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Papo reto sobre a Sétima Arte

mês

junho 2016

Procurando Dory (Andrew Stanton, 2016)

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NOTA: 8,5 / Por Caio César

Treze anos após a estreia do filme original, chega aos cinemas de todo país um dos longas mais aguardados do ano (talvez de alguns anos): Procurando Dory, continuação de um dos clássicos mais importantes da Pixar.

O filme encontra Dory, Nemo e Marlin apenas um ano após o final da última história. Dory está tendo insights sobre sua família, memórias que ela mesmo havia esquecido devido à sua doença, a perda de memória recente. Montando i quebra-cabeça que a leva de volta para os seus pais, ela decide seguir viagem para Los Angeles, com a ajuda de seus amigos.

Os primeiros 25 minutos dão a impressão de que estamos diante de um novo exemplar “Despertar da Força”: um filme que emula toda a estrutura do roteiro original para entregar uma nova história que seja familiar para seu público. Não é o que acontece. Entretanto, isso não exime a Pixar de continuar repetindo uma fórmula que pode dar MUITO certo (Up, Toy Story 3), pode dar mais ou menos certo (O Bom Dinossauro) ou pode dar MUITO errado (Carros 2): apresentação dos personagens, um evento emocional forte de desencontro e um eventual reencontro com tintas emocionantes.

É importante também ressaltar a capacidade da Disney de pensar seus filmes em cada aspecto como um produto muito maior do que apenas os 90 minutos dentro do cinema. Nesta perspectiva, todo o começo do filme, uma sequência de três minutos com uma adorável Dory criança, tem potencial para virar produtos como as pelúcias (que já estão nas lojas) e outros brinquedinhos.

O roteiro, assinado pelos mesmos artistas do original, cria soluções para dar um ar de originalidade à este novo filme a partir da introdução de novos personagens que ajudam Dory em seu estabelecimento como a real protagonista deste filme. Tanto que, em determinado momento, ficamos mais de meia hora sem sequer sabermos das posições de Marlin e Nemo. Dos personagens novos, o que ganha mais tempo de tela é o rabugento Hank, cujo drama pessoal funciona infinitamente melhor do que a tentativa de transformá-lo em uma espécie de super animal – o que faz que, surpreendentemente, um filme com animais marinhos tenha sequências longas fora da água.

É a partir do meio do segundo ato que o filme da uma guinada espetacular rumo à um desfecho muito emocionante. O humor nunca é deixado de lado e deve fazer a alegria de crianças e adultos (principalmente aqueles familiarizadas com o filme original).

Tecnicamente impecável, o filme mantém o frescor visual do primeiro longa, que já era um primor, e traz melhorias tecnológicas que se desenvolveram com o tempo para contar a história. A trilha sonora também é muito bem utilizada, sempre evocando os temas clássicos do primeiro filme.

Trazendo ainda uma incomum cena pós-créditos que deve levar os fãs à loucura, Procurando Dory não é uma obra-prima, tampouco um mero caça-níqueis. É um filme extremamente eficiente, com personagens que tem fôlego, alma e fãs suficientes para retornar em outras aventuras.

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#DESCUBRA: O Que Nós Fizemos No Nosso Feriado (DICA GOLD #02)

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Renato Furtado

A coluna Descubra é, principalmente, sobre o lado D do cinema; o lance é que o lado D nem sempre precisa ser o lado esdrúxulo do cinema e da tevê – apesar de ser quase sempre assim, é verdade. Com a combinação de #DESCUBRA com a #DICAGOLD, trazemos um lado do cinema que é aquele lado da garimpagem da Netflix. Por isso, o filme de hoje é a dramédia (só usei esse termo para falar mais uma vez quanto eu odeio o termo) “O Que Nós Fizemos no Nosso Feriado” – sério candidato a título mais longo do catálogo de streaming.

