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NOTA: 7 / Por Caio César

É digno de nota quando o cinema nacional destinado ao grande público se propõe a produzir longas que desafiem a hegemonia das comédias abestalhadas com estética televisiva. Deste mal, Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo não sofre. Talvez exista até uma preocupação excessiva com o visual em detrimento de um melhor apuro narrativo.

Dirigido pelo brasileiro Afonso Poyart, o mesmo de Dois Coelhos e do gringo Presságios de um Crime, “Mais Forte” conta a história do multicampeão lutador de MMA José Aldo, que nasceu em Manaus e se mudou para o Rio para tentar melhorar sua vida. Ele é vivido nas telas por José Loreto, em sua “estreia” nas telonas – já que só tinha feitos pontas nanicas em filmes pequenos.

Divido em uma estrutura épica que demora um pouco a ser assimilada pelo espectador, a primeira parte do filme é uma confusão de dar dó. Tudo parece extremamente fora do lugar, seja a ambientação da cidade, a interpretação dos atores mas, principalmente, a estética louca impressa pelo diretor, cheia de takes de câmera-lenta desnecessários, cortes amalucados e efeitos sonoros intrusivos.

Não que seja mal feito. Muito pelo contrário. Assistir ao filme dá esperanças sobre o futuro do cinema de ação no país e é um exemplo claríssimo do apuro técnico e da visão dos profissionais brasileiros. Entretanto, de nada adianta se esses serviços não estão a favor do contar da história. E história, em Manaus, vem em segundo plano – já que, de fato, nunca entendemos as motivações, os porquês é muito menos os deslocamentos dos personagens que vemos em tela, que por ora, parecem ser dotados de algum tipo de poder sobrenatural de teletransporte.

Graças aos deuses da luta livre esse capitulo introdutório é apenas uma parte de um longa que muda da água para o vinho quando se desloca para o Rio de Janeiro. Lá, Aldo ganha nuances a partir de sua interação com novos personagens, vividos com graça por um elenco de apoio muito bom, capitaneado por Milhem Cortaz e por (!!!!!!) Rafinha Bastos. Cleo Pires não compromete, tampouco soma, sempre soando tão blasé quanto parece ser na vida real.

O que se sucede é um esforço visual e narrativo que é bem sucedido na maior parte das vezes, deixando a desejar apenas em como lida com o personagem de Rômulo Arantes Neto, que nunca é totalmente assimilado pelo público. As cenas de luta são particularmente impressionantes pela qualidade do trabalho de fotografia. Também vale a pena citar as coreografias de luta, que nunca soam artificiais ou montadas – o que, em um filme desses, poderia ser a morte da verossimilhança.

Mesmo sem ser perfeito, “José Aldo” entretém seu público através de uma história de superação embalada em um filme com vibe épica. Afonso Poyart continua mostrando ser um diretor em quem deve-se prestar atenção.

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