Emory-Cohen-Saoirse-Ronan-Brooklyn-Still

NOTA: 9 / Caio César

Uma das coisas mais importantes na corrida por prêmios como o Oscar é algo chamado momentum, caracterizado pelo timing e o impulso certo dado à determinada produção. Estar no lugar certo conta, e muito. Por isso a maioria dos filmes estreia no fim do ano – para aproveitar o momentum. Entretanto, ainda que no meio de tanta indefinição quanto ao possível ganhador do prêmio de melhor filme, é particularmente especial que este Brooklin, exibido ao público pela primeira vez no Festival de Sundance, em janeiro de 2015, tenha apresentado fôlego suficiente para chegar em dezembro ainda relevante na temporada de premiações. Isso acontece por puro mérito de um filme memorável.

Narrando a história da jovem Eillis Lacey, que se encontra na obrigação de sair de sua terra, a Irlanda, em busca de novas oportunidades de educação e trabalho nos Estados Unidos, Brooklin trata sobre o universal tema do amadurecimento. Obviamente deixar sua família para trás, apenas alguns anos depois da morte de seu pai, é muito difícil. O drama é potencializado pela falta de redes sociais ou quaisquer tipo de meio de comunicação mais moderno, já que o filme se passa no século passado. As cartas são as maneiras encontradas para manter o contato com a mãe e a irmã que ficaram em sua terra natal.

Já nos Estados Unidos, morando na região do Brooklin, em Nova York, Eillis tem dificuldades de adaptação que são logo revertidas quando conhece um rapaz de ascendência italiana, Tony, com quem viverá um belo romance – que apenas pode ser abalado com uma notícia trágica.

O filme gira em torno da atuação soberba de Saoirse Ronan, que já havia sido indicada previamente ao Oscar de coadjuvante por Desejo e Reparação e agora se firma como uma grande atriz. Ela suga toda a atenção da tela em qualquer momento da projeção, conferindo à personagem uma força e apelo dramáticos que podem ser sentidos através de sua voz, gestos e até mesmo respiração.

Tecnicamente belo, o filme causa um pouco de estranhamento em algumas das cenas em que os efeitos especiais foram utilizados para ajudar a compor o horizonte. Por ser um longa de menor orçamento, esses deslizes são até toleráveis.

Provavelmente animados pela atuação de Saiorse, todos os membros do elenco parecem estar dispostos a entregar atuações acima dos níveis. Legal destacar a presença do ator Domhall Glessom, que neste ano ingressou na franquia Star Wars, estrela esse filme, O Regresso e no queridinho dos críticos Ex_Machina. 

O representante deste ano na área virtualmente sempre reservada à um longa de menor investimentos que surpreende os críticos, é diversão plena. Duas horas de acontecimentos cotidianos na vida da moça – em ações que nos fazem, ao mínimo, relembrar detalhes da nossa infância e o porquê que a arte de crescer é tão importante.

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