Narrando a história de uma família (os pais, Doug e Abi, são interpretados por David Tennant, ou Kilgrave, e Rosamund Pike, também conhecida como “Garota Exemplar” e as três crianças são interpretadas por crianças que eu não tenho a menor ideia de quem são, mas que são muito divertidas e competentes) que viaja até os confins da Escócia para encontrar e celebrar o aniversário do avô Gordie (interpretado com bom humor pelo sempre divertido Billy Connolly). O problema, no entanto, é que Gordie está com câncer e que os pais das crianças estão prestes a se divorciar – continuam juntos só para manter as aparências.

Através da direção e do roteiro de Andy Hamilton e Guy Jenkin, o cenário está posto e o drama e a comédia também. O filme é um verdadeiro exercício sobre a realidade de uma família que está prestes a entrar em colapso e, salvo alguns momentos que passam do “realismo” do resto da trama, este é um longa que sabe bem utilizar momentos pequenos e simples para tirar as emoções e reações necessárias, sejam elas lágrimas ou risadas. Não é um grande filme, fica mesmo mais próximo dos filmes que ficam um pouco acima da média; a trama frequentemente cai nas armadilhas espalhadas pelos clichês. Mas, no fim das contas e apesar de tudo, o filme conquista.

O roteiro é terno e tem carinho pelos personagens que cria, carinho principalmente pelas qualidades e, acima de tudo, pelos defeitos de cada um deles, o filme acaba aquecendo corações. Esse é o clássico filme “de boas” (que ainda consegue encontrar ressonância dramática e tratar com seriedade e delicadeza um assunto sério como a doença de Gordie, que afeta e já afetou muitas famílias ao redor do mundo). Diverte, dá aquela emocionada de leve e é real. Para o seu fim de semana relaxando com a Netflix sozinho ou sozinha, com seu namorado ou com sua namorada, com sua família, com seu cachorro ou qualquer outro ser vivo (ou inanimado, vai saber) que você quiser, fica a dica.

 

 

Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo (Afonso Poyart, 2016)

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NOTA: 7 / Por Caio César

É digno de nota quando o cinema nacional destinado ao grande público se propõe a produzir longas que desafiem a hegemonia das comédias abestalhadas com estética televisiva. Deste mal, Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo não sofre. Talvez exista até uma preocupação excessiva com o visual em detrimento de um melhor apuro narrativo.

Dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart, o mesmo de Dois Coelhos e do gringo Presságios de um Crime, “Mais Forte” conta a história do multicampeão lutador de MMA José Aldo, que nasceu em Manaus e se mudou para o Rio para tentar melhorar sua vida. Ele é vivido nas telas por José Loreto, em sua “estreia” nas telonas – já que só tinha feitos pontas nanicas em filmes pequenos.

Divido em uma estrutura épica que demora um pouco a ser assimilada pelo espectador, a primeira parte do filme é uma confusão de dar dó. Tudo parece extremamente fora do lugar, seja a ambientação da cidade, a interpretação dos atores mas, principalmente, a estética louca impressa pelo diretor, cheia de takes de câmera-lenta desnecessários, cortes amalucados e efeitos sonoros intrusivos.

Não que seja mal feito. Muito pelo contrário. Assistir ao filme dá esperanças sobre o futuro do cinema de ação no país e é um exemplo claríssimo do apuro técnico e da visão dos profissionais brasileiros. Entretanto, de nada adianta se esses serviços não estão a favor do contar da história. E história, em Manaus, vem em segundo plano – já que, de fato, nunca entendemos as motivações, os porquês é muito menos os deslocamentos dos personagens que vemos em tela, que por ora, parecem ser dotados de algum tipo de poder sobrenatural de teletransporte.

Graças aos deuses da luta livre esse capitulo introdutório é apenas uma parte de um longa que muda da água para o vinho quando se desloca para o Rio de Janeiro. Lá, Aldo ganha nuances a partir de sua interação com novos personagens, vividos com graça por um elenco de apoio muito bom, capitaneado por Milhem Cortaz e por (!!!!!!) Rafinha Bastos. Cleo Pires não compromete, tampouco soma, sempre soando tão blasé quanto parece ser na vida real.

O que se sucede é um esforço visual e narrativo que é bem sucedido na maior parte das vezes, deixando a desejar apenas em como lida com o personagem de Rômulo Arantes Neto, que nunca é totalmente assimilado pelo público. As cenas de luta são particularmente impressionantes pela qualidade do trabalho de fotografia. Também vale a pena citar as coreografias de luta, que nunca soam artificiais ou montadas – o que, em um filme desses, poderia ser a morte da verossimilhança.

