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NOTA: 9 / Esperanza Mariano

Um dos filmes mais antecipados da temporada do Oscar, A Garota Dinamarquesa, dirigido por Tom Hopper (vencedor do Oscar de melhor filme, por “O Discurso do Rei”), é uma obra delicada e sutil, que explora a beleza de seus cenários e o esforço de seus atores. Baseado no livro de David Ebershoff, o longa se passa em meados de 1920, na cidade de Copenhagen, na Dinamarca e tem como foco principal contar a história de Einar Wegener, ou melhor, Lili Elbe (Eddie Redmayne), a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero.

Einar Wegener é um pintor renomado de paisagens, casado com a extrovertida –e também pintora – Gerda (Alicia Vikander). Os dois aparentam felizes em seu casamento, dividindo cenas tão simples e significantes da intimidade do casal, que é impossível desconfiar que Einar é, na verdade, uma mulher. O pintor inicia uma jornada de descoberta após Gerda, que precisava terminar de pintar um quadro retrato de uma de suas amigas, pede que ele vista a roupa da modelo. A cena sutil, em que vemos Einar sentindo o tecido do vestido com uma suavidade e fragilidade palpável, é responsável pela transição de Einar para Lili.

O tema tão atual e relevante capta a atenção dos espectadores e causa certa curiosidade e expectativa, principalmente em relação à atuação de Redmayne, que levou o Oscar de 2015 por sua atuação em “A Teoria de Tudo”. E o ator está, de fato, esplêndido. Ele se entrega aos personagens (Einar e Lili) com tanta paixão, respeito, delicadeza e vulnerabilidade que algumas cenas são de tirar o fôlego. Mas, a grande surpresa é que o filme não é dele. Quem rouba a cena – e merecidamente, é Alicia Vikander. A atriz, que também merece destaque por outras atuações do último ano, está estupenda. No papel da esposa e amiga, que ama incondicionalmente o marido, ela comanda o filme com facilidade e é por suas cenas que você mais irá ansiar. Vikander merecia, sem sombra de dúvidas, concorrer como Atriz Principal – e não coadjuvante. Uma curiosidade interessante é que, em uma determinada cena, sua personagem é apresentada como a “garota dinamarquesa”, nos deixando em dúvida se o filme é de fato sobre Lili ou Gerda.

Além das incríveis atuações, não podemos deixar de comentar a fotografia maravilhosa do filme. Apesar de retratar uma Dinamarca cinzenta e nublada, as cores e cenários se tornam um complemento essencial para o filme e acrescentam ao longa uma espécie de beleza melancólica que combina perfeitamente com a história. E se tem alguma coisa que podemos afirmar sobre esse filme, seria isso. “A Garota Dinamarquesa” é uma obra delicada e de bom gosto, maravilhosamente melancólica.

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