oscars

Renato Furtado

Como diria o linguajar informal das ruas do Rio de Janeiro, o bagulho tá ficando doido, o que significa dizer que o bagulho tá ficando doido mesmo já que o Oscar tá batendo à porta já! Faltam só duas semanas, quinze dias nos separando dessa grande noite de premiações a qual ficamos esperando o ano inteiro para torcer e xingar depois que nossos candidatos favoritos perdem – e, normalmente, eles perdem – e também rir ou chorar com as piadas (de bom ou de mau gosto, dependendo do apresentador) feitas durante a noite.

No fim das contas, bom mesmo é o SAG Awards, onde (quase) todo mundo é amigo e não tem três horas de ter que aguentar a Ellen DeGeneres tirando selfies malucas. Mas, como o SAG não paga nossas contas (e muito menos o Oscar, mas fazer o que né?), vamos seguindo com as previsões da premiação da Academia. Hoje, os indicados a Melhor Roteiro Original e Adaptado e Melhor Diretor!

 

Melhor Roteiro Original

Ok, levando em consideração que tanto Ponte dos Espiões quanto Spotlight (ambos ótimos roteiros, é importante ressaltar) estão indicados nesta categoria e o roteiro de Os Oito Odiados não está, percebe-se que há alguma coisa errada rolando na parada. Mas, problemas à parte (até porque a premiação deste ano está repleta deles, como a questão da diversidade que abordamos em dois textos aqui e aqui), esta categoria está bem representada. Além dos dois bons roteiros já citados, temos três roteiros, no mínimo, excelentes na disputa. Para se ter uma ideia do nível em jogo, Straight Outta Compton é o mais “fraco” dos três, já que os outros dois indicados são: Ex-Machina e Divertida Mente.

Sobre o primeiro: uma das maiores decepções de 2015 para o cinema no Brasil foi não podermos ter visto Ex-Machina nas salas de cinema do país, um filme que é, simplesmente, um dos melhores de 2015 – teria entrado no meu top 10, mas apenas contabilizamos os filmes lançados no circuito exibidor brasileiro. Sobre o segundo: precisamos realmente falar algo mais sobre Divertida Mente – além de que devia estar concorrendo também à melhor filme no lugar de Ponte dos Espiões ou de Perdido em Marte, por exemplo? Acho que não, né? Bom, vamos falar isso: se o prêmio não for para Pete Docter e sua equipe, será um absurdo de premiação quase tão grande quanto o Oscar da Gwyneth Paltrow.

O vencedor (de tudo, dos nossos corações e da vida inteira) é: Divertida Mente!

Nota mental dos editores: precisamos achar fotos novas do filme porque tá ficando complicado prever (e acertar) as vitórias e ter que colocar foto em todos os posts

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Melhor Roteiro Adaptado

Mais um absurdo: Aaron Sorkin não ter sido indicado pelo brilhante trabalho em Steve Jobs. Uma pergunta: galera, como assim, vocês estão loucos? Pronto, voltando à programação normal. Esta é uma categoria complexa: estão indicados A Grande Aposta, Brooklin, Carol, O Quarto de Jack e Perdido em Marte. Cinco grandes roteiros, cinco grandes equipes e cinco grandes trabalhos: provavelmente, esta é uma das categorias mais difíceis neste ano.

Dos cinco, é possível riscar Brooklin e Carol: o primeiro por ser ligeiramente inferior aos outros e o segundo por ter sido absurda e ridiculamente neglicenciado pela Academia, o que diminui as chances de vitória – mesmo levando em consideração que o roteiro é a melhor adaptação de um romance da mestra Patricia Highsmith para as telonas em todos os tempos. Sobram Perdido em Marte, O Quarto de Jack e A Grande Aposta. Entre os três, a disputa deve ficar entre Perdido em Marte (o filme mais superestimado do ano) e A Grande Aposta. A diferença entre os dois é que o primeiro é a adaptação de um livro de ficção; o segundo é a adaptação de um livro de não-ficção sobre economia, transposto para um filme brilhante, crítico, dinâmico e muito engraçado. Logo…

Nossa (grande) aposta – com o perdão do trocadilho – é: A Grande Aposta!

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Melhor Diretor

Às vezes, é necessário ir direto ao ponto: retirem da Academia as pessoas responsáveis pela ideia terrível de indicar Tom McCarthy pelo pior trabalho de direção de sua carreira (não vamos contar com Trocando os Pés porque isso não pode ser categorizado como um filme, não é mesmo?) e não indicar, só para começo de conversa, Todd Haynes ou Ridley Scott. Ou até mesmo Steven Spielberg. Ou Cary J. Fukunaga (do absurdamente negligenciado pela Academia e absurdamente brilhante filme Beasts of No Nation). Ou Ryan Coogler. Ou Laszló Nemes. Ou Pete Docter. Ou Charlie Kaufman. Ou Quentin Tarantino. Deuses do céus, até o Danny Boyle poderia ter sido indicado.

Pronto, desabafei e já temos um nome riscado. Próximo: Lenny Abrahamson. O Quarto de Jack é um ótimo filme? É. Seria melhor com um diretor de maior talento? Talvez. É difícil, mas precisamos riscar e riscar nomes. Sobram três. Entre Adam McKay, Iñarritú e George Miller, terá que sair o primeiro – apesar do trabalho de extrema genialidade, astúcia e coragem em A Grande Aposta. Restam dois, os grandes concorrentes: o mexicano e o australiano.

Iñarritú está vencendo tudo – justificadamente – e seria o favorito. Seria por alguns motivos: 1) ele ganhou o Globo de Ouro (todo diretor que ganha o Globo de Ouro pega um azar e não vence o Oscar; é histórico, podem checar); 2) a Academia não gosta de premiar pessoas em anos seguidos; 3) a Academia não gosta muito de pessoas que não sejam americanas; e por último, mas não menos importante, 4) a existência de George Miller no páreo. Iñarritú fez um trabalho tão bom em O Regresso quanto fez em Birdman, mas Miller nos deu Mad Max: Estrada da Fúria, uma verdadeira obra de arte, uma obra-prima: não criou apenas um filme, criou uma ideia, criou uma experiência sensorial de impacto imensurável e de extrema perfeição – Iñarritú fica um pouco atrás nesses quesitos, neste ano. Portanto…

Nossa aposta é: George Miller!

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Fiquem ligados, semana que vem tem o último preview do Oscar 2016 e o último preview C2M desta temporada de premiações!

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