batmanvsuperman

MÉDIA: 7 – Leia abaixo as críticas de Caio César e Renato Furtado.

#falaCaio

NOTA: 7,5

Quem acompanha este singelo site sabe que eu e meu mano Renato somos tipo Emoção e Razão. É assim que a gente se comporta. Ele é sempre mais centrado, culto, escreve sobre os filmes cabeça; e eu sou o emotivo, que adora os blockbusters, que gosta de umas coisas duvidosas. Pois bem, estes dois perfis travaram uma verdadeira guerra nos últimos meses. Isso porque eu achava, com todas as forças do meu coração, que este filme seria “O” filme. E eu juro que já estava preparando minha musiquinha da vitória e o meu “te avisei” pra quando saíssemos da sessão deste “Batman Vs Superman”. Surpresa: eu quebrei a cara. Na verdade nós quebramos. O filme não é o novo Poderoso Chefão MAS, também não esse desastre anunciado que muitos esperavam.

Para falar sobre este primeiro intento da DC de expandir seu universo e, assim, emular o sucesso absurdo da sua co-irmã e maior rival Marvel, é extremamente necessário pontuar a lambança que foi a estratégia de marketing deste filme. Isto, aliado ao roteiro alucinado do longa, simplesmente matam quaisquer momentos de emoção dos expectadores. Alguns vão vibrar (como na sessão em que eu estava) com a chegada da Mulher Maravilha, ou com as MUITO bem orquestradas cenas de luta dos dois über herois mas, em suma, vai ser só isso. O segundo trailer lançado pela Warner é, de fato, uma das piores peças de marketing de todos os tempos, que serviu para desviar toda a atenção do suposto plot principal do filme. A cagada parece ainda maior quando se percebe que, cronologicamente, os trailers apresentam pedaços de todos os atos – deixando muito poucas novidades para os fãs.

Entretanto, é impossível dizer que se trata de um filme ruim. É apenas uma obra perfeitamente estruturada, com um orçamento absurdo, com nomes de primeira linha, mas sem coração. O filme peca em evocar no expectador qualquer tipo de sentimento. Até porque, inacreditavelmente, parece faltar tempo para tratar dramaticamente melhor dos personagens – embora o filme rode durante mais de duas horas e meia. O roteiro, com alguns poucos, mas importante, furos, demora a engrenar e não permite que entendamos, de fato, o que move o conflito entre os herois.

Porém, é admirável que, mesmo depois de uma das trilogias mais poderosas do cinema moderno, o visionário diretor Zack Snyder consiga estabelecer, em pouco tempo, o tom e o personagem do novo Batman. Ele é ajudado por uma interpretação sóbria, segura e EXTREMAMENTE BOMBADA de Ben Affleck (que com certeza fez um plano black da smart fit e não faltou nenhum dia), que parece ter nascido para interpretar o papel. O mesmo eu consigo falar de Henry Cavill, que embora seja um ator limitado e sem muito carisma, consegue fazer mais do que o roteiro (que sabota um personagem que já é chatinho de natureza) lhe oferece. Alguém de quem eu gosto no filme: Jesse Eisenberg, ainda que metade do mundo dos críticos esteja odiando sua interpretação. Eu normalmente não gosto do Jesse, nem de sua dicção MAS, seu Lex Luthor é um misto de loucura, ambição e poder que valem a pena. E, é claro, a cereja do bolo: a estonteante Gal Gadot, que rouba cada cena em que sua Mulher Maravilha está. E uma menção honrosa à presença sempre marcante da trilha épica do deus das soundtracks Hans Zimmer, desta vez colaborando com Junxie Xl, de Mad Max. Dois temas, especialmente, são memoráveis: o de Lex Luthor e o da Mulher Maravilha.

Pior do que o sentimento de frustração típico é aquele em que sentimos que algo poderia ter sido muito melhor do que foi. Com um terceiro ato quase que perfeito, Batman Vs Superman dá algumas esperanças para o futuro da DC nos cinemas. Entretanto, ele está sendo tocado pelo mesmo Zack Snyder, que não parece ouvir as críticas à falta de emoção e paixão em seus filmes e segue priorizando à imagem em detrimento à mensagem. É um pontapé digno, mas a correria em estabelecer logo um universo que a Marvel, por exemplo, demorou anos (e vários filmes) para estabelecer, pode ser um pouco arriscado demais.  Mas, nós estaremos lá!