Mesmo sem ser perfeito, “José Aldo” entretém seu público através de uma história de superação embalada em um filme com vibe épica. Afonso Poyart continua mostrando ser um diretor em quem deve-se prestar atenção.

Independence Day: O Ressurgimento (Roland Emmerich, 2016)

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NOTA: 5 / Renato Furtado

É uma tendência industrial, é difícil lutar contra: a (óbvia) predileção de Hollywood pelos blockbusters por causa do fácil retorno em dinheiro e pelos possíveis lucros exorbitantes, faz com que a indústria decida, cada vez mais, fazer sagas, sequências, reboots, remakes e continuações. Afinal, por que fazer algo do zero se você pode “apenas” expandir algo que já foi feito antes e que obteve sucesso? De um ponto de vista comercial, realmente não faz sentido algum. Pelo dinheiro, é melhor ficar com o que já se conhece. Ainda mais se o seu filme possuir uma ação frenética que prende (no mau sentido) o olhar do espectador. Por isso, outro caminho que o cinema mundial comercial tem seguido é o caminho da pressa.

Há uma razão para que a montagem conhecida como clássica (em que temos várias linhas narrativas com vários personagens que são alternadas conforme uma certa sequência atinge seu clímax, que preza pela continuidade de movimentos e ações e que busca ser invisível para manter o espectador na trama, realizando uma verdadeira imersão), criada, aproximadamente, em 1915 por D. W. Griffith, pioneiro do cinema, ainda seja utilizada: ela funciona. Mas, para usar a montagem clássica e apresentar bem sua situação e seus personagens e fazer com que o espectador se identifique com a trama, um filme precisa de tempo; hoje em dia, parece faltar paciência à grande maioria dos longas.

A combinação das duas tendências, normalmente, faz com que os filmes, no fim das contas, resultem em experiências pouco empolgantes, pouco interessantes e pouco empáticas. Na esteira da reutilização de cenas e motivos cinematográficos e do ritmo frenético do cinema de ação contemporâneo (do qual Michael Bay é o verdadeiro papa), Independence Day: O Ressurgimento é justamente assim: um reboot de um filme que fez sucesso vinte anos atrás e que não dá nenhum respiro suficiente para que a audiência possa sequer “entrar” no filme.

Vinte anos depois, a Terra, agora verdadeiramente unida como uma só comunidade por causa da solidariedade causada – de maneira forçada – pelo ataque alienígena de 1996, um ambiente extremamente evoluído por causa dos avanços trazidos pelos estudos das tecnologias que os aliens deixaram em nosso planeta, precisa encarar um desafio ainda maior: o retorno dos mesmos alienígenas, agora muito mais fortes e muito mais determinados a nos destruir. Por consequência, a estrutura do filme é idêntica à do primeiro: a humanidade precisa se unir para sobreviver uma vez mais.

Portanto, se a trama e a estrutura dos dois filmes são muito similares, o que diferencia um do outro? O que faz com que o primeiro seja melhor – ainda que tenha envelhecido mal durante esses vinte anos – do que o segundo? Não existe uma só resposta, mas uma das respostas é bem simples: o primeiro filme respeita o seu tempo. O grande problema de “O Ressurgimento” é o mesmo problema que filmes como “Batman V Superman” e “X-Men: Apocalipse” enfrentaram nesse ano: todos estes longas parecem ter um roteiro de cinco horas de duração que foi montado em um filme de duas horas/duas horas e meia.

Com tantas coisas acontecendo, não sobra nenhum tempo para que a audiência goste dos personagens. Se no primeiro filme vemos as vidas dos personagens, ainda que um pequeno pedaço delas, neste filme só é possível gostar dos personagens de Jeff Goldblum, Bill Pullman, Vivica A. Fox, Judd Hirsch e Brent Spiner porque já vimos os seus desenvolvimentos no primeiro filme. Não é questão de desmerecer o mérito do carisma dos atores em cena ou algo do gênero, é simplesmente uma questão de ritmo, uma questão de tempo.

