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Renato Furtado

É chegada a hora que todos e todas esperavam: falta só uma semana para o Oscar e é o tempo certo para o seu site mais querido sobre cinema (o C2M, é claro, ou seja, nós) jogar os seus palpites finais – sobre a categoria mais esperada – ao vento para ver o que que dá no fim das contas. É claro que estamos falando da corrida para o Melhor Filme do Oscar 2016!

Para começo de conversa, vamos, como de costume, pegar o caminho da eliminação e ver quem tem chance, que não tem chance nenhuma e até quem não deveria nem ter sido indicado. Fiquem agora com a nossa análise filme a filme (em ordem alfabética):

Brooklin

Este é um filme que dividiu as pessoas. Algumas pessoas (o Caio, leia a crítica dele aqui) gostam bastante e outras nem tanto (eu, por exemplo). O que todas essas pessoas tem em comum é o fato de que elas concordam que Brooklin não deveria ter sido indicado à categoria de Melhor Filme.

Se o compararmos com “Carol”, por exemplo, o filme protagonizado por Saoirse Ronan é claramente inferior, em questões narrativas, estéticas e técnicas. Portanto, fica a dúvida: por que Brooklin está indicado à categoria de Melhor Filme? Mistérios que só a Academia pode responder – e que nunca responderá. Zero chances de vencer.

A Grande Aposta

Esta é uma das grandes surpresas deste ano, de fato. Até o fim de 2015, ninguém sabia que existia um filme chamado A Grande Aposta e que o mesmo reúne Steve Carell, Ryan Gosling, Christian Bale e Brad Pitt em uma comédia insana que esconde um forte drama sobre a crise econômica de 2008. Aliás, o filme chegou exatamente como o tema que retrata: de repente e com uma força inegável.

Dirigido por Adam McKay (crítica aqui), A Grande Aposta já é um dos melhores filmes de 2016 aqui no Brasil e mereceu bastante todas as indicações que recebeu. Se só tivessem cinco vagas – como era antigamente -, este seria um dos escolhidos, sem sombra de dúvidas. Infelizmente, as chances de vitórias são baixas.

Mad Max: A Estrada da Fúria

Indiscutivelmente, este é ou o melhor filme ou segundo melhor filme de 2015 (atrás apenas de Divertida Mente). Mad Max: A Estrada da Fúria é o atestado da genialidade de George Miller e é uma obra-prima do cinema de ação e do cinema em geral, um filme com tanta força e com tanta coisa a dizer como já não se via há algum tempo, especialmente no formato insano como foi entregue.

Arrebatando multidões e críticos, Charlize Theron e Tom Hardy concederam performances espetaculares e inscreveram seus nomes na história do cinema, com toda a certeza. O filme é tão potente que a Academia foi obrigada a reconhecer – mesmo torcendo o nariz para os filmes de ação – os méritos do longa e indicou Mad Max em 10 categorias diferentes. É o azarão, tem algumas chances de ganhar, mas a vitória é improvável, ainda que não impossível.

Perdido em Marte

Este é outro filme (confira nossa crítica aqui) que não passaria no corte de cinco indicados – especialmente para ceder lugar a “Divertida Mente” ou “Beasts of No Nation”, por exemplo. É um bom filme, um tanto quanto superestimado, mas que traz o melhor Ridley Scott desde Falcão Negro em Perigo – o que não é tão difícil, uma vez que sua carreira desde a década passada não é lá um grande exemplo de brilho.

No entanto, a combinação do melhor Scott dos últimos tempos com a performance extremamente carismática de Matt Damon, que carrega o filme nas costas, conquistou público e crítica mundo afora e deu fôlego suficiente para que o longa conquistasse uma das vagas na disputa de Melhor Filme. Tem chances, mas é ainda mais improvável que Mad Max.

Ponte dos Espiões

Steven Spielberg de volta à melhor forma unindo seus poderes com Tom Hanks e com a performance extremamente cuidadosa e repleta de nuances de Mark Rylance e com os Irmãos Coen: esta é a receita (nossa crítica aqui) que trouxe Ponte dos Espiões tão longe. O filme é muito bom, mas também não é o tipo de filme que salta aos olhos e vem com a marca da categoria de Melhor Filme.

Se o corte fosse de apenas cinco indicados, não passaria. As chances, portanto, são muito baixas e tendem a zero. Valeu o reconhecimento pelo bom e bem estruturado longa que é.

O Quarto de Jack

Brie Larson é absurdamente genial. Pronto, está dito. Assim como seu companheiro de cena, o jovem e encantador Jacob Tremblay – que muito bem poderia ter sido indicado à categoria de Melhor Ator Coadjuvante por causa de uma performance digna de gente grande. Uma história pesada e sombria narrada com o habitual coração, humanismo e carinho do bom diretor Lenny Abrahamson. Este é O Quarto de Jack, filme que vem arrebatando corações e emoções – relatos dizem que as salas de cinema de todo o mundo estão encharcadas pelas lágrimas da plateia.

Sua força é tamanha que, recentemente, começou a ser cotado para vencer a estatueta no dia 28 e ganhou mais e mais força na disputa. Não só passaria com folga no teste das cinco vagas como é, provavelmente, o terceiro filme mais provável a vencer o Oscar neste ano, na mesma colocação que Mad Max se encontra no momento.

O Regresso

O melhor filme de 2016 (nossa crítica aqui), até o momento, é o novo longa de Iñarritú. O mestre mexicano possui talentos inegáveis e um dos mais brilhantes cineastas trabalhando atualmente. Em O Regresso, ele uniu uma das melhores direções de fotografia de todos os tempos (Lubezki is god) e a performance que, finalmente, dará o Oscar a Leonardo DiCaprio. O resultado? Este pode ser o melhor filme do mexicano, superior até mesmo ao igualmente maravilhoso “Birdman”, vencedor do ano passado.

Por causa de tudo isso, Iñarritú credencia seu filme como o favorito do ano, uma vez que vem ganhando quase todos os prêmios possíveis da temporada de premiações. Além disso, o mexicano pode fazer história e se tornar o primeiro diretor não-americano a levar a estatueta de Melhor Diretor em dois anos seguidos, juntando-se ao timaço composto por John Ford e Joseph L. Mankiewicz. Nada mal, hein Iñarritú?

Spotlight – Segredos Revelados

Spotlight (nossa crítica aqui) é um bom filme? Sim, sem dúvidas. O roteiro super afiado de Tom McCarthy e Josh Singer e as incríveis atuações de um elenco composto por nomes como Michael Keaton, Mark Ruffalo e Rachel McAdams atuando como jornalistas que vão direto ao ponto ajudaram a criar um longa que lembrou e muito o maravilhoso clássico de Alan J. Pakula e Robert Redford, “Todos Os Homens do Presidente”.

Todos estes méritos fizeram com que o filme ficasse na dianteira. Onde está o problema? O problema é que Spotlight não entraria em um corte dos cinco melhores filmes se Carol, Divertida Mente e Beasts of No Nation não sofressem nas mãos da Academia. Isso para ficar nos filmes que são muito superiores a Spotlight. Os Oito Odiados, Straight Outta Compton e Steve Jobs, por exemplo, são filmes sensivelmente melhores que a história de Spotlight. Apesar de tudo, este é o único filme que pode tirar o Oscar de O Regresso.

Nossa aposta é: O Regresso!

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