#falaRenato

NOTA: 6,5

Vamos direto ao que interessa: Zack Snyder é um Michael Bay melhorado. Nada mais do que isso. Aliás, para ser um legítimo filme de Bay, só faltaram mesmo as mulheres seminuas em Batman v Superman porque o resto tem tudo: barulho, explosões, batida de carros, cidades sendo destruídas, muitos efeitos especiais, muita ação, explosões e BARULHO. Isso é ruim? Não, não necessariamente. Só é ruim quando toda esta parte visual, todo este entretenimento e explosões não conseguem coexistir com um roteiro minimamente decente.

O grande problema de BvS é justamente esse: a falta de um roteiro melhor. A trama é interessante, a premissa é até legal (afinal, todo mundo quer ver o Batman enfiando a porrada no Super-homem), mas a canastrice é de doer o coração. Muito cartunesco (em um sentido pejorativo), muito caricatural e muito complicado em seus diálogos e em suas situações que se resolvem de maneira muita simples. Isso sem falar nas pontas soltas, nas subtramas pouco desenvolvidas e nos ótimos temas (como a comparação da figura do Super-homem com entidades divinas proféticas e messiânicas) que são apenas pincelados, quando deveriam formar o esqueleto do filme.

O filme também sai no prejuízo com Henry Cavill, Amy Adams, Laurence Fishburne e, acima de tudo, Jesse Eisenberg. Os três são atores importantes no filme, evidentemente, e os três são fracos. No caso de Adams, a culpa é da personagem, visto que ela é uma grande atriz. Quanto ao primeiro e ao último, a questão é de problemas de interpretação mesmo. Cavill é um canastrão clássico e talvez funcione apenas em filmes onde faça personagens assumidamente canastrões (como em O Agente da U.N.C.L.E.). Por não ser um dos atores mais talentosos do mundo, dá para entender os problemas. O pior fica por último, no entanto.

Jesse Eisenberg só tem dois tipos de papeis: quando ele faz ele mesmo bem e quando faz mal. Ele não tem variação além dessas duas e o máximo que faz é melhorar um pouco ou piorar muito. Aqui, Eisenberg é totalmente equivocado durante noventa por cento do filme. Ele é irritante, não tem carisma e a cada vez em que aparece só resta torcer para que ele saia de cena o mais rápido possível. Para compensar a performance tenebrosa de Eisenberg, fica a surpresa de que Affleck não compromete o filme, apesar da falta de talento como ator (por favor Affleck, se mantenha apenas como diretor, você é realmente bom nisso). No fim das contas, a melhor do elenco é realmente Gal Gadot, que surpreende, constrói uma boa personagem e se eleva facilmente em meio à catástrofe de interpretações. Será bom vê-la em mais projetos e mais vezes como Mulher Maravilha.

O que funciona mesmo no filme (apesar de todo o barulho da trilha sonora que não sabe ficar quieta nem por um segundo sequer, me fazendo lembrar das palavras do sábio Walter Murch ao exaltar o som e a importância do silêncio no Cinema) são as cenas de ação. Snyder tem um grande controle estético e visual da obra, isso é inegável e, portanto, as cenas de ação e as cenas épicas são interessantes e algumas são genuinamente boas – o filme justifica o 3D e o IMAX e, se possível, recomenda-se ser visto na maior tela possível. A estrutura do combate é bem bacana e a parte final do filme quase nos faz esquecer do roteiro nível 007 Spectre do restante da duração.

Sem mais delongas, é isso aí mesmo, BvS é um filme mediano – supera O Homem de Aço, mas isso não é tão difícil – que demonstra que a DC ainda tem que encontrar o caminho certo. Para BvS, 30 minutos a menos seriam bons, ter uma trama menos carregada, sombria e dramática sem espaço algum para alívio também seria uma boa ideia – as piadinhas da Marvel funcionam tão bem porque equilibram a balança do filme – e, acima de tudo, ter um diretor com um maior controle da narrativa além de ter controle apenas visual. A escola de Michael Bay, no entanto, vai bem. A DC, nem tanto.

 

 

 

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