kasbah

NOTA: 6,5 / Nathalia Barbosa

Bombas explodindo no Oriente Médio, imperialismo estadunidense e homens do Afeganistão autoritários que preferem guerra ao diálogo: no geral, nenhuma novidade e divergência da grande mídia no filme de Barry Levinson, exceto pela releitura criativa de Rock The Casbah, música da banda punk The Clash, junto à história de Setara Hussainzada – primeira mulher a cantar no programa parecido com o American Idol “Afghan Star” – representada como Salima (Ronnie Leem Lubany).

Bill Murray é Richie Lanz, um caça talentos fracassado, mas com grande habilidade de barganha. Cansado de contratos inúteis nos Estados Unidos, sua única chance é apostar em Roonie Leem (Zooey Deschanel) em uma turnê no Afeganistão, como aconselhado por um bêbado no bar onde Roonie se apresentava.

Até a metade do filme, o roteiro escrito por Mitch Glazer chega a incomodar pelas cenas amarradas e altamente lentas, até o espectador desistir de encontrar algo surpreendente. Eis que, no embalo de uma trilha sonora extremamente marcante, clássica e saudosista do rock, apresentando gigantes como The Animals, Eric Clapton e Cat Stevens, tudo muda quando Richie, já em território de conflito, encontra Salima, uma mulher da comunidade tradicional Pashtun possuidora de uma linda voz, mas que esconde seu talento por causa de interdições em seu país: é proibido mulheres cantarem e dançarem.

Sem que spoilers apareçam, pois a graça do filme é acompanhar a trajetória de Salima sem saber o que acontecerá e se ela conseguirá romper as barreiras da tradição, percebemos que alguns personagens são meros ganchos que abrem caminho para a situação de encontro entre Lanz e o grupo Pashtun. Surge certo incomodo por questionar se realmente tantos personagens rasos são necessários ou se foram um grande erro de Levinson e Glazer, tornando o longa cansativo e óbvio demais, principalmente no começo.

Devemos admitir que foi criativo sair um pouco da estrutura engessada do cinema clássico, com narrativa totalmente definida em começo, meio e fim para ser de fácil entendimento e assimilação do espectador. Porém, por não ousar tanto ou, pelo menos, não radicalizar, deixa a dúvida se a intenção foi proposital ou se foram erros de corte, falta de tempo para desenvolver melhor a história ou preguiça em criar sequências com maior nexo e reflexão. Ainda assim, para aqueles que gostam de rock clássico, vale a pena assistir a Rock em Cabul pela brilhante trilha sonora de Marcelo Zarvos.

Anúncios