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MÉDIA C2M: 8,25. LEIA ABAIXO AS CRÍTICAS DOS EDITORES:

NOTA: 8 / Renato Furtado

A última e corrente moda hollywoodiana é o gênero de filmes dos super heróis. Com a criação do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), a chegada da mesma linha de pensamento à DC Comics – que logo lança só em 2016 Batman vs. Superhomem e Esquadrão Suicida – e também os filmes feitos pela Fox com os antigos direitos adquiridos da Marvel (que trouxeram uma grande problemática para a Disney, detentora da maior parte dos personagens da Marvel, no momento da criação do MCU já que os X-Men e o Homem-Aranha, por exemplo, são propriedade da Fox nos cinemas), o certo é que cada vez mais surgirão filmes sobre super-heróis, provavelmente até esgotar o material base – ou seja, nunca – das histórias em quadrinhos publicadas desde a década de 40, tanto pela Marvel quanto pela DC quanto por outras empresas menores.

Evidentemente, isto levou a uma rápida saturação do gênero, que acaba caindo em fórmulas fáceis. Por isso, a chegada de Deadpool – dirigido por Tim Miller, estrelado por Ryan Reynolds (vamos simplesmente esquecer Wolverine: Origens e Lanterna Verde por enquanto) e roteirizado pelas mentes responsáveis por Zumbilândia, filme que tam bém brincou com o gênero do terror de zumbis – revigora o cinema de super-heróis e já marca um ponto alto no ano de 2016 – tanto que, mesmo antes de estrear a primeira parte, a continuação de Deadpool já está confirmada.

O sucesso se dá porque o irreverente anti-herói foi bem adaptado dos quadrinhos para o cinema. Adaptar não é tarefa fácil, mas Rhett Reese e Paul Wernick sabem bem o caminho das pedras: o ponto é que é necessário traduzir, não transcrever. Portanto, toda a comédia, o humor negro, a zombaria à cultura pop, as quebras de quarta parede, a metalinguagem e o paradoxo das histórias de Deadpool funcionarem, ao mesmo tempo, como uma paródia do gênero dos super-heróis e como uma história de super-herói clássica, com direito à origem dos superpoderes e vilões igualmente fortes foi passada com grande habilidade dos quadrinhos para as telonas.

Em outras palavras: para os familiarizados com Deadpool, o filme é um sucesso; para aqueles que conhecem pouco ou não conhecem o personagem, o filme também é um sucesso porque funciona em todos estes níveis. Acompanhamos o início da jornada de Deadpool e entendemos bem o personagem durante sua jornada, rindo praticamente durante todo o filme com toda a zoeira realizada. Sobra para tudo e para todos e nem mesmo Hugh Jackman ou o protagonista do filme, Ryan Reynolds, escapam das brincadeiras.

Falando em Reynolds, este é o papel de sua vida. Reconhecido como um ator de poucas habilidades cênicas, simples na maior parte das atuações, descontando as atrocidades que já protagonizou em sua carreira, em Deadpool, Reynolds encontra seu melhor personagem e a melhor interpretação de sua carreira, capturando com maestria toda a essência complexa, divertida, violenta e insana do seu personagem. Ao seu lado, Morena Baccarin, a “mocinha” do filme e uma das mulheres mais lindas do mundo ai meu coração, cria uma personagem interessante e quebra também o estereótipo do interesse amoroso do super-herói em momentos inacreditáveis, inesquecíveis, loucos e hilários dentro da intimidade do casal e dentro da própria trajetória de sua personagem.

Funcionando como uma desconstrução inteligente e como uma história de origem, Deadpool brinca com as convenções do gênero no qual se insere e traz um novo conceito para um velho público e um novo público para um velho conceito. A certeza é de bastante dinheiro nos cofres da Fox e, se tudo continuar nesse mesmo caminho e desse mesmo jeito, como parece que será o caso, da criação de uma franquia ótima de filmes extremamente divertidos e loucos que pode durar por muito tempo. Existem histórias e criatividade suficientes e, claro, Ryan Reynolds e Morena Baccarin. Um sucesso que já estabelece uma nova receita – que será devidamente desconstruída pelos próximos filmes, se tudo der certo – para mais sucessos.

NOTA: 8,5 / Caio César

Caso você seja (e eu tenho certeza de que você é) um leitor assíduo do blog, vai se lembrar de que, na matéria especial sobre os filmes mais aguardados do ano, eu dei um palpite de que este Deadpool, do estreante Tim Miller, seria uma decepção. Pois bem, a boa notícia é que, para todos os efeitos, eu estava completamente enganado. A má, ora, também é essa, já que estar enganado é sempre ruim.

Vendido por suas estratégias de marketing como uma adaptação de um material que é irreverente em sua concepção nos quadrinhos, p filme está longe de ter medo de mexer com alguma coisa. Sobra para todo mundo: desde a Fox, passando pela padronização dos plots de filmes de super-herois, e terminando no seu protagonista, Ryan Reynolds. Aliás, foi ele quem bancou a transposição para a telona do personagem que foi vítima de uma tremenda sabotagem no filme solo Wolverine, um dos piores filmes baseados em HQ’s já cometido pelo cinema.

A irreverência já começa nos créditos, com letreiros que caracterizam a função de cada um da produção do filme – em uma abertura semelhante à de Zumbilândia, dos mesmos roteiristas. A trama é até bem simples. O “heroi” está atrás das pessoas que ele julga serem responsáveis por o transformarem em um ser sobre humano, mas péssima aparência, depois que ele aceita ser cobaia de um tratamento especial para curar um câncer que pode lhe tirar a vida em até três meses.

Morena Baccarin interpreta Vanessa, mulher de Wade Wilson, que acredita, durante boa parte do filme, que o marido havia morrido. A atriz, que é brasileira, se destaca em meio à tantas mocinhas chatas destes universos e, ainda que ativamente não participe de quaisquer cena de ação e luta corporal, apresenta uma fortíssima presença de tela e sua química com Ryan é singular.

Em sua trilha sonora e estrutura, o filme também traz ecos de Guardiões da Galáxia, filme que provavelmente deu um gás na ideia louca de produzir um super-heroi com classificação para maiores, boca suja e um gosto sádico por violência. O resultado é um filme que definitivamente não é para toda a família – entretanto, os risos nervosos e a excitação do público na sessão para jornalista da qual participamos evidenciam que o humor é parte da estratégia de suavizar as altas doses de sangue.

Não faltam elementos que proporcionarão bons momentos no cinema. E, além disso, sempre é maravilhoso variar um pouco o cardápio e sair da saturação imposta pelo meio industrial da cinematografia de se copiar o que está dando certo.

Deadpool não é um dos solares filmes da Marvel; nem dos metidos a entretenimento sério demais da DC; ou as baboseiras que a Fox, tomando conta sozinha de alguns personagens vitais ao universo da Marvel, comete – tais quais Elektra ou os Quarteto Fantástico. E, por isso mesmo, já merece todo o crédito. A cereja do bolo é que é um filme realmente bom!

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