poltrona_vizinhos2

NOTA: 5 / Por Caio César

Pode parecer incrível, mas no invejável currículo do astro da comédia Seth Rogen, esta é apenas sua primeira sequência. Depois do primeiro filme ter feito um certo barulho em 2014 (e até com justiça, já que é eficiente e divertido), Vizinhos 2 é uma continuação que oferece mais do mesmo, embalado por novas aventuras que, se às vezes trazem um respiro e arrancam risadas, em outras cansam por sua estrutura repetitiva e uma linha ética questionável – seguindo a linha da carreira do diretor Nicholas Stoller.

Começando alguns anos depois do final do primeiro longa, o roteiro encontra o casal Mac e Kelly em uma situação muito mais confortável que antes. Pais de uma criança de três anos, eles se cobram pela responsabilidade de oferecer uma educação melhor à criança. Não que eles consigam de maneira muito fácil – já que a criança fica andando com os “brinquedos sexuais” da mãe pela casa. O projeto da família se consuma com a compra de uma nova e equipada casa em outra área. Os compradores do seu antigo lar, entretanto, querem fazer um teste de 30 dias para saber se vale a pena investir na vizinhança. E então, obviamente, as coisas saem do controle quando garotas de uma fraternidade se mudam para a casa ao lado.

Em mais um problema de escalação, Chloe Grace Moretz interpreta a líder do grupo. Chloe, que é uma boa atriz, parece nova demais e frágil demais para interpretar o papel de uma menina mais velha. Falta à ela uma malícia especial e uma densidade para oferecer algo a mais. Seu arco, entretanto, é a surpresa do filme – com uma discussão pertinente sobre s direitos das mulheres nos Estados Unidos, tratado de maneira honesta e com “a língua dos jovens”.

Do outro lado, Rose Byrne está confortável como a matriarca da família – ao passo que Seth Rogen continua interpretando o mesmo bananão que faz em todos as comédias que produz, maconheiro, irresponsável e extremamente amável. Auxiliado por um bom time de coadjuvantes, que preenchem todos os clichês de personalidade que PRECISAM estar presentes neste tipo de filme, as melhores cenas são as que colocam em contraste a juventude e a maturidade dos dois grupos.

Mas quem rouba a cena (até de propósito) é o ator Zac Efron, completamente confortável no papel que o compete: o de imaturo, que se deu mal na vida e que assiste passivamente à todos ao seu redor acharem um lugar de onde pertencem e ele parado no tempo. Desesperado pra chamar atenção e ser útil, ele utiliza o carisma e o corpo para mostrar à que veio. Suas cenas são sempre carregadas de naturalidade e Efron mostra que pode ser um pouquinho melhor que a média quando não se leva a sério.

Embora melhore um pouquinho no segundo ato e, ainda que seja tecnicamente bem realizado, Vizinhos 2 nunca parece original ou divertido o suficiente para ser considerado um êxito. Principalmente no final, onde o roteiro carrega em uma doçura que parece não pertencer ao mesmo filme que acabamos de assistir. Para alguns, o longa pode funcionar como uma despretensiosa comédia de broderagem americana que está ali para divertir e só. Para outros, nem isso.

Anúncios