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NOTA: 8 / Por Nathalia Barbosa

Dar spoiler sobre Elvis & Nixon é praticamente impossível: como contar uma novidade sobre uma das figuras mais conhecidas da história da humanidade? Em contrapartida, como esmiuçar os bastidores da emblemática foto do Rei na Casa Branca junto com o então presidente em 1971?

A diretora Liza Johnson tenta fazer essa empreitada, mostrando um Elvis preocupado com a situação política dos Estados Unidos; um sujeito em conflito com sua persona do show business e uma contradição entre seu estilo musical e sua insatisfação com a contracultura.

No contexto de rock, sexo e drogas dos anos 70, Elvis, ao assistir os noticiários caóticos da televisão, é desperto por uma vontade de usar sua arte para solucionar alguns problemas políticos e fazer uma campanha contra o uso de substâncias ilícitas.

O filme todo é sobre a tensão de conseguir esse encontro, que tem como idealizadores os amigos íntimos de Presley – Jerry e Sonny – e os assessores de Nixon – Chapin e Krogh. Por trás de uma tentativa de melhorar a reputação do antiquado presidente, principalmente com os jovens, por meio da bombástica amizade com Elvis, há, além do alvoroço típico da época nos locais onde a estrela chegava – mulheres histéricas, homens que duvidavam da sua presença, mas, ainda assim, estadunidenses que não quebravam o protocolo nem para satisfação do artista – a exposição dos conflitos pessoais que os envolvidos tanto na vida política como na indústria fonográfica enfrentavam: dos dois lados, casamentos afetados pelo trabalho e, pela perspectiva política, tensões já emergentes pelas práticas ilegais que, mais tarde, acarretariam no escandaloso Caso de Watergate.

Com cenas que provocaram o riso de quem estava no cinema, Elvis e Nixon se dão super bem com todas as quebras possíveis de regras basilares da Casa Branca. Elvis, apesar de todo o discurso conservador, parece alguém mimado que quer fazer prevalecer seus próprios interesses, ironizando o trabalho das autoridades da justiça. Já Nixon acha uma grande ligação com Presley por ter o mesmo discurso de manter os bons costumes da nação da América do Norte.

Movimentos característicos de Elvis Presley – marcantes, extrovertidos, altamente expressivos – dão o extra de humor no longa, apesar da maquiagem e falta de semelhança visual de Michael Shannon com o Rei incomodarem bastante. Já Kevin Spacey como Nixon surpreende com sua naturalidade em interpretar a falta de senso crítico do presidente.

O animado clipe de abertura realizado pelo diretor de arte Kristin Lekki é um ótimo indicador do que iremos encontrar: uma narrativa divertida com todos os detalhes cômicos e irônicos de Elvis e Nixon, que Liza faz questão de relembrar mesmo 45 anos depois. Faz tal propósito com enorme maestria e de forma tão envolvente que nos prova como as narrativas a respeito de personalidades peculiares nunca se esgotam e nunca deixam de nos entusiasmar, mostrando, ainda, redes de convívio que não deveriam passar despercebidas dos livros de história ou revistas sensacionalistas.

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