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NOTA: 3  / Caio César

O destino, zueiro como só ele, reserve para nós momentos muito interessantes. Quando eu era criança, uma das figuras mais amedrontadoras para mim era o boneco Chucky, da série de filmes de terror Boneco Assassino. Assistia a todos os seus filmes em um prazer mórbido de entender de quais maneiras eu lidaria com o pavor daquele ser malvado. Quem diria que, alguns anos mais tarde, eu seria um dos editores de um blog de cinema e estivesse na função de falar sobre um filme “de bonecos”? E o pior, assistindo na seção reservada para os jornalistas, sozinho, em um cinema vazio. A única coisa boa é que não dá tempo de sentir medo deste Boneco do Mal, um filme aborrecido e irregular que desperdiça seu potencial com sua pretensão de ser mais inteligente do que é.

O filme conta a história de Greta, uma americana que que aceita um trabalho de babá em casa de família inglesa. Lá ela se depara com uma situação atípica. O “filho” em questão que ela tomará conta é, na realidade, um boneco de porcelana. Seus pais, pessoas que parecem estar no limite da perturbação mental, elaboraram uma list de regras para o bom cuidado do seu filho, a quem eles conferem sentimentos, culpa em objetos desaparecidos entre outros.

Na primeira parte do filme, tudo certo. Inclusive uma boa construção de cena do diretor, hábil em transmitir suspense pelos corredores do clichê da “casa mal assombrada”.  Peca contra o filme, o fato do boneco, diferentemente de Chucky ou a recente Annabelle, não ter um semblante creepy, bizarro – ele parece sempre meio morto demais para causar algum tipo de má impressão.

Sem os pais na casa e com Gretta sozinha na gigantesca casa, coisas estranhas começam a acontecer. E é aí que o filme começa a se perder completamente. Seja no exagero na utilização de clichês (como a famosa tática de mostrar um susto e depois revelar ao expectador de que se tratava de um sonho), planos dos espelhos, visitas ao sótão e etc.

O elenco, irregular, consegue piorar quando, aos 45 do segundo tempo, temos a adição de um novo personagem à trama – um ex-marido da protagonista, com quem divide um sub plot que está ali apenas para gerar mais vítimas ao tal boneco.

E como se o leite já não tivesse derramado, o roteiro sabota qualquer tipo de suspense ao investir em uma virada de roteiro que vai fazer os espectadores saírem do filme pensando em como aquilo pode ter ocorrido. Assumindo sua própria incompetência, o filme nega fatos apenas para reforçá-los mais tarde, em uma tentativa de inovação que faz o filme ainda mais irrelevante.  Em suma: um exemplar dispensável. VOLTA CHUCKY!

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