20160301-invasaoalondreslondon-has-fallen-gerard-butler-2

NOTA: 3 / Caio César

Algumas vezes, no cinema, o uso exacerbado de estratégias ultrapassadas pode ser considerado como uma espécie de homenagem ao cinemão que um dia existiu – desde o conceito de one man army (o popular exército de um homem só, como visto em Rambo), até construções narrativas que não surpreendem nem uma criança, tamanha a previsibilidade do que está na tela. Não é o caso deste Invasão a Londres, sequência de Invasão a Casa Branca, que há dois anos atrás surpreendeu ao se tornar um sucesso de público.

Movendo o cenário para a Europa, o filme é esperto em sua premissa, cujo ponto de partida é a morte de um líder de estado e a eventual reunião de governantes de várias democracias para o seu funeral. Devido ao risco de ataques terroristas, um forte esquema de segurança é montado – e o agente especial interpretado por Gerard Butler é convocado pelo presidente Aaron Eckhart para cuidar da segurança pessoal do líder americano. É na execução do plano maligno que tudo começa a degringolar.

A proporção dos ataques terroristas à Londres é no mínimo descabida. É praticamente uma piada acreditar que toda a operação da cidade seria sitiada em tão pouco tempo – e sem qualquer tipo de monitoramento das autoridades competentes. O público sabe que as coisas não são fáceis assim, que há redes de monitoramento em todos os lugares e que, dificilmente, ações em grupo não seriam interceptadas. Ainda assim, o que poderia ser um grande espetáculo visual é sabotado por efeitos especiais medíocres que empalidecem ainda mais quando visto em telas de alta qualidade como a da exibição para jornalistas. A fumaça das explosões, em determinada cena, só aparece após um certo tempo da explosão: esse é o nível!

A partir daí, o que se vê é um bom elenco em atuações irregulares tentando fazer o que podem com um fiapo de roteiro tão risível quanto as caras e bocas de Gerard Butler, que parece ter encontrado apenas um papel para interpretar e se repete à cada novo filme. Nem Morgan Freeman e sua presença sempre elegante salvam a desgraça. O destaque vai para Aaron Eckhart, cujo personagem é bem trabalhado em suas nuances e é capaz de, legitimamente, emocionar pelo desespero e  crescimento pessoal durante o desenrolar da narrativa.

O diretor iraniano Babak Najafi até tenta oferecer ao público um espetáculo divertido, mas falha consideravelmente. Quando investe em um plano sequência, durante uma invasão a um prédio sitiado, se perde na construção de cena, jamais evocando tensão alguma na plateia que acaba por ficar confusa com os elementos da cena.

Nada, porém, se compara ao terço final da projeção. Com todos os clichês possíveis, diálogos dignos de pena e resoluções patéticas para os conflitos, o filme ultrapassa todas as fronteiras da mediocridade. A cereja do bolo é o discurso ultra-nacionalista, xenofóbico e, de fato, incitador de ira, com frases de repúdio às nações do oriente médio ditas em frente à pomposas bandeiras dos Estados Unidos. No mínimo deselegante e um desserviço da arte neste momento conturbado que envolve refugiados daquelas regiões.

Esquecível e retrógrado, Invasão a Londres, surpreende por sua boa premissa e equivocada execução. Basta esperar agora o Invasão ao Rio. Imaginaram? Por favor, me desculpem.

Anúncios