Quando nenhum dos personagens novos (Liam Hemsworth, Maika Monroe e o novato Jessie T. Usher se esforçam em seus papeis, é verdade) causa identificação com o público, é porque tem algo errado. Ainda, isso traz uma problemática estrutural muito maior que a empatia causada pelos personagens ou não em um primeiro momento: se nenhum dos heróis é carismático o suficiente, se a Terra do filme não é exatamente a nossa Terra, como é possível se importar com a destruição ou não do planeta? Em outras palavras, se não há ninguém para quem você possa torcer (e em um filme como esse é essencial que exista uma figura para torcer por), por que ver o filme? Não faz sentido algum, é a mais pura verdade.

O roteiro é, portanto, risível. Os diálogos são péssimos, a construção dos personagens é pífia, o encadeamento de ações e relações entre personagens e narrativa é complicado demais para um filme desse tipo e as saídas encontradas pela escrita do longa são horrorosas. Não há um acerto sequer no âmbito político e o exercício de imaginação de uma sociedade utópica em “O Ressurgimento” é uma das maiores falhas de todo o projeto. É uma imaginação falha em si. Existem outros graves problemas.

A única coisa que salva o filme é quando as sequências de ação começam a engatar e as coisas entram em um ritmo mais plausível ao projeto. Os esforços técnicos do filme (a não ser pela montagem, que faz muito pouco para tentar resolver alguns problemas que poderiam ser solucionados de um material ruim), principalmente de fotografia e de design de produção, são suficientes – médios, melhor dizendo – e dão um bom espetáculo. Ainda que algumas sequências pudessem ter sido melhor exploradas, não falta ação ao filme e, mesmo não sendo da mais alta qualidade, cumpre bem o seu papel e o longa, no fim das contas, entrega o que promete. Roland Emmerich, por sua vez, não compromete, mas também não ajuda.

Podia ter sido melhor? Sem sombra de dúvidas. Poderia ter sido um filme inesquecível? Não, não mesmo. O material não é bom o suficiente – nem deste filme e nem do filme original. Pode ser que esse filme cumpra as expectativas monetárias do estúdio, pode ser que as decepcione. Pode ser que as pessoas gostem dele e pode ser que elas não gostem. No fim, tudo o que esta sequência representa é o seu extremo nível mediano. Enquanto o cinema tiver pressa (para ganhar dinheiro e para fazer filmes), as coisas continuarão do jeito que estão: cada vez mais enormes filmes medianos (que a maioria do público verá, de uma forma ou de outra) atingindo o cinema e o lugar cativo dedicado a eles no esquecimento da audiência geral.

#DESCUBRA:Tetralogia (?) Mega Shark

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Renato Furtado

Por algum motivo não exatamente especificado (talvez seja por causa do filme do Spielberg), um dos animais favoritos do cinema de terrir (“terror” + “rir”) de baixíssimo orçamento feito aos montes para canais de televisão como os magníficos SyFy e Space (especialistas em transmitir filmes e séries de procedência duvidosa) é o tubarão. É tubarão isso, tubarão aquilo, tubarão aquilo outro que você acaba se perdendo. Daria para fazer um livro inteiro só sobre filmes de tubarão.

Dos mais badalados (a fantástica trilogia-prestes-a-virar-tetralogia (?) Sharknado, que narra um tornado de tubarões) aos mais desconhecidos (o tubarão fantasma que nada dentro da neve durante uma temporada de SPRING BREAK NO GELO de Avalanche Shark), com certeza um dos tubarões mais interessantes do cinema é o Mega Shark. Nascido nas profundezas do oceano, o Mega Shark é um tubarão que, como o próprio nome já diz, é um mega tubarão. E, como vocês puderam ver pelo título (SPOILER ALERT), o Mega Shark, durante uma tetralogia (não é possível que essa palavra esteja certa), ainda não foi derrotado.

mega-shark-vs-giant-octopus-packO primeiro filme, “Mega Shark vs. Giant Octopus”, foi lançado em 2009 e é tipo o Mega Shark Origens: neste filme, vemos o início da lenda (?) quando o Mega Shark é liberado de uma geleira anciã (gente, que trama é essa?) junto de um polvo gigante, o Giant Octopus do título. Dos dois, só um pode sobreviver: o problema é que a grande batalha entre os dois monstros marinhos vai causar grandes problemas para os seres humanos, que vão ter que se defender da melhor maneira possível em sua tentativa de sobreviver.

