O Cinema2Manos orgulhosamente abre espaço para nossas duas colaboradoras Adriele Pereira e Esperanza Mariano.

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NOTA: 4 / Adriele Pereira

O filme é uma caricata adaptação do best seller homônimo de Seth Grahame-Smith que parodia o brilhante clássico Orgulho e Preconceito, de Jane Austen.

Trocadilhos à parte, ao assistir esse filme é preciso deixar o preconceito na porta da sala do cinema, porque embora seja um filme com zumbis, não é, necessariamente, um filme de zumbis. A essência da história original se manteve uma vez que não foi construída a partir da busca pela cura dos mortos-vivos ou da sobrevivência dos humanos. No entanto, gira em torno da relação de amor e desprezo entre Elisabeth Bennet, interpretada por Lily James (Cinderela e Downton Abbey) e um dos mais charmosos personagens da literatura britânica, Mr. Darcy (Sam Riley).

Um aspecto curioso sobre o filme que pode te deixar com um pé atrás antes de assisti-lo é o fato de Anne Hathaway, Blake Lively, Emma Stone, Mia Wasikowska, Rooney Mara e Scarlett Johansson terem recusado convites para interpretar Lizzie. Porém, a atuação de Lily fez jus à irreverência e inteligência da protagonista.

A produção tem uma série de altos e baixos.  A fotografia, por exemplo, é assustadora. Não no sentido de causar medo ou pavor. É assustadora de malfeita mesmo, bem pitoresca. Em contrapartida, a maquiagem compensa, em parte, a deficiência deixada pela fotografia.

Já o roteiro de autoria de David O. Russell e do diretor Burr Steers é coerente com a proposta do filme uma vez que acentua as principais características dos personagens como a petulância do Mr. Collins e a perspicácia e o sarcasmo do Sr. Bennet, por exemplo. Os memoráveis diálogos de Austen foram inseridos na íntegra nas cenas de ação e esta escolha foi, definitivamente, um dos aspectos que garantiram que o filme não desandasse por completo.

Outro ponto inusitado do filme é que com a epidemia de zumbis, tornou-se muito comum que as famílias mandassem seus filhos para treinarem luta no Japão ou na China. Os que iam para o Japão pertenciam às famílias ricas, já os que eram enviados para a China valorizavam além da técnica, a sabedoria da cultura milenar. As irmãs Bennet treinaram na China e, por conta disso, dominam as artes marciais e manuseiam muito bem as espadas.  A estética oriental é, portanto, inserida na narrativa através de mapas e desenhos em papel para esclarecer a guerra.

Orgulho e Preconceito e Zumbis é, dessa forma, uma grotesca, porém coerente produção que exagera na caracterização e representação dos personagens e valoriza a atuação das atrizes femininas, porque não é comum que as mulheres tenham mais cenas de ação do que os homens.

NOTA: 5 / Esperanza Mariano

Está aí um filme que só pelo nome você já sabe que pode esperar algo no mínimo debochado. Seguindo a mesma linha de “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” (2012), “Orgulho, preconceito e zumbis” é um filme baseado na obra clássica de Jane Austen e na versão moderna de Seth Grahame-Smith.  Dirigido e adaptado por Burr Steers, a história mistura as cenas mais icônicas e personagens do primeiro livro com um universo novo, em que o século 19 está passando por um apocalipse zumbi.

Lily James, que se tornou conhecida no último ano ao interpretar a Cinderella, é responsável por dar vida à nova Elizabeth Bennet e se saí bem, enquanto Sam Riley tem o difícil trabalho de se tornar o novo Mr. Darcy (podemos voltar com a versão de Colin Firth, por favor?). O elenco conta ainda com Lena Headey (sim, de Game Of Thrones) e Matt Smith (Doctor Who), a grande estrela do filme. Como cômico Parson Collins, Smith traz ao filme a diversão que estava faltando. Suas cenas são as mais divertidas e ansiadas durante todo o longa.

Em geral, a proposta de “Orgulho, preconceito e zumbis” não parece atraente em momento algum, mas a curiosidade fala mais alto e é isso que deve levar os espectadores ao cinema. E se você não está familiarizado com a obra clássica de Austen, já aviso que talvez esse não seja um filme para você. Para entender as piadas e referências e aproveitar um pouco mais a sessão, é essencial o conhecimento da história original, já que as falas se repetem em 90% do filme.  E, mesmo assim, é possível que você saia do cinema sentindo falta do algo mais que o título promete.

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