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NOTA: 6,5 / Caio César

Sabe aquela famosa frase que sua mãe falava para você após aquela costumeira derrota no esporte; no jogo; no amor? “Filho, o importante não é vencer. É competir!” Que raiva eu tinha dessa frase. Quando mais novos, querer ganhar sempre é quase um instinto. O elevado senso de civilidade e inocência, porém, molda o Eddie “The Eagle” original, cuja vida resultou neste Voando Alto, filme que estreia em solo brasileiro com um timing perfeito – já que dentro de alguns meses as Olimpíadas serão realizadas por aqui.

Se por um lado a assimilação com o esporte demora a pegar o público brasileiro, é muito fácil se identificar com a personalidade de Eddie. Típico loser, ele é excluído das competições para uma vaga nas olimpíadas por não atingir algumas metas pré-definidas. É o ponto de partida para que ele procure uma categoria onde se enquadre. Ele descobre então que há uma categoria que há muito tempo não tem um representante da Inglaterra, seu país – e vai fazer de tudo para ser o novo rosto do país nas olimpíadas de inverno. Nem que seja apenas para participar, sem ambição de vitória.

Produzido por Matthew Vaugh, o diretor de KingmanVoando Alto traz no papel principal o jovem Taron Egerton, novo queridinho da indústria após o êxito no papel principal do filme de Vaugh. Aqui, porém, ele não se destaca tanto. Continua muito simpático e com boa presença de tela, mas seus trejeitos e feições para compor Eddie, que sofre de Síndrome de Asperger, soam caricaturais demais – principalmente no terço inicial do filme, o que ocasionalmente prejudica a afeição com sua persona. Já Hugh Jackman está bom, como já era de se esperar, no papel do tutor do rapaz. Com um ar de arrogância, rebeldia e ambição, o ator molda o caráter de seu personagem de modo à cativar a atenção e o carinhos dos espectadores, ainda que o seu passado seja relativamente questionável.

A força do filme, entretanto, está a partir da metade de seu segundo ato para frente, quando o filme abraça todos os esquemas possíveis de um feel good movie, incluindo os mais rasteiros clichês e manobras para manipular o sentimento da plateia. E não é que funciona? O leite de pedra é sugado até as últimas cenas, chaves para a historia do personagem principal.

Adocicado, o filme pode causar uma impressão melhor do que a sua qualidade normalmente faria. Entretanto, fui pego pela emoção e isso o longa é capaz de fazer; e muito bem! À julgar pelas críticas moderadas que vem recebendo, o filme funcionará de maneira diferente para cada espectador. Mas, para aqueles que embarcam neste universo, ele pode voar mais que suas pequenas asas permitem. E bem alto!

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