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NOTA: 8 / Caio César

Existe uma dificuldade óbvia na revisitação de grandes clássicos em novas produções. Ela fica ainda mais latente quando o clássico em questão será apresentado em uma nova plataforma. Ela consiste na solução da seguinte problemática: reverenciar o produto original; e oferecer algo novo para as novas gerações (e àqueles que pararam no tempo e ainda piram com seus clássicos de juventude). É o que acontece com o novo Mogli – O Menino Lobo, adaptação da Disney para o memorável desenho infantil dos anos 60.

Transpôr um desenho animado para as telas acrescenta mais um problema: como recriar a selva? onde filmar? Para todas estas questões, o diretor Jon Fraveau tem a resposta. Filmado digitalmente em um estúdio de Los Angeles, Mogli tem um conceito visual ousado e ultrarealista. O que causa, é verdade, certo estranhamento quando os animais abrem a boca e começam a falar. Isso logo é contornado com as explicações de Bagheera, personagem de Ben Kingsley. Entretanto, ainda estranho reparar que alguns animais não desenvolveram um “linguagem” enquanto outros, do mesmo habitat, são tratados diferentemente.

E por falar em Kingsley, todo o elenco de vozes merece parabéns pelo trabalho excepcional – com destaque para o vilão de Idris Elba.  Scarlett Johansson parece ter tido algumas cenas suas cortadas (talvez até por causa de sua delicada situação de gravidez). Honra também ao mérito do ator mirim Neel Sethi, que segura todo o filme nas costas – e cujo carisma e inocência do personagem são trabalhados de maneira perfeita com a naturalidade do personagem. A história, contudo, mantém-se a mesma. Mogli é um menino que, logo cedo, é levado para morar com lobos, em uma alcateia – depois que seu pai faleceu nas mão do tigre Shere-Khan. Ele, com o tempo, desenvolve características de humanos, levando ele a questionar se sua presença na aldeia dos lobos é correta – já que o temido tigre anunciou o início da caça ao garoto, devido ao que aconteceu no passado.

O tema sombrio permite que Jon Favreau aplique, no filme, uma quantidade maior de sobriedade e de realismo fantástico, conferindo certa crueza em algumas cenas que devem deixar os filhos um pouco desconfortáveis. O roteiro do remake, escrito porJustin Marks e Rudyard Kipling (que também escreveu o longa animado original) encontra certa dificuldade temática para encaixar alguns dos maiores clássicos do longa. Se a música de Baloo (Somente o Necessário) entra perfeitamente na lógica daquele mundo, o mesmo não se pode dizer do número musical estrelado por King Louie, personagem de Christopher Walken, que soa artificial, falso e que nos tira completamente da imagem pré construída pelo longa sobre o poder, a imponência e a sobriedade do grande gorila.

Com um 3D de tirar o fôlego, muito bem construído conceitualmente, Mogli – O menino Lobo é mais um tiro certeiro da empresa do Mickey Mouse. Lindo, encantador e muito bem realizado, o filme é o segundo acerto do ano da empresa, que já nos presenteou com o maravilhoso Zootopia. Terminando com pontas soltas para uma nova aventura, após uma pulsante e muito bem filmada cena final de ação, o longa não dá sinais de cansaço e deverá retornar em breve com mais uma história do universo agora comandado por Favreau.

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