 

Desgraça pouca é bobagem. Vaso ruim não quebra.mega-shark-vs-crocosaurus Adicione qualquer outro ditado popular que tenha o mesmo significado das duas frases anteriores porque agora vamos falar de Mega Shark vs Crocossaurus, a sequência de Mega Shark vs Giant Octopus. A trama é a mesma: um animal enorme se liberta e entra em uma briga colossal com o nosso já célebre Mega Shark, o tubarão favorito de todo mundo. Se tubarão contra polvo gigante, imagina tubarão contra um bicho metade crocodilo metade dinossauro. É loucura, mas a série ainda não foi chegou ao ápice de sua insanidade. Para a sorte de todos nós, Mega Shark vive e vai para a terceira briga.

9200000030691088É preciso dar um prêmio para a humanidade quando ela decide se unir para tentar parar uma ameaça comum e quando toda a beleza desse ato de solidariedade dá vazão à criação do MECHA SHARK, um tubarão robô gigante. Se você não pode derrotar o inimigo, dê um jeito de descobrir as táticas dele para usar contra ele: ou seja, no caso, descubra como ser um tubarão e ataque um tubarão sendo um tubarão. Confuso? Comparado ao fato de que ainda há MAIS UM filme na série, isso é bem tranquilo: confuso estou eu como eles ainda não desistiram de salvar a Terra. Deixa o Mega Shark comer tudo logo…

th8379DV40A não ser que você tenha, por acaso, um robô russo gigante adormecido desde a Guerra Fria de bobeira por aí. Se for esse o caso, não desista de salvar o planeta: basta reanimar o Kolossus e esperar que seus poderes apocalípticos sejam o bastante para derrotar o mega tubarão de uma vez por todas.

É isso, escrever esse texto até derreteu um pedaço do meu cérebro. Para vocês sentirem o naipe da produção, alguns críticos disseram que esta série de filmes (especialmente o primeiro) é tão, mas tão ruim que chega a ser difícil terminar de ver o filme, que chega a ser difícil escrever sobre o filme. Ainda, os críticos disseram que os Mega Sharks fazem Plan 9 from Outer Space (um dos piores filmes de todos os tempos), filme de Ed Wood, considerado o pior diretor da história, parecer uma obra-prima.

Por essa semana é só. Enquanto eu tento me recuperar do absurdo que foi escrever essa matéria, vou apenas dizer que semana que vem tem mais. Se por um acaso você quiser conferir os trailers dos filmes (recomendo especialmente o trailer do quarto filme por causa de uma cena no RIO DE JANEIRO), deixo aí com vocês:

Mega Shark vs Giant Octopus

Mega Shark vs Crocossaurus

Mega Shark vs Mecha Shark

Mega Shark vs Kolossus

Big Jato (Claudio Assis, 2016)

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NOTA: 7,5 / Renato Furtado

Há um termo no campo da crítica literária que define muito bem o novo filme de Claudio Assis (“Amarelo Manga”, “Febre do Rato”): Bildungsroman. O conceito, de origem alemã, significa “romance de formação” em português. Este tipo de livro, normalmente, acompanha os anos de formação (política, psicológica, física etc.) de um/uma adolescente até atingir certo ponto na vida em que o/a protagonista atinge um nível de maturidade. Assim é “Big Jato”, filme adaptado do livro homônimo de Xico Sá (um dos maiores cronistas brasileiros da atualidade) e que narra a história do jovem Xico (Rafael Nicácio).

