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NOTA: 6,5 Esperanza Mariano

Vencedor do prêmio de direção no Festival de Sundance do ano passado, “A Bruxa” é um dos filmes de terror mais comentados das últimas semanas. Acho que há algum tempo não via um filme com jogadas de marketing tão pesadas quando esse. É crítica em tudo quando é lugar, trailer patrocinado em todas as plataformas online, matérias em todos os sites… Quando isso acontece, temos dois possíveis resultados: ou você vai assistir ao filme e ele vai superar as suas expectativas e te surpreender de uma maneira positiva, ou ele vai ser aquela decepção, que te faz deixar o cinema com um pouquinho de raiva da equipe de marketing responsável por todo o hype. Infelizmente “A Bruxa” não foi uma surpresa agradável para mim, acredito que não pelo o filme em si, mas por aquilo que estão vendendo.

Dirigido por Roger Eggers, “A Bruxa” conta a história de uma família da Nova Inglaterra, nos Estados Unindos, em meados do século XVII. Só com essas informações, você já deve imaginar que um dos pontos fortes do filme são suas referências históricas, que de fato merecem destaque. Após serem banidos da plantação onde viviam o casal William (Ralph Ineson) e Katherine (Kate Dickie) e seus 4 filhos se mudam para o interior, se estabelecendo às margens de uma floresta bem suspeita. O drama começa quando a filha mais velha, Thomasin (Anya Taylor-Joy) está brincando com o irmão mais novo, um pequeno bebê, e ele misteriosamente desaparece. A partir desse momento, acontecimentos macabros e perturbadores começam a acontecer em torno da família. Mas que fique claro, o filme é um terror histórico, inspirado em lendas antigas que causa muito mais curiosidade do que o medo propriamente dito. Seu desenvolvimento é lento e arrastado, deixando para os minutos finais as melhores cenas.

É preciso dar os créditos à ótima fotografia do filme. A falta de cor e escuridão, combinados com o cenário cru da floresta e a claustrofóbica cabana onde a família vive, era aquilo que o filme precisava para causar o mínimo de suspense no espectador. O figurino também merece menção, os detalhes são abundantes e fazem toda a diferença na experiência histórica da obra – e esse sim é seu ponto forte. Anya Taylor-Joy também pede destaque: a atriz está ótima no papel e carrega o filme em diversos momentos, além de saber aproveitar o desenvolvimento da personagem.

Em geral, “A Bruxa” é um filme interessante. Contudo, um bom filme drama histórico e não de terror, por isso pode decepcionar aqueles que estiverem buscando sustos, mortes e banhos de sangue a cada minuto. Na verdade, não espere nenhum susto de pular da cadeira. As cenas são mais perturbadoras e macabras do que qualquer outra coisa.

 

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