato de uma de suas amigas, pede que ele vista a roupa da modelo. A cena sutil, em que vemos Einar sentindo o tecido do vestido com uma suavidade e fragilidade palpável, é responsável pela transição de Einar para Lili.

O tema tão atual e relevante capta a atenção dos espectadores e causa certa curiosidade e expectativa, principalmente em relação à atuação de Redmayne, que levou o Oscar de 2015 por sua atuação em “A Teoria de Tudo”. E o ator está, de fato, esplêndido. Ele se entrega aos personagens (Einar e Lili) com tanta paixão, respeito, delicadeza e vulnerabilidade que algumas cenas são de tirar o fôlego. Mas, a grande surpresa é que o filme não é dele. Quem rouba a cena – e merecidamente, é Alicia Vikander. A atriz, que também merece destaque por outras atuações do último ano, está estupenda. No papel da esposa e amiga, que ama incondicionalmente o marido, ela comanda o filme com facilidade e é por suas cenas que você mais irá ansiar. Vikander merecia, sem sombra de dúvidas, concorrer como Atriz Principal – e não coadjuvante. Uma curiosidade interessante é que, em uma determinada cena, sua personagem é apresentada como a “garota dinamarquesa”, nos deixando em dúvida se o filme é de fato sobre Lili ou Gerda.

Além das incríveis atuações, não podemos deixar de comentar a fotografia maravilhosa do filme. Apesar de retratar uma Dinamarca cinzenta e nublada, as cores e cenários se tornam um complemento essencial para o filme e acrescentam ao longa uma espécie de beleza melancólica que combina perfeitamente com a história. E se tem alguma coisa que podemos afirmar sobre esse filme, seria isso. “A Garota Dinamarquesa” é uma obra delicada e de bom gosto, maravilhosamente melancólica.

Indicados ao Oscar – Parte 4!

oscars

Renato Furtado

Como diria o linguajar informal das ruas do Rio de Janeiro, o bagulho tá ficando doido, o que significa dizer que o bagulho tá ficando doido mesmo já que o Oscar tá batendo à porta já! Faltam só duas semanas, quinze dias nos separando dessa grande noite de premiações a qual ficamos esperando o ano inteiro para torcer e xingar depois que nossos candidatos favoritos perdem – e, normalmente, eles perdem – e também rir ou chorar com as piadas (de bom ou de mau gosto, dependendo do apresentador) feitas durante a noite.

No fim das contas, bom mesmo é o SAG Awards, onde (quase) todo mundo é amigo e não tem três horas de ter que aguentar a Ellen DeGeneres tirando selfies malucas. Mas, como o SAG não paga nossas contas (e muito menos o Oscar, mas fazer o que né?), vamos seguindo com as previsões da premiação da Academia. Hoje, os indicados a Melhor Roteiro Original e Adaptado e Melhor Diretor!

 

Melhor Roteiro Original

Ok, levando em consideração que tanto Ponte dos Espiões quanto Spotlight (ambos ótimos roteiros, é importante ressaltar) estão indicados nesta categoria e o roteiro de Os Oito Odiados não está, percebe-se que há alguma coisa errada rolando na parada. Mas, problemas à parte (até porque a premiação deste ano está repleta deles, como a questão da diversidade que abordamos em dois textos aqui e aqui), esta categoria está bem representada. Além dos dois bons roteiros já citados, temos três roteiros, no mínimo, excelentes na disputa. Para se ter uma ideia do nível em jogo, Straight Outta Compton é o mais “fraco” dos três, já que os outros dois indicados são: Ex-Machina e Divertida Mente.

Sobre o primeiro: uma das maiores decepções de 2015 para o cinema no Brasil foi não podermos ter visto Ex-Machina nas salas de cinema do país, um filme que é, simplesmente, um dos melhores de 2015 – teria entrado no meu top 10, mas apenas contabilizamos os filmes lançados no circuito exibidor brasileiro. Sobre o segundo: precisamos realmente falar algo mais sobre Divertida Mente – além de que devia estar concorrendo também à melhor filme no lugar de Ponte dos Espiões ou de Perdido em Marte, por exemplo? Acho que não, né? Bom, vamos falar isso: se o prêmio não for para Pete Docter e sua equipe, será um absurdo de premiação quase tão grande quanto o Oscar da Gwyneth Paltrow.