Morador de Peixe de Pedra, Xico é um adolescente que, quando não está estudando, ou acompanha o seu pai, Francisco (Matheus Nachtergaele), na boleia do Big Jato, caminhão de limpeza de fossa séptica que traz o sustento de sua família (formada ainda por sua mãe e por seus outros dois irmãos e sua irmã pequena) ou passa seu tempo com seu tio Nelson (também interpretado por Nachtergaele), caminhando pelos arredores da cidade. Entre o trabalho e o tempo livre, Xico vai se formando entre a personalidade dos dois gêmeos, que tentam guiar a vida do rapaz cada um à sua maneira.

Entre o pai e o tio (a instância controladora e a instância dos impulsos, respectivamente, ainda que, no fundo, os dois personagens carreguem certas similaridades, principalmente em relação à poesia, no tato com a vida apesar das vidas distintas que levam), entre a dureza da vida trabalhada e a leveza da vida poetizada e entre o dever e o prazer, é possível ver a jornada de Xico sendo trabalhada com bastante carinho e coração pelas mãos de Claudio Assis.

O cineasta, acostumado a trabalhar com temas mais duros e com personagens marginalizados e marginais em seus filmes anteriores, aqui demonstra um novo lado – mais palpável, palatável, lúdico e poético – de suas capacidades como diretor e entrega aquele que provavelmente é o melhor filme de sua carreira. Contando algumas das suas técnicas favoritas – seu uso do recurso de quebra da quarta parede é fantástico e muito preciso, caindo como uma luva no momento certo da projetção – e fazendo referências a alguns outros filmes que também se encaixam na categoria do “Bildungsroman” (como “Os Incompreendidos” e “Os Boas Vidas”), Assis prova ter atingido uma maturidade cinematográfica.

Ajuda bastante ter ao seu lado a direção de fotografia de Marcelo Durst, que realiza um trabalho de câmera, de coloração e iluminação que dão o tom correto de poeticidade que a trama necessita. Com cores quentes, com uma predominância de tons alaranjados e com baixa saturação, Durst cria imagens de um sertão árido, mas vivo, pulsante e lírico, exatamente como visto pelas lentes do jovem Xico, cujas imagens criadas em sua mente saem diretamente da sua cabeça diretamente para a tela. Além disso, seus movimentos de câmera e enquadramentos são simples e precisos – justamente, são perfeitos para a narrativa.

Os departamentos de design de produção e de som são muito competentes e ajudam a construir todas as tonalidades e contrastes que Peixe de Pedra precisa ter. Muitos desses elementos, no entanto, são construídos através da polarização realizada pelos personagens interpretados por Nachtergaele – que só funcionam, aliás, por causa da imensa capacidade do ator. Seu poder em tela é tão grande que ele ter se dividido em duas pessoas diferentes dadas as diferenças entre seus personagens. Aliado por um elenco que também é ótimo (também constituído por Marcélia Cartaxo como a mãe e Jards Macalé como o poeta da cidade), Nachtergaele é, com certeza, um dos melhores atores da atualidade.

Contudo, no fim das contas, o melhor de todo o filme é o roteiro de Hilton Lacerda (diretor do ótimo “Tatuagem) e Ana Carolina Francisco. Os dois criam uma fábula e constroem a questão do “duplo” de maneira exemplar. Como duas metades antagônicas (Francisco e Nelson, Nachtergaele e Nachtergaele), os dois personagens são como Yin e Yang – cada um deles possui um pouco do outro dentro de si; um sem o outro não pode existir – e é justamente o antagonismo e a confluência dos dois (como já mencionado anteriormente no texto) que constrói Peixe de Pedra e a poesia.

Os subtextos são incríveis e é possível analisar por muito tempo todos os símbolos trazidos pelo filme e pela poesia da narrativa, mas o fato maior é que (ainda que a película perca força em alguns momentos por causa de certos problemas de ritmo – que não acabam com os méritos do roteiro e nem da montagem, vale ressaltar) Big Jato é um filme bastante objetivo por fazer seu slogan valer, letra por letra: além de ser um belo romance de formação, Big Jato é um “filme que fede verdade e que cheira sonho”.

