Procurando-Dory

NOTA: 8,5 / Por Caio César

Treze anos após a estreia do filme original, chega aos cinemas de todo país um dos longas mais aguardados do ano (talvez de alguns anos): Procurando Dory, continuação de um dos clássicos mais importantes da Pixar.

O filme encontra Dory, Nemo e Marlin apenas um ano após o final da última história. Dory está tendo insights sobre sua família, memórias que ela mesmo havia esquecido devido à sua doença, a perda de memória recente. Montando i quebra-cabeça que a leva de volta para os seus pais, ela decide seguir viagem para Los Angeles, com a ajuda de seus amigos.

Os primeiros 25 minutos dão a impressão de que estamos diante de um novo exemplar “Despertar da Força”: um filme que emula toda a estrutura do roteiro original para entregar uma nova história que seja familiar para seu público. Não é o que acontece. Entretanto, isso não exime a Pixar de continuar repetindo uma fórmula que pode dar MUITO certo (Up, Toy Story 3), pode dar mais ou menos certo (O Bom Dinossauro) ou pode dar MUITO errado (Carros 2): apresentação dos personagens, um evento emocional forte de desencontro e um eventual reencontro com tintas emocionantes.

É importante também ressaltar a capacidade da Disney de pensar seus filmes em cada aspecto como um produto muito maior do que apenas os 90 minutos dentro do cinema. Nesta perspectiva, todo o começo do filme, uma sequência de três minutos com uma adorável Dory criança, tem potencial para virar produtos como as pelúcias (que já estão nas lojas) e outros brinquedinhos.

O roteiro, assinado pelos mesmos artistas do original, cria soluções para dar um ar de originalidade à este novo filme a partir da introdução de novos personagens que ajudam Dory em seu estabelecimento como a real protagonista deste filme. Tanto que, em determinado momento, ficamos mais de meia hora sem sequer sabermos das posições de Marlin e Nemo. Dos personagens novos, o que ganha mais tempo de tela é o rabugento Hank, cujo drama pessoal funciona infinitamente melhor do que a tentativa de transformá-lo em uma espécie de super animal – o que faz que, surpreendentemente, um filme com animais marinhos tenha sequências longas fora da água.

É a partir do meio do segundo ato que o filme da uma guinada espetacular rumo à um desfecho muito emocionante. O humor nunca é deixado de lado e deve fazer a alegria de crianças e adultos (principalmente aqueles familiarizadas com o filme original).

Tecnicamente impecável, o filme mantém o frescor visual do primeiro longa, que já era um primor, e traz melhorias tecnológicas que se desenvolveram com o tempo para contar a história. A trilha sonora também é muito bem utilizada, sempre evocando os temas clássicos do primeiro filme.

Trazendo ainda uma incomum cena pós-créditos que deve levar os fãs à loucura, Procurando Dory não é uma obra-prima, tampouco um mero caça-níqueis. É um filme extremamente eficiente, com personagens que tem fôlego, alma e fãs suficientes para retornar em outras aventuras.

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