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NOTA: 8,5 / Por Nathalia Barbosa

Bombas, explosões, carros voando, poeira e mais poeira… Isso descreveria perfeitamente X-Men Apocalipse se não fosse a presença marcante de elementos históricos no roteiro idealizado por Simon Kinberg. Continuando a confusa luta dos mutantes para conviverem juntos aos humanos, exposta em X-Men: Dias de um Futuro Esquecido por meio de um divisor de águas, Apocalipse aprofunda a questão iniciada no Tratado de Paris após a guerra do Vietnã, em 1973.

X-Men: Apocalipse é uma densa batalha dos mutantes, mas que tenta ser discreta, assim como o contexto no qual vivem – a Guerra Fria. Com o clichê de um caos emergindo no Oriente e os heróis do Ocidente “altruisticamente” preocupados em salvarem o mundo, Apocalipse – um deus que desperta no Egito para purificar a humanidade e fazer os mutantes dominarem o mundo com o máximo de suas forças – invade o Cérebro do Professor Xavier, impulsionando o espírito de combate e superação dos alunos da Escola de Superdotados e, ainda, colocando a considerada heroína Mística como inspiração e incentivo da missão que irá elevar o caráter guerreiro dos diferentes oprimidos para evitar o fim do mundo.

O máster do longa é brincar com a história político-ideológica tão marcante da época. De forma criativa, Kinberg, com um bom jogo, coloca os personagens como fundamentais atores daquele período conturbado. Sacadas com a coca-cola, piadas com Star Wars, referências a Michael Jackson e problemáticas envolvendo o nazismo, a URSS e os EUA em ascensão são profundamente marcantes ao longo do filme. Porém, é por meio de Mercúrio, interpretador por Evan Peters, que o tom engraçado da Marvel aparece.

Com Peter ainda vivendo no porão de sua mãe coberto por pôsteres do Pink Floyd e Rush, Bryan Singer volta a explorar os poderes de Mercúrio com sequências em slow motion em contraponto à sua velocidade, criando as cenas mais bizarras e excêntricas possíveis. Quando Mercúrio aparece na cena para consertar a situação ou dar mais uma de suas sacadas sutis, mas nada discretas, o riso por parte do público é praticamente óbvio. Tendo uma relação enigmática e nada simples com Magneto, fica a dúvida de como irão explorá-lo nos próximos filmes.

Um questionamento forte do sistema, principalmente em um período de crescimento do capitalismo, assume importância equiparada ao desejo dos mutantes viverem em sintonia com o resto do mundo. O elogio final fica por conta de John Ottman que, ao fazer uma trilha sonora marcante – não tão criativa, mas que consegue envolver o espectador junto com ora cenas de ação, ora cenas desaceleradas com música clássica –, ressalta ainda mais o caráter de X-Men: Apocalipse em ser divertido e, ao mesmo tempo, agradável a quem exige um pouco mais para fugir das mesmices do gênero. Obviamente, o longa não foge de tais, mas consegue ir um pouco além das piadas típicas da Marvel ao priorizar uma relação aprofundada de seus personagens com os marcos históricos, recriando cada um deles cena por cena.

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