As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras (Dave Green, 2016)

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NOTA: 4 / Por Caio César

É totalmente compreensível o intuito de se reapresentar as Tartarugas Ninja para um novo público. Os irmãos são personagens divertido, que soam atuais. As decisões de dar um ar jovem e descolado, musculoso, os aproximam da turma clássica dos super-herois que estão em voga no cinema moderno – embora eu entendo que os fãs mais xiitas do clássico devam sentir um certo distanciamento do material original. Entretanto, de nada vale o empreendimento já que a sequência, do já questionável primeiro filme, é desinteressante, longa demais e, por vezes, chata.

Dirigido por Dave Green, As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras, encontra os personagens em um dilema justo e que concentra as melhores cenas do filme: depois e salvar a cidade no longa anterior, as Tartarugas veem o atrapalhado Vernon (Will Arnet) ficar com todo o crédito – e eles vivendo a vida marginalmente, já que imaginam que ninguém será capaz de conviver com a latente diferença física deles para os demais. Um questionamento pertinente em tempos de intolerância das diferenças nossas de cada dia. São de momentos íntimos, onde podemos perceber as personalidades dos personagens, que o filme carece. Isso porque não existe o menor cuidado com a unidimensionalidade dos personagens – sendo necessário o uso de letreiros com uma cor berrante para apresentar cada um como o “líder”; “o que gosta de pizza” e por aí vai…

A história se desenrola de maneira protocolar à medida que novos (velhos conhecidos) são apresentados. Megan Fox, estrela máxima do primeiro filme, perde consideravelmente seu tempo em cena – numa resposta à crítica contundente de que, no primeiro filme, sua personagem seria mais protagonista do que as próprias tartarugas. Stephen Amell como Casey Jones é uma chatice só e Laura Linney (!!!!) faz o básico para ganhar uns milhões de dólares e voltar para casa.

É uma pena que o resultado seja decepcionante, porque é possível perceber o cuidado técnico da finalização do filme, com efeitos especiais muito bons (uma cena aquática que se passa no Brasil é muito bem executada em 3D) e o diretor Dave Green conduz com estilo e firmeza as surreais cenas de ação.  Muito pouco para reavivar a expectativa de um público em formação, que não parece muito animado para uma nova aventura das tartarugas. E, ao fim da projeção, fica comprovado o porquê.

Como Eu Era Antes de Você (Thea Sharrok, 2016)

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NOTA: 7 / Por Caio César

É curioso ver como o público de filmes românticos lida com os filmes do gênero. É de se imaginar que sempre exista uma torcida para que as coisas no final acabem muito bem para o casal protagonista. Entretanto, longas como A Culpa é das Estrelas e este novo Como Eu Era Antes de Você, adicionam à receita um ingrediente incômodo: uma doença que ronda a trajetória dos nossos herois e que, invariavelmente, retorna à mente do espectador quando o mesmo pensa em um final “feliz”. Apenas por abordar um tema tão complicado e denso, o filme, baseado no best-seller de Jojo Moyes (que também assina o roteiro) merece atenção especial. Às vezes é importante lembrarmos que a vida comum tem os seus percalços e que, infelizmente, nem todos são felizes para sempre como gostam de vender para nós.

O filme conta a história de um jovem ativo e rico que sofre um acidente de trânsito. Com graves lesões, ele perde os movimentos de toda a parte do corpo abaixo de seu pescoço. Precisando de uma cuidadora (e alguém que lhe faça companhia), o rapaz contrata a doce Lou Clark para o emprego. A partir daí os dois vão desenvolver uma bela relação que será o pano de fundo para a história do longa.

Assusta, contudo, que o roteiro seja tão simplório em situar os contextos emocionais dos dois personagens, transformando-os em personalidades um tanto que rasas e que precisam de signos para caracterizar de maneira explícita suas personas. Ele, sempre de cara fechada, emburrado, parece desgostoso da vida. Ela, com um sorriso no rosto e roupas coloridas ao extremos, otimista e para cima. Some isso ao fato do roteiro ter sido adaptado pela própria autora do livro – e veja o tamanho do equívoco.

Parte do problema é resolvido por uma execução corretíssima da diretora Thea Sharrock, que entende o poder da história que está contando e nunca descamba para o sentimentalismo barato. Essa embalagem bonita serve para desviar o olhar de erros como a profusão de personagens unidimensionais, cujo maior representante é namorado de Lou (vivido por um conhecido da galera de Harry Potter).