O vencedor (de tudo, dos nossos corações e da vida inteira) é: Divertida Mente!

Nota mental dos editores: precisamos achar fotos novas do filme porque tá ficando complicado prever (e acertar) as vitórias e ter que colocar foto em todos os posts

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Melhor Roteiro Adaptado

Mais um absurdo: Aaron Sorkin não ter sido indicado pelo brilhante trabalho em Steve Jobs. Uma pergunta: galera, como assim, vocês estão loucos? Pronto, voltando à programação normal. Esta é uma categoria complexa: estão indicados A Grande Aposta, Brooklin, Carol, O Quarto de Jack e Perdido em Marte. Cinco grandes roteiros, cinco grandes equipes e cinco grandes trabalhos: provavelmente, esta é uma das categorias mais difíceis neste ano.

Dos cinco, é possível riscar Brooklin e Carol: o primeiro por ser ligeiramente inferior aos outros e o segundo por ter sido absurda e ridiculamente neglicenciado pela Academia, o que diminui as chances de vitória – mesmo levando em consideração que o roteiro é a melhor adaptação de um romance da mestra Patricia Highsmith para as telonas em todos os tempos. Sobram Perdido em Marte, O Quarto de Jack e A Grande Aposta. Entre os três, a disputa deve ficar entre Perdido em Marte (o filme mais superestimado do ano) e A Grande Aposta. A diferença entre os dois é que o primeiro é a adaptação de um livro de ficção; o segundo é a adaptação de um livro de não-ficção sobre economia, transposto para um filme brilhante, crítico, dinâmico e muito engraçado. Logo…

Nossa (grande) aposta – com o perdão do trocadilho – é: A Grande Aposta!

tbs

 

Melhor Diretor

Às vezes, é necessário ir direto ao ponto: retirem da Academia as pessoas responsáveis pela ideia terrível de indicar Tom McCarthy pelo pior trabalho de direção de sua carreira (não vamos contar com Trocando os Pés porque isso não pode ser categorizado como um filme, não é mesmo?) e não indicar, só para começo de conversa, Todd Haynes ou Ridley Scott. Ou até mesmo Steven Spielberg. Ou Cary J. Fukunaga (do absurdamente negligenciado pela Academia e absurdamente brilhante filme Beasts of No Nation). Ou Ryan Coogler. Ou Laszló Nemes. Ou Pete Docter. Ou Charlie Kaufman. Ou Quentin Tarantino. Deuses do céus, até o Danny Boyle poderia ter sido indicado.

Pronto, desabafei e já temos um nome riscado. Próximo: Lenny Abrahamson. O Quarto de Jack é um ótimo filme? É. Seria melhor com um diretor de maior talento? Talvez. É difícil, mas precisamos riscar e riscar nomes. Sobram três. Entre Adam McKay, Iñarritú e George Miller, terá que sair o primeiro – apesar do trabalho de extrema genialidade, astúcia e coragem em A Grande Aposta. Restam dois, os grandes concorrentes: o mexicano e o australiano.

Iñarritú está vencendo tudo – justificadamente – e seria o favorito. Seria por alguns motivos: 1) ele ganhou o Globo de Ouro (todo diretor que ganha o Globo de Ouro pega um azar e não vence o Oscar; é histórico, podem checar); 2) a Academia não gosta de premiar pessoas em anos seguidos; 3) a Academia não gosta muito de pessoas que não sejam americanas; e por último, mas não menos importante, 4) a existência de George Miller no páreo. Iñarritú fez um trabalho tão bom em O Regresso quanto fez em Birdman, mas Miller nos deu Mad Max: Estrada da Fúria, uma verdadeira obra de arte, uma obra-prima: não criou apenas um filme, criou uma ideia, criou uma experiência sensorial de impacto imensurável e de extrema perfeição – Iñarritú fica um pouco atrás nesses quesitos, neste ano. Portanto…

Nossa aposta é: George Miller!

georgemiller

 

Fiquem ligados, semana que vem tem o último preview do Oscar 2016 e o último preview C2M desta temporada de premiações!

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