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NOTA: 7 / Por Caio César

É curioso ver como o público de filmes românticos lida com os filmes do gênero. É de se imaginar que sempre exista uma torcida para que as coisas no final acabem muito bem para o casal protagonista. Entretanto, longas como A Culpa é das Estrelas e este novo Como Eu Era Antes de Você, adicionam à receita um ingrediente incômodo: uma doença que ronda a trajetória dos nossos herois e que, invariavelmente, retorna à mente do espectador quando o mesmo pensa em um final “feliz”. Apenas por abordar um tema tão complicado e denso, o filme, baseado no best-seller de Jojo Moyes (que também assina o roteiro) merece atenção especial. Às vezes é importante lembrarmos que a vida comum tem os seus percalços e que, infelizmente, nem todos são felizes para sempre como gostam de vender para nós.

O filme conta a história de um jovem ativo e rico que sofre um acidente de trânsito. Com graves lesões, ele perde os movimentos de toda a parte do corpo abaixo de seu pescoço. Precisando de uma cuidadora (e alguém que lhe faça companhia), o rapaz contrata a doce Lou Clark para o emprego. A partir daí os dois vão desenvolver uma bela relação que será o pano de fundo para a história do longa.

Assusta, contudo, que o roteiro seja tão simplório em situar os contextos emocionais dos dois personagens, transformando-os em personalidades um tanto que rasas e que precisam de signos para caracterizar de maneira explícita suas personas. Ele, sempre de cara fechada, emburrado, parece desgostoso da vida. Ela, com um sorriso no rosto e roupas coloridas ao extremos, otimista e para cima. Some isso ao fato do roteiro ter sido adaptado pela própria autora do livro – e veja o tamanho do equívoco.

Parte do problema é resolvido por uma execução corretíssima da diretora Thea Sharrock, que entende o poder da história que está contando e nunca descamba para o sentimentalismo barato. Essa embalagem bonita serve para desviar o olhar de erros como a profusão de personagens unidimensionais, cujo maior representante é namorado de Lou (vivido por um conhecido da galera de Harry Potter).

E se Emilia Clarke convence com a doçura necessária e carregando o peso das cenas dramáticas, é Sam Claffin que, mais uma vez, não justifica o título de protagonista, por vezes frio demais em tela, embora seja carismático e tenha um ar de jovialidade que atrai o público ao personagens – além do fato de ser o galã por quem as mais jovens gritam no cinema.

Investindo em um desfecho que pode ser considerado questionável no ponto de vista de muitos, Como Eu Era Antes de Você é tão singelo, doce e bem intencionado, que pode fazer até os mais atentos desviarem os olhares para os erros apresentados em tela. Mas no fim das contas, se o resultado não surpreende, tampouco decepciona. Um filme que merecia um cuidado maior em sua realização para que talvez tivesse mais relevância. Ao público, é sempre bom levar os lenços.

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