E se Emilia Clarke convence com a doçura necessária e carregando o peso das cenas dramáticas, é Sam Claffin que, mais uma vez, não justifica o título de protagonista, por vezes frio demais em tela, embora seja carismático e tenha um ar de jovialidade que atrai o público ao personagens – além do fato de ser o galã por quem as mais jovens gritam no cinema.

Investindo em um desfecho que pode ser considerado questionável no ponto de vista de muitos, Como Eu Era Antes de Você é tão singelo, doce e bem intencionado, que pode fazer até os mais atentos desviarem os olhares para os erros apresentados em tela. Mas no fim das contas, se o resultado não surpreende, tampouco decepciona. Um filme que merecia um cuidado maior em sua realização para que talvez tivesse mais relevância. Ao público, é sempre bom levar os lenços.

Elvis & Nixon (Liza Johnson, 2016)

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NOTA: 8 / Por Nathalia Barbosa

Dar spoiler sobre Elvis & Nixon é praticamente impossível: como contar uma novidade sobre uma das figuras mais conhecidas da história da humanidade? Em contrapartida, como esmiuçar os bastidores da emblemática foto do Rei na Casa Branca junto com o então presidente em 1971?

A diretora Liza Johnson tenta fazer essa empreitada, mostrando um Elvis preocupado com a situação política dos Estados Unidos; um sujeito em conflito com sua persona do show business e uma contradição entre seu estilo musical e sua insatisfação com a contracultura.

No contexto de rock, sexo e drogas dos anos 70, Elvis, ao assistir os noticiários caóticos da televisão, é desperto por uma vontade de usar sua arte para solucionar alguns problemas políticos e fazer uma campanha contra o uso de substâncias ilícitas.

O filme todo é sobre a tensão de conseguir esse encontro, que tem como idealizadores os amigos íntimos de Presley – Jerry e Sonny – e os assessores de Nixon – Chapin e Krogh. Por trás de uma tentativa de melhorar a reputação do antiquado presidente, principalmente com os jovens, por meio da bombástica amizade com Elvis, há, além do alvoroço típico da época nos locais onde a estrela chegava – mulheres histéricas, homens que duvidavam da sua presença, mas, ainda assim, estadunidenses que não quebravam o protocolo nem para satisfação do artista – a exposição dos conflitos pessoais que os envolvidos tanto na vida política como na indústria fonográfica enfrentavam: dos dois lados, casamentos afetados pelo trabalho e, pela perspectiva política, tensões já emergentes pelas práticas ilegais que, mais tarde, acarretariam no escandaloso Caso de Watergate.

Com cenas que provocaram o riso de quem estava no cinema, Elvis e Nixon se dão super bem com todas as quebras possíveis de regras basilares da Casa Branca. Elvis, apesar de todo o discurso conservador, parece alguém mimado que quer fazer prevalecer seus próprios interesses, ironizando o trabalho das autoridades da justiça. Já Nixon acha uma grande ligação com Presley por ter o mesmo discurso de manter os bons costumes da nação da América do Norte.

Movimentos característicos de Elvis Presley – marcantes, extrovertidos, altamente expressivos – dão o extra de humor no longa, apesar da maquiagem e falta de semelhança visual de Michael Shannon com o Rei incomodarem bastante. Já Kevin Spacey como Nixon surpreende com sua naturalidade em interpretar a falta de senso crítico do presidente.

O animado clipe de abertura realizado pelo diretor de arte Kristin Lekki é um ótimo indicador do que iremos encontrar: uma narrativa divertida com todos os detalhes cômicos e irônicos de Elvis e Nixon, que Liza faz questão de relembrar mesmo 45 anos depois. Faz tal propósito com enorme maestria e de forma tão envolvente que nos prova como as narrativas a respeito de personalidades peculiares nunca se esgotam e nunca deixam de nos entusiasmar, mostrando, ainda, redes de convívio que não deveriam passar despercebidas dos livros de história ou revistas sensacionalistas.

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